Golpista pede R\$ 200 para deixar de usar dados de advogada para extorquir clientes (Reprodução/Ariane Santos) A advogada Ariane Santos, de 29 anos, vive um pesadelo desde julho deste ano, quando golpistas começaram a criar perfis falsos no WhatsApp para extorquir seus clientes. Agora, ao ser confrontado pela advogada, o estelionatário pediu R\$ 200 para parar de se passar por ela: “Podemos negociar?”, diz uma das mensagens enviada pelo número falso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ariane, que atua no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, litoral de São Paulo, finge concordar e pergunta qual a proposta dos criminosos para eles deixarem de usar sua imagem para aplicar o golpe. Após pedirem o valor, o golpista ainda diz: “Você me ajuda e eu lhe ajudo!”. Em seguida, ele envia os dados bancários para que a advogada faça a transferência via pix. “Estou no aguardo do comprovante!”, avisa. Cerca de 20 minutos depois, Ariane diz que não tem dinheiro e o golpista questiona o porquê dela ter pedido o pix, ao que a advogada responde que era para ter acesso aos dados da pessoa. As informações estão no nome de uma mulher chamada Conceição. Agora, a advogada retornou a delegacia onde deu entrada ao procedimento de investigação. “Que encontre esse estelionatário ou a suposta quadrilha que está fazendo isso”, torce. Por causa da insistência dos golpistas, Ariane reduziu o uso das redes sociais, onde costumava postar conteúdos relacionados ao direito da família, por medo de chamar ainda mais a atenção dos criminosos. A proposta de negociação foi mais uma prova da ousadia dos golpistas. “Foi o auge, né? Eu dei risada, de nervoso, óbvio, mas pensando: ‘minha imagem não está valendo nada’”, lamenta. ‘Não confia no meu trabalho?’ Há dois meses, o caso de Ariane foi noticiado por A Tribuna. Na época, a advogada relatou que já tinha até sido ameaçada por um familiar de uma cliente por causa da ação do grupo e ela havia conseguido bloquear uma das linhas usadas pelos criminosos na Justiça. No entanto, logo surgiram novos números se passando por ela e, em uma das conversas, os golpistas debocham de um cliente que parece desconfiar das mensagens: “Não confia no meu trabalho?”. Na época, a advogada descreveu a situação como torturante. A tática dos golpistas consiste em abordar os clientes do escritório onde ela atua e informar que a pessoa ganhou a causa, mas para receber a indenização, é necessário fazer o pagamento de taxas exorbitantes. “O valor é totalmente desproporcional”, ressaltou. Por meio de uma liminar, ela descobriu que são várias pessoas envolvidas no golpe, até mesmo moradores de outro estado. Até hoje, Ariane não sabe como os golpistas têm acesso às informações dos processos dos clientes, algumas delas que nem a própria advogada possui — ela atende uma senhora e trata com a idosa por intermédio da filha, mas os criminosos conseguiram abordar a mulher. “Eles acharam o nome da mãe dela e conseguiram o telefone, que nem mesmo eu tenho”, diz. Mesmo divulgando que está sendo vítima do golpe nas redes sociais, houve quem acreditasse e transferisse até R\$ 19 mil para os estelionatários.