[[legacy_image_332879]] O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) revogou a prisão temporária dos 11 homens que foram presos, após a polícia encontrar uma central ilegal de distribuição de medicamentos de anabolizantes em Santos. A quadrilha teria sido solta pois o juiz entendeu que não havia provas suficientes que comprovassem a existência dos crimes. Os homens foram presos no dia 15 de janeiro, durante cumprimento mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Civil em vários endereços em Santos. Uma central ilegal de distribuição de medicamentos controlados e proibidos, e mais três depósitos de armazenamento. A decisão de soltura da quadrilha foi publicada em 24 de janeiro. O juiz Bruno Nascimento Troccoli entendeu que há a necessidade de um processo investigativo mais aprofundado a respeito do caso, para apontar de forma mais precisa a conduta de cada um dos envolvidos. Além disso, pelo fato de os réus serem primários, o juiz considerou a não necessidade de eles aguardarem as investigações presos, já que o processo pode demorar meses. Apesar de terem a prisão preventiva revogada, os 11 homens deverão cumprir medidas cautelares, como: comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades, e também ficam proibidos de qualquer envolvimento com comércio ou fornecimento, gratuito ou não, de medicamentos ou qualquer substância com fins terapêuticos ou medicinais. Em caso de descumprimento das medidas, os réus poderão retornar à prisão. O crimeNo dia 15 de janeiro, dois homens de 31 e 46 anos haviam sido fotografados e filmados levando e entregando caixas e pacotes no estacionamento de um supermercado localizado na Avenida Ana Costa. O local estaria funcionando como ponto de distribuição das mercadorias ilegais. Os homens foram abordados pela polícia e, com eles, foi encontrada grande quantidade de medicamentos. Com o mandado de busca e apreensão, os policiais também foram até um edifício na Rua Alexandre Gusmão, no bairro Valongo, e tentaram entrar em contato com os ocupantes de uma das salas do local. Como não houve resposta, a equipe arrombou a porta e encontrou três homens de 21 anos, dois de 25 e outros três de 26, 29 e 37 anos. Conforme a Polícia, no local funcionava a central de distribuição de produtos com organização em nível profissional. No local havia setores delimitados, cartazes indicativos de posicionamento para cada estágio de envio, prateleiras e mesas de trabalho. Diversas caixas e estantes também foram encontradas com centenas de medicamentos para serem embalados e outros já prontos para o envio. Em outras, já constavam o endereço dos compradores em diversas regiões do Brasil, além de uma espécie de nota de venda. As mercadorias seriam de anabolizantes, substâncias psicotrópicas, medicamentos de uso veterinário e cigarros eletrônicos importados. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em uma empresa de depósito da Avenida Martins Fontes, no bairro Saboó, onde um dos integrantes da organização criminosa havia sido fotografado no local durante as investigações. Funcionários da empresa disseram à Polícia que duas unidades eram utilizadas pelo suspeito, mas haviam sido alugadas em nome de terceiros. A Polícia constatou que as caixas de medicamentos eram embaladas e, dali, levadas por empresas de transporte para vários destinos. Funcionários de uma empresa de transportes foram encontrados no local retirando as caixas das unidades do depósito, que continham os medicamentos. No entanto, ao serem ouvidos na presença do advogado, os empregados disseram não saber qual era o conteúdo das caixas e que somente prestavam serviço para uma pessoa chamada Marcel. Outro endereço também foi visitado pela Polícia Civil, na Avenida Afonso Pena, onde foi encontrado mais um depósito usado pela organização criminosa. Nele, a equipe encontrou diversos medicamentos com o prazo de validade vencido. Ao todo, foram apreendidos 20 celulares, um molho de chaves, um notebook, 24 caixas do medicamento vitapulmin, 13 caixas embaladas em papel pardo lacradas para postagem, diversos remédios de origem nacional, internacional e vencidos, etiquetas e um caderno de anotações. Na abordagem realizada no estacionamento do supermercado em Santos, um carro também foi apreendido, bem como as mercadorias que estavam nele, como três caixas de durateston, duas caixas de propinato de testosterona, duas caixas de deposteron e durasteston e papéis com anotações de contabilidade. Cadeia de comandoPor fim, com o balanço da operação, a Polícia constatou a existência de uma cadeia de comando, com funções determinadas, como a presença de um líder, um responsável pelo armazenamento, abastecimento e transporte dos depósitos à central de distribuição, um gerente local e demais ‘funcionários’ para separar, etiquetar, embalar, empacotar e disponibilizar para envio os medicamentos. A prática dos crimes cometidos pela organização ainda tinha alcance nacional, com um alto valor de transação e poder aquisitivo dos criminosos. Diante disso, os 11 homens capturados na operação foram presos preventivamente. O caso foi registrado no 1º, 3º e 7º distritos policiais (DPs) de Santos, como definição de organização criminosa; descaminho; falsificação, corrupção e adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais; tráfico de drogas e associação ao tráfico.