Educadora foi socorrida para o Hospital Guarujá (Alexsander Ferraz/AT) Depois de ser brutalmente agredida pela mãe de um aluno, a servidora pública de Guarujá e professora Amanda Monteiro, de 39 anos, afirma não se ver mais voltando a dar aulas. O caso aconteceu na terça-feira (10) quando a educadora saiu do expediente da Escola Municipal Valéria Cristina Vieira da Cruz Silva. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para A Tribuna, a professora conta que estava no ponto de ônibus em frente à escola quando foi atacada pela mãe de uma aluna do 2º ano do Ensino Fundamental I. A agressora lhe agarrou pelas costas e, segundo a vítima, começou a puxar seu cabelo e partiu para dar socos. Descontrolada, a mulher xingava a professora enquanto batia com a cabeça dela no chão. Apenas quando as mães de outros estudantes conseguiram segurar e conter a agressora, a servidora se viu livre e correu para dentro da unidade de ensino por busca de ajuda da direção. “Estou bem machucada. E hoje eu estou correndo atrás dessa parte toda burocrática. Achei que fosse morrer ali mesmo. Por mais que eu gritasse, as pessoas estavam vendo que eu estava sofrendo, mas ninguém se manifestava, então eu não tinha força de reação. Não tive como reagir. Ela (a agressora) me pegou de um jeito que eu não esperava, então só pedi a Deus para que eu não morresse”, relembra. Ensanguentada e pedindo ajuda, a professora conta que saiu dali chorando e pedindo socorro, e que recebeu auxílio da diretora da escola. “Estava sangrando muito pelo nariz, na boca e orelha também. Machucou bastante a minha cabeça. Estou sem saber o que vai ser daqui para frente”. “A sala de aula nunca foi um ambiente fácil. Está cada vez mais difícil, só quem está dentro é que sabe. Jamais imaginei que iria passar por isso, então meu psicológico está muito abalado. Eu não me vejo mais conseguindo encarar uma sala de aula”, relata. Histórico com a mãe Sobre a agressora, Amanda comenta que nunca teve problemas com a filha dela. Que a relação entre as duas era como qualquer outra, com os demais estudantes. Entretanto, a professora alega que a mãe passou a ‘criar fantasias’ de que a educadora não gostava da menina. “Disse (à direção) que a menina não queria ir à escola e o motivo era a professora que pegava no pé e ficava em cima dela. E essa mãe começou a ir à escola e fantasiar coisas sobre a minha relação com a menina. Mas, nessa escola, estou há seis anos e nunca tive nenhuma queixa em relação à minha conduta e nem assinei nenhuma advertência no prontuário, então estou bem tranquila em relação a isso. Sei que eu fiz o meu papel”, ressalta. Amanda relata que todos os relatos que tem sobre reclamações dessa mãe tem origem da direção. Segundo a educadora, a agressora nunca foi diretamente conversar com ela sobre o caso antes de lhe bater. Porém, a equipe da escola repassava que a mulher estava bastante alterada durante as idas ao local para falar do assunto. Para tentar resolver a situação, a direção da escola optou por trocar a estudante de classe. “Mesmo assim, ela achou pouco (a medida) e me pegou dessa maneira (com agressões)”, conta. Histórico A Prefeitura de Guarujá informou que, após as agressões, a servidora pediu ajuda à diretora da escola, que imediatamente informou o ocorrido à Seduc, e a vítima foi encaminhada ao Hospital Guarujá. A educadora foi atendida e afastada por recomendação médica, além de ser encaminhada para registrar um boletim de ocorrência. Durante as investigações, a Seduc destacou fornecer todo o apoio necessário à servidora, além da comunidade escolar, por meio da disponibilização de acompanhamento psicológico e demais profissionais da equipe multidisciplinar, composta por assistentes sociais, psicopedagogos e fonoaudiólogos. Ainda segundo a Prefeitura, a Seduc abriu um processo interno para avaliar se há outras medidas cabíveis à Administração Municipal. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) divulgou que o caso foi registrado como lesão corporal, injúria e ameaça no 1º Distrito Policial (DP) de Guarujá. A vítima informou à Polícia Civil que foi agredida e ameaçada por uma mãe de um aluno. A SSP reforçou que a professora foi orientada quanto ao prazo para oferecer a representação criminal, necessária de acordo com a lei, por se tratar de crime de ação penal condicionada.