[[legacy_image_88727]] Uma professora aposentada, de 78 anos, caiu em um golpe bancário e perdeu cerca de 60 mil reais no final de julho, na Ponta da Praia, em Santos. O boletim de ocorrência foi registrado nesta sexta-feira (6). "Foi muito bem articulado", disse a vítima à ATribuna.com.br. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A professora Inazeli Azevedo Nóbrega e Silva contou que, em 20 de julho, uma suposta funcionária do Banco do Brasil entrou em contato com o filho dela informando que criminosos tentaram acessar a conta bancária dela. Com isso, ele poderia fazer os procedimentos de segurança, pois tinha uma procuração cadastrada para tais ações, mas se negou a fazer e orientou que ligassem diretamente para a mãe. Na sequência, o filho de Inazeli a comunicou sobre a ligação, para informar que uma funcionária do banco entraria em contato para ela trocar a senha. Em seguida,a suposta funcionária ligou para ela orientando que fosse até a agência para dar continuidade no procedimento. Inazeli foi ao banco e recebeu novamente uma ligação da suposta funcionária, que ficou cerca 40 minutos com ela pelo celular passando as orientações. "Ela disse que infelizmente não estava conseguindo e orientou que retornasse ao banco no dia seguinte e que informasse a verdade [para a atendente], que tentaram entrar na conta." No dia seguinte, a professora aposentada retornou na agência e informou para uma atendente a situação e a funcionária estranhou, mas, ao consultar o sistema, viu que realmente houve uma tentativa de invasão em 16 de julho. Após alterar a senha e também cadastrar a biometria, ela saiu da agência e foi em uma loja realizar uma compra e novamente recebeu o telefonema da suposta funcionária. Dessa vez, a mulher, que se identificou desde o primeiro contato como Débora Lemos, disse que Inazeli havia saído da agência antes de concluir todos os procedimentos, que a conta ainda estava vulnerável e que era necessário retornar para fazer o módulo de segurança. A suposta funcionária foi ditando, durante a ligação, passo a passo do que deveria ser feito no caixa eletrônico. "Ela mandou, fui em um caixa, aí ela falou 'vamos trocar de caixa, por favor, esse aí não está dando certo. Eu estava no terceiro, ela mandou eu ir para o segundo porque não estava dando certo", relembrou. No final da ligação, a suposta funcionária informou que estava tudo certo. "Foi super gentil, educada e português corretíssimo." A aposentada saiu do banco e foi até uma farmácia, mas ao pagar a compra no débito foi rejeitada e no crédito também não foi autorizada. Ela retornou para casa e ao abrir o aplicativo do banco teve o susto: uma transferência por PIX no valor de R\$24.700 para uma conta do Bradesco, empréstimos e uso do limite do cartão de crédito e cheque especial. "Não tenho o valor total [do golpe], mas chega a 50, 60 mil porque tem todos os empréstimos, tem o PIX, o cartão, o cheque especial, o estado em que fiquei, estou sob efeito de calmante, foi um choque, você se sente inferiorizada. Foi muito bem articulado, não fui culpada", lamentou. Banco negou devolução Segundo a aposentada, o banco do Brasil negou o pedido de contestação realizado por ela. "Disse que nas fotos e vídeos apareço autorizando, que eu fiz tudo. Eu com quase 79 anos não tenho condições de dominar todas as técnicas, se ela me manda um WhatsApp com o aplicativo do banco, se ela me diz que tentaram entrar na minha conta, eu entro no banco e a atendente confirma que realmente tentaram entrar na minha conta, se eu vou para um comércio e ela diz que 'a senhora acabou de sair de lá, não me esperou', como é que podia passar na minha cabeça que isso era um golpe?" "O banco do Brasil está sendo muito inconsequente. Eu não me conformo, vou ter que gastar dinheiro, estou sem um tostão porque eles limparam tudo, tudo, não deixaram um tostão, nada. Estou indignada. Se eu quisesse um empréstimo ia levar um mês para ser liberado, ela conseguiu a liberação na hora dos três empréstimos. Impressionante. Eu nunca fiz um empréstimo, um consignado, nunca levantei um 13º sem falar com o meu gerente. O que eu acho estranho é o banco não procurar conhecer ou analisar o comportamento do cliente, essa não é minha forma de agir junto ao banco", ressaltou. Advogado alerta sobre o que fazer O advogado Fabrício Posocco disse à ATribuna.com.brque em situações como essa a recomendação é seguir três passos: elaboração do boletim de ocorrência relatando a situação, fazer uma reclamação nas plataformas específicas Consumidor.gov.br, que é um canal relacionado à essa fraude para relatar problemas e também no site do Banco Central. Em um terceiro momento, a ideia é que procure um advogado para entrar com uma ação judicial para ressarcimento de danos por conta desses fraudes. Após seguir os três passos, Posocco orienta que toda documentação seja entregue ao banco para tentar o ressarcimento dos valores. "Fatalmente, pela forma como isso acabou acontecendo, o banco não vai querer ressarcir de maneira administrativa e a vítima terá que ingressar na Justiça para poder buscar o ressarcimento desses danos." Segundo o advogado, a principal dica para não cair em situações como essa é ter em mente que esse tipo de golpe sempre começa pelo telefone. "Com uma tentativa de contato para obtenção de dados pessoais ou para fazer troca de alguma coisa. A gente sempre precisa desconfiar das ligações onde quem está falando com a gente está pedindo dados, informações pessoais, pedindo para a gente trocar senhas." Posocco alerta para que as alterações de senha não sejam feitas em caixas eletrônicos, pois sempre pode ter alguém próximo observando a situação. "Tem que se lembrar também de não haver esse compartilhamento de dados ou qualquer tipo de cadastro a partir de contato telefônico que é feito com empregado do banco. E também sempre lembrar de não fornecer senhas ou código de acesso fora do site do banco ou aplicativo." O que diz o Banco Em nota, o Banco do Brasil informou que não envia SMS, WhatsApp, que não liga e nem encaminha e-mails com solicitação de dados pessoais, dados do cartão e senhas. Reiterou que não faz buscas de cartões dos clientes para perícia e não solicita a digitação de senhas em contatos telefônicos. Segundo o banco, todas as reclamações de movimentações financeiras não reconhecidas pelos clientes são acolhidas com a abertura de processo de contestação e, posteriormente, esse processo é analisado pela área técnica que define sobre a responsabilidade das partes e sobre o ressarcimento ou não dos valores contestados. O Bradesco informou em nota que o PIX, assim como qualquer outro serviço, é uma transação extremamente segura, validada com senhas e Tokens pelo próprio cliente.