[[legacy_image_283989]] Um grupo de detentos envolvidos em uma confusão no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá, litoral de São Paulo, ocorrida nesta terça-feira (25), gritou pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para intimidar os agentes responsáveis pela segurança do local. Para conter o motim, foi feito o uso de balas de borracha (elastômetro). De acordo com o boletim de ocorrência, a confusão se iniciou por volta de 8 horas, quando os detentos estavam no banho de sol. Um dos presos foi visto saindo do pavilhão 8 e escalando alambrados. Depois, ele voltou para onde estava. Simultaneamente, um agente penitenciário acionou alarme após ver três pessoas saindo de uma mata e arremessando diversos pacotes na direção do CPP. Uma equipe de policiais penais foi até o referido ponto para pegar os pacotes, com o apoio de uma viatura de ronda externa. Foi quando centenas de reeducandos foram até os pavilhões 4 e 6 e partiram para cima dos agentes, arremessando pedras e pulando alambrados. Eles tentaram encurralar os profissionais para pegar os pacotes com os produtos ilícitos - celulares, chips e drogas. As pedras acertaram viaturas, causando danos nos vidros e lataria. [[legacy_image_283990]] Tentativa de tranca Um outro agente penitenciário tentou trancar os pavilhões pares, mas foi impedido pelos detentos, que bloquearam a galeria de acesso. Nesse momento, conforme o boletim, foram feitas ameaças a quem chegasse perto, citando o nome do PCC e incitando que outros presos partissem para cima dos servidores. As equipes conseguiram fechar o acesso aos pavilhões pares, impedindo que a confusão se alastrasse para os ímpares, que estavam trancados. Em outro corredor, a confusão permanecia, depois que dezenas de detentos pularam o alambrado e conseguiram resgatar os pacotes. Na sequência, eles voltaram aos campos dos pavilhões e se instalaram na galeria de acesso, impedindo que os agentes os trancassem. Grande negociação Somente por volta de 9h15, uma hora após o início do motim, os policiais penais conseguiram trancar os detentos nos pavilhões pares. Também foi feita revista nos reeducandos para apreender os produtos que entraram na unidade, bem como identificar os responsáveis pelo motim. O caso foi registrado pelo 2º Distrito Policial (DP) de Mongaguá. [[legacy_image_283991]] Posicionamento Inicialmente, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SAP) informou que não houve rebelião no CPP de Mongaguá, e que a unidade teve uma "tentativa de arremesso de ilícitos", que teria sido impedida pelos policiais penais. A pasta também disse, na terça (25), que a unidade "opera dentro dos padrões de segurança e disciplina". Em nota enviada para A Tribuna nesta quarta (26), a secretaria disse que abriu uma apuração para esclarecer os fatos e punir os reeducandos que tenham se envolvido com a ocorrência. A pasta disse ainda que, após revistar os envolvidos, foram apreendidos 28 celulares, três chips, 234 gramas de cocaína e 34 gramas de maconha. CPP de Mongaguá A unidade é a que mais recebe detentos na Baixada Santista. Dados retirados do site da SAP apontam que 2.455 presos estão no CPP de Mongaguá, sendo que a capacidade da penitenciária é para até 1.640 detentos. O número de presos é maior que o dobro do que em outro CPP da Baixada Santista, o de São Vicente, com capacidade para 827 detentos e que, atualmente, possui 948. Os CPPs recebem detentos que já progrediram para o regime semiaberto. Nessa fase, eles podem deixar a cadeia para trabalhar e visitar familiares. Esse benefício está incluído na saída temporária, a famosa "saidinha". Em São Paulo, ela é concedida quatro vezes por ano, em março, junho, setembro e dezembro. Os reeducandos saem da prisão em uma terça-feira e devem retornar na segunda seguinte. Caso contrário, entram na condição de foragidos. Em junho, a saída temporária beneficiou 2.213 detentos do CPP de Mongaguá. PCC Mencionado pelos detentos durante a confusão, o Primeiro Comando da Capital é considerado a maior facção criminosa do Brasil. Com foco em São Paulo, estima-se que o PCC tenha cerca de 30 mil membros, que atuam dentro e fora das penitenciárias em todo o País. A facção criminosa também atua em países próximos, como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela, e movimenta milhões de reais com o narcotráfico. Na Baixada Santista, o Porto de Santos é o principal ponto de entrada e saída de drogas movimentadas pelo grupo. [[legacy_image_283992]]