Um 'arsenal' foi encontrado na casa de André e no sindicato em Santos; todo material foi apreendido (Reprodução/ Polícia Civil) O presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Santos e Região (Siemaco-Baixada Santista), André Domingues de Lima, foi preso na manhã desta quarta-feira (13) em um imóvel de alto padrão no bairro Embaré, em Santos, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado com a Polícia Civil, André era alvo de um mandado de prisão preventiva pelo crime de atentado à liberdade de trabalho. Ele é acusado de ameaçar e obrigar funcionários da Terra Santos para que permanecessem em greve. Além da ordem judicial, André também foi detido em flagrante por porte ilegal de armas de fogo, após policiais encontrarem duas pistolas e um revólver em imóveis ligados ao sindicalista. Uma das armas estava com o registro vencido. A prisão ocorreu por volta das 6 horas e foi realizada por agentes da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ligada à Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic), responsável pelo caso. Segundo apuração de A Tribuna, a operação teve como objetivo desarticular um suposto esquema de coação, extorsão e terrorismo sindical no setor de limpeza urbana e coleta de lixo da Baixada Santista. A ação contou com apoio tático do Grupo de Operações Especiais (GOE). Segundo as investigações, André, conhecido pelo apelido de “Fuzil”, adotava um modus operandi semelhante ao de organizações mafiosas: se utilizava de seguranças fortemente armados para impor paralisações, pressionar empresas e ameaçar trabalhadores da própria categoria. Ainda conforme apurado pela reportagem, funcionários relataram que seriam chamados para “as ideias” caso descumprissem determinações do sindicalista. André também afirmava que integrava uma organização criminosa e que andava armado. Diante das ameaças, vítimas buscaram proteção junto ao programa do Tribunal de Justiça (TJ) e denunciaram o caso para a polícia. Prisão e apreensões Os agentes foram cumprir dois mandados de busca e apreensão em desfavor de André e um mandado de prisão preventiva. Enquanto uma equipe da Polícia Civil estava na residência do investigado, no Embaré, outra ocupava e isolava a sede do sindicato, localizada na Avenida Senador Pinheiro Machado. No quarto de André, os policiais encontraram uma pistola calibre .380 com o registro vencido há quase dez anos. Já na sala da presidência do sindicato, os agentes localizaram, em um cofre camuflado dentro de um armário, uma pistola Glock calibre 9 mm — armamento de uso restrito e sem registro nacional —, além de um revólver calibre .38 com registro de furto desde 2013. Policiais também cumpriram mandado na sede do Siemaco em Santos (Reprodução/ Polícia Civil) Segundo a investigação, as armas não estavam guardadas para defesa patrimonial, mas acondicionadas em coldres táticos e acompanhadas de munições e carregadores sobressalentes. Para a Polícia Civil, o material indicava preparo para saque rápido e uso voltado à intimidação de vítimas ligadas ao setor de limpeza urbana e coleta de lixo. Todo o armamento e os materiais apreendidos foram encaminhados para perícia. O objetivo é mapear o suposto organograma criminoso, rastrear ordens de extorsão e identificar outros envolvidos que atuariam como braço armado do investigado. André foi autuado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e receptação dolosa de armamento furtado. A Polícia Civil também solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva. Greve Conforme noticiado por A Tribuna, cerca de 3 mil trabalhadores das empresas Terracom, Terra Santos Ambiental e PG Eco Ambiental entraram em greve em 16 de março. A paralisação afetou os serviços de coleta de lixo e limpeza urbana em Santos, Guarujá, Cubatão, São Vicente, Praia Grande e Bertioga. O movimento teve início após divergências relacionadas ao Programa de Participação nos Resultados (PPR) referente ao ano-base de 2025. Trabalhadores alegaram que os valores depositados ficaram abaixo do esperado. Na época, o presidente do Siemaco afirmou que a diferença entre o valor esperado e o recebido provocou indignação na categoria e motivou a greve. A paralisação parcial, com 70% dos funcionários em atividade, durou cerca de um mês. Em 17 de abril, após assembleias, os trabalhadores aprovaram por unanimidade o pagamento de 70% do PPR. A Tribuna entrou em contato com o Grupo Terracom e aguarda retorno. A reportagem também procurou o Siemaco, mas não obteve resposta. A defesa de André Domingues de Lima não foi localizada até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.