Diversas drogas e equipamentos para produzi-las foram encontrados no galpão da escola de samba em Santos (Reprodução/ Polícia Civil) A Justiça decidiu manter a condenação de Vinicius Rafael do Nascimento Mendes por tráfico de drogas em Santos, no litoral de São Paulo. A decisão é da 14ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que negou o recurso apresentado pela defesa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com isso, segue valendo a pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão, em regime fechado, além do pagamento de multa. A defesa tentou anular o processo alegando dois pontos principais: um erro no endereço do mandado de busca e a falta de testemunhas no momento da apreensão das drogas. Os desembargadores, porém, entenderam que esses pontos não comprometem a ação. Apesar de o mandado indicar um número diferente na rua, o local estava claramente identificado como a sede da escola de samba Vila Mathias, inclusive com foto. Ou seja, não havia dúvida sobre onde a polícia deveria agir. Sobre a ausência de testemunhas, o Tribunal afirmou que isso, por si só, não invalida a apreensão, já que não ficou comprovado nenhum prejuízo à defesa. Drogas estavam escondidas dentro da escola de samba O caso aconteceu em 22 de maio de 2025, dentro do galpão da escola de samba Vila Mathias, em Santos. Segundo a investigação, mais de 15 quilos de cocaína e cerca de 700 gramas de maconha estavam guardados em um cômodo pequeno e trancado, escondidos no meio de caixas de bebida. No local, a polícia também encontrou dinheiro em espécie, uma balança de precisão, faca, tesoura, materiais usados para embalar drogas e substâncias para mistura. Vinicius estava no galpão no momento da ação policial, acompanhado de outras pessoas. Nada de ilegal foi encontrado com eles, mas os entorpecentes foram localizados durante as buscas no imóvel. De acordo com a denúncia, o presidente da escola teria assumido que as drogas eram dele e que os demais não tinham envolvimento. Defesa negou envolvimento, mas versão não convenceu Durante o processo, Vinicius negou o crime. Disse que era presidente da escola de samba, mas que não frequentava o local com frequência. Também afirmou que não sabia das drogas e que o espaço era usado por várias pessoas. Vinícius alegou ainda que as chaves do galpão ficavam com outra pessoa, identificada apenas como André. Para a Justiça, essa versão não se sustentou. A decisão aponta que o cômodo onde as drogas estavam ficava dentro do galpão e era usado pela própria escola, inclusive para guardar objetos da agremiação. Além disso, policiais relataram que já investigavam Vinicius há anos por suspeita de envolvimento com o tráfico. Um dos agentes afirmou que, durante monitoramento, percebeu movimentação típica de venda de drogas no local: carros entrando e saindo rapidamente e pessoas que passavam pelo galpão antes de seguir para pontos de tráfico na região. Quantidade de droga pesou na decisão A grande quantidade de droga foi um dos fatores que pesaram contra o acusado. Para os desembargadores, mais de 15 quilos de cocaína e centenas de gramas de maconha indicam claramente que o material não era para uso pessoal, mas para venda. Outro ponto considerado foi o local onde o crime ocorreu: dentro de uma entidade cultural, o que aumenta a pena nesse tipo de caso. A Justiça também afastou a possibilidade de redução da pena, entendendo que havia indícios de envolvimento do acusado com o tráfico há mais tempo. Com isso, a condenação foi mantida sem mudanças, incluindo o regime fechado para cumprimento da pena.