MC Primo foi morto a tiros em abril de 2012 (Divulgação/Kondzilla) Uma portaria publicada do Diário Oficial do Estado de São Paulo determinou a volta do policial militar Anderson de Oliveira Freitas, de 41 anos, absolvido da acusação de matar MC Primo a tiros, às atividades do 45º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I). A unidade está localizada em Praia Grande, no Litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O texto da portaria, publicada no dia 6 de agosto, cita que a reintegração do policial passou a valer a partir do dia 17 de julho, e que a decisão veio após a revisão do caso. A portaria também estabelece que o 45º BPM/I deve acompanhar qualquer atualização no processo e informar a Diretoria de Pessoal para ajustar a situação funcional do PM. Oliveira Freitas, acusado de matar MC Primo, foi inocentado em 1ª instância após passar um ano e sete meses preso. A vítima, Jadielson da Silva Almeida, foi executada em 2012 com, pelo menos, 11 tiros quando chegava em casa, no bairro Jóquei Clube, em São Vicente. Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) disse que o policial retornou ao serviço no dia 18 de julho e está exercendo funções administrativas. A pasta ressaltou que não comenta decisões judiciais. O julgamento O policial foi absolvido após ir a júri popular em julho deste ano. Com quatro votos a um, a sentença foi proferida após cerca de 12 horas de julgamento no Fórum da cidade. Na ocasião, além do interrogatório de Anderson, foram ouvidas três testemunhas de acusação, duas de defesa e um assistente técnico de defesa. O julgamento já havia sido adiado, após ter sido marcado para o dia 15 de maio. Contudo, a defesa do réu abandonou o plenário e o júri teve de ser remarcado. Na sessão, ainda foi apresentado um documento que alegava que a bala que atingiu MC Primo não era do policial. A sentença favorável a Anderson foi apresentada por volta das 22h30, após cerca de 12 horas de julgamento. Repercussão O advogado de defesa do PM, Emerson Lima Tauyl, disse que a decisão era esperada. “Conseguimos trazer de volta para casa um pai de família, uma pessoa que nada tem a ver com esse homicídio”, comenta. Apesar disso, ele lamentou a falta de respostas à família da vítima. “Lamentavelmente o judiciário não conseguiu trazer uma resposta prudente e justa para família da vítima, e falhou nas investigações. Foram 12 anos para tentar trazer um resultado e não identificaram o verdadeiro autor”, analisa. Contudo, o advogado considera que o caso não poderia causar um outro prejuízo a outra família. “Isso não dá o direito de colocar um inocente atrás das grades. Infelizmente nesse país, o judiciário persiste em cometer erros crassos como esse, mas no final, apesar de um ano e sete meses preso, nós conseguimos promover justiça”, finaliza. Em entrevista à TV Tribuna, a família de MC Primo lamentou o resultado. “Ficamos totalmente sem resposta. Mas um dia virá a justiça, não sei quando, mas Deus vai ajudar”, disse Maria Celeste da Silva, mãe do MC. O advogado de acusação, Eugênio Malavasi, também foi procurado pela equipe de reportagem de A Tribuna. Ele afirma que, diante da decisão manifestamente contrária à prova dos autos, já interpôs recurso de apelação visando a anulação do julgamento, visto que os jurados decidiram afrontando o laudo de confronto balístico e o reconhecimento pessoal da testemunha protegida. O caso No dia 19 de abril de 2012, MC Primo estava chegando em casa, no bairro Jóquei Clube, em São Vicente, quando foi abordado por criminosos que estavam em uma moto e um carro. Um dos suspeitos, que estava encapuzado, mandou que a mulher e os dois filhos da vítima entrassem em casa e, em seguida, deu 11 tiros nele. O funkeiro chegou a ser atingido por quatro disparos no tórax, dois na coxa direita, um no ombro, três nas costas e um no punho esquerdo. Em 16 de dezembro de 2016, o PM Anderson foi preso após ser acusado pelo Ministério Público. Durante as investigações, o suspeito foi reconhecido por uma testemunha que, em juízo, afirmou que o viu cumprimentando a vítima poucas horas antes do crime, mas Anderson negou. O acusado disse que estava jogando videogame no momento em que MC Primo foi assassinado. Uma investigação identificou a arma usada no crime, que seria de porte da corporação e estaria com Anderson na data.