O momento que a viatura estava próxima do local do crime (Reprodução) Mais dois policiais militares (PMs) se tornaram réus durante investigações das mortes causadas na Operação Escudo, no Litoral de São Paulo. Desta vez, o primeiro-tenente Júlio Cézar dos Santos, de 38 anos, e o cabo Maykon Willian da Silva, 42, respondem pelo homicídio de uma das pessoas mortas na época. Ao todo, oito policiais estão sendo investigados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O primeiro-tenente e o cabo pertenciam ao 4º Batalhão de Ações Especiais (Baep). Agora, os dois respondem pelo crime de homicídio qualificado contra Wellington Gomes da Silva, de 32 anos, em uma comunidade de Guarujá. A acusação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também destaca que eles simularam a necessidade de socorro para prejudicar a perícia. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que não comenta decisões judiciais. Entretanto, garantiu que os policiais em questão estão afastados das atividades operacionais. Assim como as ocorrências de morte durante a Operação Escudo são rigorosamente investigadas pela Polícia Civil de Santos e pela Polícia Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. A Tribuna teve acesso ao processo movido contra os policiais. Nele, o Ministério Público (MP) cita que o caso aconteceu no dia 29 de agosto de 2023, por volta das 15h30, na Avenida Tancredo Neves, viela A, da comunidade do Sítio Cachoeira. Na ocasião, Maykon e Júlio Cézar teriam agido com a intenção de matar. Câmeras Durante o patrulhamento, a equipe toda utilizava câmera operacional portátil (COP) com bateria, exceto o equipamento de Maykon que tinha descarregado pouco mais de uma hora antes do ocorrido. Entretanto, no momento que a incursão aconteceu pela comunidade, as câmeras de mais dois policiais descarregaram. Depois que as câmeras estava descarregadas, a equipe encontrou Wellington com uma arma longa e bandoleira. Os policiais informaram que ele atirou contra os agentes e fugiu para o fundo da viela. Quando foi encontrado, perto de uma casa de madeira, o primeiro-tenente atirou de fuzil duas vezes em sua direção. Na sequência, segundo o MP, Maykon percebeu que Wellington entrou na casa de madeira e entrou dando mais três tiros de pistola. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) indicam que ele levou quatro tiros. Uma análise dos ferimentos indicou que a morte não ocorreu de imediato, causando, ainda, lesão incapacitante imediata. Mesmo com Wellington ferido e incapacitado de se defender, o MP afirmou que Maykon entrou no local e deu mais três tiros. Um quarto tiro foi dado à curta distância, entre 10 a 50 centímetros, mas o laudo indica que a vítima já estava morta ou próxima da morte quando o disparo foi efetuado. Ainda segundo a denúncia, os policiais demoraram cerca de 23 minutos para acionar o resgate e, mesmo com a vítima morta há mais de meia hora, Wellington foi retirado do local e levado ao hospital, onde chegou e teve a morte constatada assim que deu entrada. Este socorro indevido até o hospital dificultou o trabalho pericial que seria realizado posteriormente, assim como a compreensão da dinâmica dos fatos. Mesmo assim, há um confronto com a versão dos denunciados, que alegaram que estavam em legítima defesa e que os últimos três disparos foram dados com a vítima ainda em pé, o que contraria a conclusão médica. Outros dois policiais militares envolvidos na denúncia tiveram o inquérito arquivado, pois as investigações indicaram que eles não tiveram envolvimento na morte de Wellington. Um ficou na viatura e outro do lado de fora, protegendo o entorno.