Outros agentes investigados foram considerados inocentes (Reprodução) A Justiça de São Paulo aceitou a primeira denúncia contra policiais militares envolvidos na Operação Verão realizada na Baixada Santista, entre dezembro de 2023 e abril de 2024. Nela, dois policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foram formalmente acusados de homicídio qualificado pela morte de Allan de Morais Santos, de 36 anos, em Santos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A operação, que envolveu tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil, resultou na morte de 56 pessoas em confrontos com agentes de segurança, além de dois policiais militares mortos por criminosos. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), o processo segue em segredo de Justiça. Os dois policiais militares da Rota, segundo os promotores, simularam um confronto e alteraram a cena do crime, o que resultou na acusação de homicídio qualificado. Segundo o g1, a denúncia foi apresentada no dia 18 de novembro pelo Ministério Público de São Paulo e aceita pela Justiça na quinta-feira (21). Os agentes Diogo Souza Maia e Glauco Costa viraram réus por homicídio qualificado e foram afastados das ruas nove meses depois do crime. A reportagem tentou encontrar a defesa deles. Allan, conhecido como ‘Príncipe’, era apontado como uma liderança da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A família negou a informação e disse que ele era inocente e saía do futebol no momento em que foi baleado e morto. O caso aconteceu em 10 de fevereiro deste ano. Guerra de versões Os PMs disseram que quatro agentes averiguavam uma denúncia sobre um homem transportando armas em um carro Jeep Compass. Também alegaram que ele foi baleado após desobedecer a uma ordem de parada e jogar o carro contra a viatura. Além disso, Allan teria disparado com uma pistola contra os policiais e levava um fuzil no porta-malas. Na versão da PM, um agente teria respondido à suposta agressão com quatro tiros de fuzil e outro com quatro tiros de pistola. Allan foi socorrido e levado até a Santa Casa, mas já chegou morto ao hospital. Entretanto, segundo os investigadores, Allan não fugiu e nem jogou o carro na viatura. O MP contrapõe que um dos policiais, o tenente Maia, foi para perto da janela do veículo e, a curta distância, efetuou quatro disparos sequenciais de fuzil. Depois de atingido, o carro andou e teria batido levemente com a viatura, que estava à sua frente bloqueando a passagem. Em seguida, o agente Costa disparou outras quatro vezes com uma pistola na direção da vítima. Porém, o documento indica que apenas os primeiros tiros de fuzil já foram o suficiente para causar a incapacidade da vítima ter coordenação motora nos seus membros superiores. O estojo deflagrado no banco do carona, o fragmento de projétil no assoalho do banco do motorista e a marca de disparo de arma de fogo efetuado do lado de dentro do veículo foram forjados para simular uma troca de tiros, segundo a promotoria. Diante dessas divergências, o MP pediu a suspensão dos agentes da corporação ou que fossem afastados das ruas. O juiz Alexandre Betini acolheu parcialmente o pedido e determinou que os policiais passassem a fazer apenas trabalhos administrativos. Outros agentes que eram investigados foram considerados inocentes por não terem participado efetivamente da morte. O andamento do processo será feito com a apresentação da defesa dos réus, que será ouvida pela Justiça. Caso o processo prossiga, o juiz decidirá se os PMs devem ser absolvidos ou se vão a júri popular. Investigação da SSP e afastamento dos policiais A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi investigado por meio de um Inquérito Policial Militar, o qual foi enviado à Justiça. Os policiais envolvidos na ocorrência permanecem afastados das funções operacionais até o final do processo. Em nota, a SSP afirmou que todos os casos de morte em decorrência de intervenção policial são rigorosamente investigados pelas forças de segurança, com a supervisão das respectivas corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário. Operação Verão Anualmente, o Governo de São Paulo realiza a Operação Verão, um reforço no policiamento das 16 cidades litorâneas do estado, com objetivo de ampliar a segurança durante o período em que há aumento de turistas na temporada de verão. Porém, a última edição da operação foi amplamente criticada por organizações de direitos humanos e autoridades pela violência empregada, que resultou em 56 mortos.