[[legacy_image_277194]] Vinte e nove pessoas foram detidas em flagrante na madrugada de domingo, em um baile funk na Avenida Raphael Vitiello, na Vila Edna, em Guarujá, em mais uma fase da Operação Pérola do Atlântico. Do total, 22 presos tinham 18 anos ou mais e os outros sete apreendidos eram menores: seis adolescentes com idades entre 14 a 18 anos e uma menina de 11 anos, que consumia bebidas alcoólicas em um estabelecimento interditado pela falta de alvará. "Elas faziam uso de bebidas alcoólicas, drogas e ainda havia o som alto, sem falar na associação criminosa, que prevê a união de pessoas para a prática de crimes, segundo o Código Penal", detalha o delegado Fabiano Fonseca Barbeiro. O perfil nas redes sociais do Baile do Fundão, como é conhecido, anunciou a suspensão temporária das atividades, mas deixou claro na mesma postagem que procura outro local para o evento. "Temos a identificação de algumas pessoas que atuam na organização. Queremos dar continuidade não só às ações repressivas, mas também para a investigação. Ainda que eles mudem de lugar, temos nossos métodos e vamos agir em novos lugares", afirma Barbeiro. Com 48 agentes, a operação envolveu as Polícias Militar e Civil, a Guarda Municipal e Força-Tarefa da Prefeitura de Guarujá. Também foram encontrados um simulacro de arma de fogo, cocaína, bebidas alcoólicas, veículos estacionados em calçadas, 23 bicicletas (deixadas pelas pessoas no momento em que avistaram a chegada da polícia) e quatro motocicletas. [[legacy_image_277195]] Audiência Os maiores de idade passaram por audiência de custódia nesta segunda-feira (26), no Fórum da cidade. Dois deles tinham antecedentes criminais - um havia cumprido pena por ter participado do assalto ao Banco Central de Fortaleza, em 2005, e o outro portava cocaína. "Identificamos também no celular de um dos presos a foto de um outro criminoso com algumas passagens por roubos e detalhe: suspeito de ter atuado recentemente na morte de um policial militar", completa o delegado. Na audiência, o juiz ratificou o flagrante, mas como a maioria dos jovens não tinha antecedentes criminais foi convertida a prisão preliminar em flagrante em liberdade provisória. "Na prática, significa que esses indivíduos vão ter restrições legais: proibição de frequentarem esses ambientes, não poderão sair de casa depois das 22 horas, não poderão se ausentar da Comarca sem comunicação ao juiz e tem que se apresentar ao Fórum todo mês para assinar o livro. Isso até a audiência ser marcada e eles serem efetivamente condenados", explica o delegado. Já os responsáveis pelos seis adolescentes compareceram ao local e assinaram termos para futuros comparecimentos à Promotoria da Infância e Juventude. No caso da menina de 11 anos, ela foi encaminhada ao Conselho Tutelar por ninguém da família ter aparecido. Obstáculos, tática e alívio Os agentes de segurança chegaram ao local por volta das 2 horas e já havia mais de 100 pessoas - a aglomeração acontece entre 0h30 e 1 da manhã. Duas quadras antes do local do baile funk, os envolvidos colocavam barricadas com pedras, caçambas de lixo e madeiras para dificultar a chegada da polícia. [[legacy_image_277196]] "Há pessoas que vão para se divertir. Se a gente for lá e deixar começar o baile para fazer uma ação policial, o risco de ter pessoas feridas e de se voltarem contra os órgãos de segurança é muito grande. Temos que evitar que ocorram lesões corporais ou coisas piores. Por isso nos antecipamos", afirma o major da PM Eduardo Luiz da Silva, subcomandante do 21o Batalhão de Polícia Militar do Interior. "Pelo desfecho que tivemos, podemos considerar um divisor de águas. É uma mensagem para os organizadores desse evento: podem ficar certos que serão identificados e responsabilizados de uma forma ou de outra", afirma o guarda municipal Marcos Vinícius, superintendente da Força-Tarefa de Guarujá. O alívio da secretária adjunta de Defesa de Guarujá, Valéria Amorim Queiroz, não era à toa. "A gente cuida de pistão (baile funk) desde 2016 e realmente é um divisor de águas. Sabemos que o crime organizado se instala em locais desorganizados. Por isso que é importante, pela efetividade da ação. Ninguém está terminando com a diversão de ninguém porque ali não há nada de divertido. O da Vila Edna era o nosso fracasso. Quando começamos, havia, pelo menos, 10 locais de pistão que faziam de forma recorrente. Hoje se limitam a três. Vermos a publicação deles dizendo que vão suspender por algum tempo por terem sido vencidos é uma alegria, para nós, olharmos para uma população de pessoas trabalhadoras, que moram de forma tão simples e merecem dignidade para chegar às suas casas", desabafa. Outras operações com a mesma finalidade devem ser feitas em Santos e São Vicente. "Já identificamos esse tipo de problema pontual em outras regiões e vamos colocar isso também dentro da nossa pauta para que a gente possa atuar na prevenção da realização desses eventos em outros municípios", adianta Fabiano Barbeiro.