[[legacy_image_200616]] A Polícia Civil vai à Justiça pedir, nesta quinta-feira (18), a prisão preventiva do homem suspeito de violentar sexualmente a namorada, a professora Cleonice Antonio Santos, de 48 anos, que morreu após uma infecção generalizada, na última segunda-feira (15), em São Vicente. A informação é do delegado do 1º Distrito Policial (DP) da Cidade, Marcos Alexandre Alfino, responsável por investigar o caso.Cleonice foi internada em estado grave após ter um corpo estranho, que seria um cabo de vassoura, introduzido no ânus. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O caso, primeiramente registrado como morte suspeita, agora é investigado como homicídio. A família da vítima suspeita do namorado dela. Segundo os familiares, o homem tinha histórico de agressividade, ciúme e ameaças. Em entrevista para A Tribuna, o delegado afirmou que a natureza do caso pode mudar, inclusive para feminicídio, devido à incerteza. “Pelas circunstâncias do fato, nós vamos fazer o procedimento como homicídio. Entretanto, ele pode ser mudado a qualquer momento”, explica. Alfino diz que nenhuma circunstância é ignorada. "O que nós temos é o falecimento dessa mulher pela introdução de um instrumento contundente no seu reto, que ocasionou a infecção generalizada e motivo pelo qual ela evoluiu a óbito”, afirma. O delegado confirmou a suspeita do namorado da vítima. Segundo o policial, o homem teria chamado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para socorrer a professora. “O namorado dela está envolvido, até porque foi ele que acionou a ambulância e que conduziu a vítima até o hospital. Agora eu precisaria ouvi-lo, além de testemunhas, para dizer se ele é suspeito ou investigado”, explica. O casal morava junto há sete meses. "A ambulância foi chamada três vezes. Ela foi chamada na madrugada de sexta (12) para sábado (13). Ela se negou a ir para o hospital. Foi chamada também no final do sábado e não foi, porque a vítima já tinha negado ser socorrida. Até que na madrugada do domingo ela foi socorrida ao pronto-socorro do Humaitá”, diz. Dentro da casa em que o casal vivia, o delegado afirma não ter encontrado nenhum cabo de vassoura ou pedaço de madeira. Porém, achou um lençol com resquícios de sangue, que está com a perícia para analisar se tem ligação com o caso. Segundo Alfino, a residência tinha sinais de arrombamento. A autoridade policial detalha que o namorado não possui passagens pela polícia. A família dele alega não saber onde ele está. “Ele (o namorado), no domingo à noite, ligou para a mãe da vítima e falou que ela estava passando mal e estava socorrendo ela para o hospital. Mas não disse que hospital era. A família desesperada começou a ligar para a rede pública aqui da região”, conta. Ainda conforme o delegado, na segunda-feira de manhã, funcionários do Hospital Municipal de São Vicente ligaram para a mãe da vítima e falaram para a família ir ao local, pois o caso era sério. "Eles (a família) descobriram onde estava a vítima e o namorado não foi mais visto. Eu ouvi dois parentes dele que falaram que ele foi visto pela última vez na segunda-feira, às 9h30”, afirma. Alfino afirma que a prisão preventiva serviria para garantir que o suspeito dê sua versão dos fatos e tenha preservada a sua integridade física. ContradiçõesO delegado também explicou que o irmão do investigado afirmou que vivia parede com parede com o casal, mas nunca ouviu nenhum tipo de briga. Disse que o casal vivia harmoniosamente, porém bebia constantemente. “A filha da vítima falou para mim que ela bebia socialmente, porém, depois que ela conheceu o namorado, começou a ingerir mais bebida alcoólica. Já os familiares dele, falaram que eles passavam dia e noite bebendo, que eles bebiam em demasia. Quase todo dia”, cita. Em contrapartida, a família de Cleonice nega essa harmonia. Ciúmes, brigas e ameaças foram relatadas por parentes para a Reportagem. Segundo o delegado, a versão apresentada pelas duas famílias são opostas. “O depoimento da filha é totalmente antagônico. Disse que ele era ciumento, obsessivo, que tirou o celular dela para ela não fazer contato com ninguém. Ele a ameaçava e chegou a ameaçar a filha da vítima, disse no depoimento. Então nós estamos apurando todas as hipóteses”, relata. O contraste das versões dificulta as investigações. “O caso está um pouco nebuloso, porque a certeza que nós temos é que ela faleceu em virtude do ferimento sofrido. Entretanto, agora nós temos que apurar as circunstâncias, se ela foi obrigada a fazer isso”, informa. “O irmão (do investigado) disse que, na última vez que ela foi socorrida, que já foi na madrugada do domingo, ela estava vestida, não tinha nenhuma mancha de sangue pelo rosto. Logicamente, estava com dor, mas não reclamou de nada”, afirma. Agora as investigações continuam para descobrir o que aconteceu na noite em que Cleonice teve o objeto introduzido. “Eu tenho que buscar a verdade do fato e para buscar a verdade do fato, eu tenho agora que ouvir mais pessoas. Quero ouvir os médicos que atenderam ela, os profissionais do Samu que foram na casa dela, para ver se mantiveram contato com ela, se ela estava tranquila”, conclui.