Cinco cachorros foram encontrados mortos após os bombeiros controlarem as chamas (Reprodução) A Polícia Civil identificou a dona da casa onde cinco cachorros foram encontrados mortos após um incêndio na tarde de segunda-feira (1º), em Praia Grande. A dona se trata de uma mulher de 59 anos, que foi vista pela última vez na manhã desta segunda. Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), um boletim de ocorrência do crime de ato de abuso a animais for registrado e, agora, a polícia busca pela proprietária do imóvel, localizado na Vila Caiçara e que abrigava mais de 30 cães. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em depoimento prestado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, familiares da mulher relataram que ela sofre com transtorno bipolar, o que causa alterações comportamentais. À Polícia Civil, os parentes dela relataram que ela gastava todo o dinheiro de sua aposentadoria com os cachorros, e que pediam que ela doasse os animais, o que não acontecia. Incêndio O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado por volta das 17h para atender a ocorrência, que aconteceu na Rua São Domingos, na Vila Caiçara. Segundo a corporação, durante o combate às chamas, foram encontrados os cinco animais já mortos, sem sinais de violência, e 32 vivos, os quais estavam aglomerados pela casa. Policiais militares, uma Organização Não Governamental (ONG) que atua na proteção de animais, duas médicas veterinárias e peritos também foram chamados ao local. Resgate e eutanásia Conforme o boletim, o portão da residência teve de ser arrombado para que o resgate dos animais pudesse ser feito. A responsável pela ONG se prontificou a ficar com a guarda de dois cães da raça Poodle. Os cachorros, contudo, foram diagnosticados posteriormente com cinomose, doença canina causada por vírus e que tem como sintomas comuns vômitos, diarreia e falta de apetite. Se não tratada, a doença pode levar à morte. Como os Poodles apresentavam um estágio terminal da doença e estavam em sofrimento, foi necessária a realização do procedimento de eutanásia em uma clínica veterinária para onde eles haviam sido levados. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, após a liberação do local pelos peritos, os corpos dos animais mortos foram recolhidos por servidores da Saúde Ambiental do Município para que sejam periciados e tenham a causa da morte esclarecida. Dos animais sobreviventes, um deles, da raça pequinês, foi adotado por uma vizinha. Para os 29 cachorros restantes, o boletim esclarece que não foi possível encontrar pessoas ou entidades capazes de acolhê-los, tanto pela alta quantidade de animais como também pelo risco de os animais estarem infectados com cinomose, doença que é transmissível. Dessa forma, os cachorros vão permanecer na casa, porém serão acompanhados por voluntários de um abrigo para animais, que se comprometeram a organizar um mutirão para que, periodicamente, façam visitas ao local para servir ração e água, além de avaliar o estado de saúde dos cães. A Prefeitura de Praia Grande foi questionada por A Tribuna se tomaria alguma providência com relação a este caso. Em nota, o Município ressaltou que os animais são de responsabilidade da família da tutora. Casa já foi alvo de reclamações Em maio, vizinhos reclamaram de maus tratos aos animais, além de mau cheiro e barulho na casa (Arquivo pessoal) A casa já havia sido alvo de reclamações, conforme noticiado por A Tribuna em 2 de maio deste ano. Os moradores denunciavam maus tratos aos animais, o barulho e a falta de limpeza do local, o que provocava mau cheiro. Na ocasião, a Reportagem procurou a Prefeitura de Praia Grande, que respondeu que a Equipe de Controle de População Animal do Município estava acompanhando o caso, tendo feito visitas ao local e constatado que ele era limpo diariamente pela protetora, e que os animais não sofriam maus tratos. O órgão acrescentou, na época, que foi disponibilizada a castração de todos os cães junto às clínicas credenciadas ao Município.Além disso, a Secretária de Saúde Ambiental do município esclareceu que a equipe só resgata animais que oferecem risco à saúde pública ou ordenados pelo Ministério Público.