As apurações apontam que a organização criminosa planejou o transporte ilegal de 2.359 quilos de cocaína em operações realizadas em 2020, envolvendo portos brasileiros e também da Espanha, Itália e Holanda (Divulgação) A Justiça Federal em Santos, no litoral de São Paulo, expediu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra investigados por envolvimento com organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína para países da Europa e da África. A decisão também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R\$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos vinculados aos investigados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As medidas fazem parte da Operação Narco Sky, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (2), como desdobramento da Operação Narco Vela. Segundo a PF, as investigações identificaram uma estrutura criminosa voltada ao transporte de carregamentos de drogas do Brasil para países europeus e africanos por meio de rotas marítimas internacionais. Cerca de 30 policiais federais participaram da ação, cumprindo os mandados expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará. De acordo com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), as investigações contaram com cooperação jurídica internacional e tiveram como base provas compartilhadas por autoridades francesas. Os dados foram obtidos a partir de servidores da plataforma de comunicação criptografada SKY ECC. Na decisão, a Justiça destacou que a plataforma teria sido amplamente utilizada pelos investigados para ocultar negociações relacionadas ao envio de carregamentos de cocaína para a Europa, utilizando sistemas avançados de criptografia para dificultar a interceptação e o rastreamento das comunicações por autoridades. As apurações apontam que a organização criminosa planejou o transporte ilegal de 2.359 quilos de cocaína em operações realizadas em 2020, envolvendo portos brasileiros e também da Espanha, Itália e Holanda. Divisão de funções Segundo a decisão judicial, as provas técnicas indicam que o grupo atuava com divisão estruturada de funções. Conforme descrito no processo, haveria um núcleo de direção e financiamento localizado fora do Brasil, responsável por fornecer recursos e tomar decisões estratégicas, além de um comando nacional encarregado da coordenação logística no território brasileiro. Já as células operacionais seriam responsáveis pelo preparo, armazenamento e movimentação da droga. A Justiça Federal também autorizou a inclusão de investigados na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização e captura internacional de pessoas procuradas, diante da existência de foragidos estrangeiros investigados por suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico.