[[legacy_image_104762]] Um documento da Polícia Federal (PF) indicou que foram encontrados mais de R\$ 70 mil em espécie dentro da residência do prefeito de Guarujá, Válter Suman (PSDB), durante a deflagração da Operação Nácar-19. O chefe do executivo é apontado como líder de uma organização criminosa que teria desviado mais de R\$ 109 milhões da área da Saúde. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Os itens apreendidos foram encontrados na residência do prefeito, localizado na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, próximo à orla de Guarujá. O processo corria em segredo de Justiça para não atrapalhar o curso das investigações. A deflagração da Operação Nácar-19 ocorreu na última quarta-feira (15), onde policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da prefeitura e em endereços ligados à Suman e também ao secretário municipal de Educação Marcelo Nicolau. Foram apreendidos R\$ 70.082 em espécie: - R\$ 26,6 mil no quarto de um dos filhos e em um cofre - R\$ 3.950,00 no quarto do casal - R\$ 34 mil no quarto de visitas - R\$ 1.930,00 no quarto do filho bebê - R\$ 2.102,00 no quarto de visitas - R\$ 1,5 mil no closet do casal Além do dinheiro, policiais federais encontraram dezenas de acessórios, como joias e demais objetos de valor, sendo eles: 9 piercings, 12 pingentes, 80 pares de brincos, 66 anéis, 53 pulseiras, 94 colares, 2 relógios e uma tornozeleira. As equipes da PF apreenderam ainda duas agendas, recibos bancários de aplicação, oito cheques de R\$ 5 mil, uma escritura pública de compra e venda de imóvel e documentos de compra e venda de imóveis. Dois celulares de Válter Suman foram apreendidos, além do aparelho da primeira dama, Edna Suman. Os policiais recolheram, ainda, três pendrives e dois veículos, sendo um carro de luxo e uma caminhonete. Na segunda-feira (20), dia em que reassumiu a cadeira como prefeito de Guarujá, Suman alegou em conversa com a imprensa que o dinheiro encontrado em endereços ligados a ele tem origem legal. [[legacy_image_104763]] Operação Nácar-19Válter Suman e Marcelo Nicolau foram presos pela Polícia Federal na quarta-feira, durante a Operação Nácar-19, que apura suposto esquema de desvios de dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao cumprir mandados de busca e apreensão, a PF encontrou joias e grande quantidade de dinheiro - cerca de R\$ 2 milhões - em endereços ligados a ambos. Foram pouco mais de R\$ 1,3 milhão de Nicolau, mais de R\$ 70 mil na casa do prefeito em Guarujá e outros R\$ 300 mil em um apartamento em seu nome, em Santos. Além disso, a PF apreendeu mais de R\$ 42 mil no gabinete do prefeito. Como a maior parte dos valores não teve origem comprovada, o prefeito e o secretário de Guarujá acabaram enquadrados nos crimes de ocultação de valores e lavagem de dinheiro. A Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R\$ 7 milhões em bens e valores dos envolvidos. O argumento utilizado pela defesa dos acusados foi a inexistência da demonstração de crime antecedente. Os advogados também alegam que parte do dinheiro que foi apreendido com o prefeito vem de outras atividades, e que as joias da esposa seriam presentes dos filhos. SolturaA soltura foi determinada às 23h46 de sexta-feira (17) pelo desembargador Mauricio Yukikazu Kato, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que concedeu liberdade provisória. O desembargador entendeu que “a privação da liberdade de locomoção dos investigados mostra-se excessiva”. A decisão permitiu que Suman volte ao cargo de prefeito em Guarujá. “Deixo de aplicar a suspensão do exercício do cargo de prefeito municipal de Guarujá, medida que interromperia o curso dos poderes que foram outorgados ao prefeito pela população”, destaca trecho da decisão. Kato também aponta que a prisão do prefeito de Guarujá “poderia implicar risco de grave lesão à ordem pública e ao pleno exercício da democracia, impedindo o exercício de cargo ao qual Válter Suman foi legitimamente eleito”. Medidas cautelaresO magistrado, porém, impôs medidas cautelares, como proibição de contato com outros investigados e comparecimento em juízo a cada dois meses, para informar e justificar suas atividades. Além disso, há a proibição de deixar o Estado de São Paulo por mais de cinco dias sem autorização da Justiça e de sair do País, com entrega de passaportes no prazo de 24 horas, a partir do cumprimento do alvará de soltura. Por meio de nota, a Prefeitura de Guarujá informou sobre a decisão e disse que Suman permanece com suas atividades como prefeito. [[legacy_image_104764]]