[[legacy_image_160411]] Policiais civis da 1ª delegacia do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos cumpriram oito mandados de busca a apreensão em São Vicente e Praia Grande, nesta quarta-feira (16), durante a deflagração da operação Conteiros 2. As investigações buscam identificar pessoas que cedem contas bancárias para receber dinheiro resultante de atividade criminosa praticada em ambiente eletrônico e são uma continuidade da operação Conteiros, deflagrada em setembro do ano passado em Guarujá. Cinco pessoas foram levadas para prestar depoimento e um farto material, que incluía hubs, modens, cartões bancários, celulares e documentos falsos, foi apreendido em uma casa em Praia Grande. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Essas pessoas cedem contas bancárias, principalmente de instituições financeiras que agem somente no mundo digital, para receber dinheiro oriundo de atividade criminosa, seja roubo, extorsão ou estelionato. As pessoas que emprestam as contas são tão responsáveis e estarão sujeitas também às reponsabilidades penais, à medida que tenham recebido dinheiro de atividade ilícita”, disse o delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, em coletiva no Palácio da Polícia, no Centro de Santos. Na semana passada, a Polícia Civil já havia encontrado, em São Vicente, uma central nos mesmos moldes da encontrada na operação desta sexta-feira, em Praia Grande. “Existiam diversos equipamentos eletrônicos que potencializavam o envio de mensagens via SMS de diversas operadoras de telefonia, que encaminhavam mensagens maliciosas para capturar informações protegidas das vítimas”, explicou Dias Júnior. Segundo o delegado, um computador “muito bem estruturado” era usado como um servidor para o escritório do crime. “Eles tinham hubs (equipamentos que conectam vários computadores em uma mesma rede local) que suportavam 80, 90 modens, cada um disparando centenas de SMS por minuto, aumentando o potencial das vítimas. Tinham 400, 500 modens e centenas, quem sabe, milhares de sim cards (chips) de várias operadoras”. Aliciamento nas redes sociaisMonitorada desde o ano passado, a quadrilha conseguia fazer vítimas de duas maneiras, segundo o delegado Leonardo Amorim Nunes Rivau. “O investigado montou uma central de phishing, técnica utilizada para obtenção dos dados das vítimas. Dali ele disparava diversos SMS e a vítima, clicando onde ele indicava, abria uma página falsa (da instituição bancária), onde ela acabava inserindo os seus dados. Eles (os golpistas) conseguem utilizar os dados bancários e senhas, seja vendendo os dados ou tomando posse do internet banking da vítima, que ficava atrelado a um telefone celular da quadrilha”. Cinco pessoas foram levadas para prestar depoimento, mas ninguém foi preso na operação. “Não houve prisão em flagrante justamente para dar continuidade às investigações e podermos alcançar o maior número de criminosos envolvidos. Uma das vítimas que se manifestou disse que teve prejuízo de R\$ 29 mil, mas o valor (movimentado pelos golpistas) é muito superior”, informou Rivau. De acordo com o delegado, boa parte dos conteiros são procurados pela quadrilha através das redes sociais. “Existem algumas páginas e grupos em plataformas de rede social destinados para isso. A gente requer que, à medida do possível, as empresas provedoras dessas redes sociais desliguem esses grupos, mas novos grupos são formados e eles conseguem aliciar as pessoas, oferecendo 10% ou 20% do valor que as pessoas repassam aos criminosos”. Os conteiros, que a princípio imaginam poder ganhar dinheiro fácil, responderão criminalmente da mesma maneira de quem comanda o golpe. “É muito importante que seja delimitada a responsabilização penal daquele que fornece a sua conta bancária para recebimento dos valores. Da mesma forma que o receptor fomenta o crime patrimonial, o conteiro fomenta o crime eletrônico. A polícia detém conhecimento e ferramenta tecnológica para identificar aqueles que, atrás dos computadores, acham-se protegidos para praticar esse tipo de crime”, alerta Dias Júnior.