[[legacy_image_267768]] Um simulacro de arma de fogo (arma falsa) foi encontrado nesta quinta-feira (18) na residência do cliente que ameaçou um entregador, ao cobrar por um pedido feito pelo iFood, cujo pagamento de R\$ 45,00 por meio do aplicativo havia sido cancelado. O caso aconteceu na noite de sexta-feira (12), no Marapé, e causou revolta aos trabalhadores da categoria, que fizeram manifestação na tarde de sábado (13), em frente ao prédio do cliente. [[legacy_image_267765]] Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Apreendido pela polícia durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, o simulacro foi encaminhado para a perícia. Também nesta quinta, o cliente foi ouvido na delegacia. Ele estava acompanhado de um advogado. "Pelo que nós observamos inicialmente, a arma apresentada não condiz com a que foi usada para a prática do crime", afirmou a delegada Débora Lázaro, em entrevista à TV Tribuna. Dias antes, o motoboy havia prestado depoimento. Vendo que o cliente estava armado na ocasião, ele também gravou a ação. Quando o homem percebe que está sendo gravado, guarda a arma e pega o celular. Além de aguardar o resultado da perícia, a Polícia também vai ouvir o proprietário do restaurante que recebeu o pedido. "E aí vamos fechar o caso, para encaminhar ao Poder Judiciário", emenda a delegada. O caso O motoboy Wilton Fergusun dos Santos Silva, 22 anos, contou que trabalha como entregador há cinco meses para uma lanchonete na Vila Mathias e que, na quinta-feira, foi entregar o pedido feito por meio do aplicativo. No histórico do iFood, é possível ver que o pedido foi feito às 23h39 e despachado às 23h54. Mas o aplicativo registrou a conclusão somente às 4h29. E às 4h40 o pedido foi cancelado e o pagamento devolvido. O motivo: “pedido não foi entregue”. “Eu entreguei para ele à 0h03”, afirma Wilton. No dia seguinte, Wilton voltou à casa do cliente cobrando o valor da compra (R\$ 45,00, por um lanche e um açaí), quando as ameaças aconteceram. “Ele falou que não tinha cancelado nada, que não ia descer, aí eu falei ‘então tá bom, vou chamar a polícia’. Aí desliguei o interfone e liguei para meu patrão. Enquanto estava falando com meu patrão, eu olho para trás e ele já estava na portaria, sacou a arma e começou a me ameaçar”, conta. Foi nesse momento que o motoboy começou a gravar o vídeo. “Antes disso, começou a falar ‘tu acha (sic) que eu tô brincando aqui, que eu vou me sujar por causa de R\$ 50,00? Olha o que eu tenho aqui’ e apontou a arma na minha cara”, afirma o motoboy. Nas imagens é possível o cliente com a arma para baixo. Depois dessa discussão, Wilton chamou a polícia. Quando chegou ao local, o homem já tinha voltado para o apartamento. Por telefone, a Polícia Militar (PM) informou para A Tribuna que, quando chegou ao local, falou com o homem acusado de ameaça. Para a PM, ele disse que teria o registro da arma, mas quando subiu ao apartamento para buscar os documentos, não voltou mais. Em nota, o iFood afirmou que repudia de forma veemente quaisquer atos de agressão física, ofensas ou manifestações de preconceito, assédio, bullying e incitação à violência a entregadores e entregadoras. "Por isso, após as evidências apresentadas, o cliente em questão foi banido definitivamente da plataforma. Esclarecemos que o entregador não é cadastrado na plataforma do iFood e atua diretamente com o restaurante que utiliza uma rede própria de entregadores para realizar o delivery". O iFood afirma que realizou contato com o estabelecimento, se colocando à disposição para realizar o acolhimento ao entregador, se necessário, além de prestar orientações sobre o registro de um boletim de ocorrência. "Ressaltamos que todos os clientes que tiverem esse tipo de atitude com entregadores serão automaticamente excluídos da plataforma, mesmo que ela ocorra fora do ambiente do iFood. A empresa não tolera esse tipo de comportamento" A empresa citou ainda que o pedido foi cancelado pelo cliente, que alegou atraso na entrega. A Tribuna entrou em contato com o cliente, que informou que o motoboy ameaçou invadir seu apartamento, alegando que ele não tinha feito o pagamento do pedido. No entanto, ele afirma que pagou e que não solicitou o cancelamento, mas isso ocorreu por erro da plataforma. Questionado sobre a arma, ele disse que todas as informações já foram entregues à Polícia Civil.