Polícia prende 275 suspeitos, recupera cargas e apreende 73 kg de drogas e até cobra

Com o objetivo de reprimir o crime organizado que atua na divisa entre São Paulo e o Paraná, cuja atividade atinge outras áreas de ambos os estados, foi deflagrada a Operação Divisas Integradas II

A Polícia Civil recuperou em cerca de 60 horas cargas avaliadas em aproximadamente R$ 1 milhão e cinco veículos de procedência criminosa. No mesmo período, prendeu 275 pessoas e apreendeu 73,4 quilos de drogas (maconha, cocaína e crack), 12 armas de fogo, mais de 100 mil maços de cigarro contrabandeados e até uma cobra.

Com o objetivo de reprimir o crime organizado que atua na divisa entre São Paulo e o Paraná, cuja atividade atinge outras áreas de ambos os estados, foi deflagrada a Operação Divisas Integradas II, entre terça-feira (15) e a manhã de quinta-feira (17). Participaram dela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Exército.

Foco de operação foi atuar na fronteira entre os estados (Foto: Divulgação)

“O foco da Divisas Integradas II foi a divisa entre Paraná e São Paulo, além das áreas atingidas pela criminalidade que atua ou passa pela fronteira desses estados. Daí, o motivo de o Vale do Ribeira e a Baixada Santista serem incluídos nessa operação”, explicou o chefe da Polícia Civil na região.Os números da Polícia Civil foram divulgados pelo delegado Manoel Gatto Neto, diretor do 6º Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-6), durante entrevista coletiva. A área do Deinter-6 abrange 24 municípios, entre Bertioga e Barra do Turvo, na divisa com o Paraná.

De acordo com Gatto, o Deinter-6 chegou a ser sede de uma reunião presencial com representantes de todas as instituições envolvidas na segunda etapa da operação. A Divisas Integradas I aconteceu na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, nos dias 7 e 8 de julho, e não contou com a participação do Deinter-6 em razão do critério geográfico.

Carga e contrabando

Os delegados seccionais de Santos, Itanhaém, Registro e Jacupiranga, respectivamente, Carlos Topfer Schneider, Carlos Henrique Fogolin de Souza, Flávio Ruiz Gastaldi e Ivan Agostinho da Silva também participaram da coletiva, bem como o delegado Renato Mazagão Júnior, da Divisão Especializada de Investigação Criminal de Santos (Deic).

Agostinho informou que a sua equipe descobriu, em Curitiba, um galpão usado para estocar cargas roubadas. “Já sabemos quem é o principal receptador, que não foi localizado, e identificamos seis vítimas”. Avaliados em cerca de R$ 1 milhão, os produtos recuperados são eletrônicos, peças automotivas, móveis e gêneros alimentícios.

Itens apreendidos durante a operação entre os estados de São Paulo e Paraná (Foto: Divulgação)

No âmbito da Seccional de Registro, ocorreram prisões de acusados de tráfico abastecidos com drogas que chegavam pela divisa com o Paraná. No Litoral Sul, o destaque foi a repressão ao contrabando de cigarro. “Apreendemos mais de 100 mil maços em nossa área e um homem foi preso em flagrante em Itanhaém”, revelou Fogolin.

Em relação às drogas retiradas de circulação (41,9 quilos de maconha, 30,9 quilos de cocaína e 575 gramas de crack, além de oito comprimidos de ecstasy e 62 litros de lança-perfume), boa parte (6,2 quilos) estava em uma palafita na Favela do Caranguejo, em Guarujá, conforme anunciou Schneider.
Ninguém estava no barraco, mas há pistas de quem seja o seu responsável. Nele havia cinco quilos de cocaína, 1,1 quilo de maconha, 45 gramas de crack, balança, cerca de 12.500 cápsulas destinadas ao acondicionamento de drogas, outros materiais relacionados ao tráfico e uma espingarda calibre 12 municiada com dois cartuchos.

Escritório do crime

Entre as 275 pessoas presas, 48 foram autuadas em flagrante e 227 já eram procuradas da Justiça. Também houve 17 apreensões de adolescentes infratores. A 1ª Delegacia de Investigações Criminais da Deic contribuiu para esses números capturando um casal em uma residência na Rua Alda Coli, em Praia Grande, segundo informou Mazagão.

Com o respaldo de ordem judicial, os policiais acharam na casa farto material destinado à falsificação de dinheiro e documentos públicos (RGs e CNHs) e particulares. O casal foi autuado em flagrante pelos crimes de moeda falsa, falsificação de documento e falsidade ideológica, porque também vendia celulares habilitados em nome de terceiros.

Cobra exótica

De acordo com Mazagão, outra equipe da 1ª Delegacia de Investigações Criminais, cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de um publicitário de 36 anos, morador na Rua Dr. Assis Corrêa, no Gonzaga, e se deparou com uma cobra da espécie norte-americana conhecida por corn snake (cobra do milho).

Cobra da espécie norte-americana conhecida por corn snake (cobra do milho) foi apreendida (Foto: Divulgação)

A investigação era sobre tráfico de droga, mas no imóvel havia apenas 20 gramas de maconha e apetrechos destinados ao consumo da erva. Porém, o que mais chamou a atenção foi a serpente exótica, que estava no quarto do publicitário. A Polícia Militar Ambiental foi acionada para dar a destinação adequada ao réptil.

A corn snake não é venenosa. Ela mata as suas presas por constrição e recebeu esse nome porque é vista com frequência em celeiros, onde roedores se alimentam do milho armazenado. Após a elaboração de termo circunstanciado (TC) sobre os crimes de posse de droga e introdução de espécie animal no País, o publicitário foi liberado.

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