O sargento da PM Samir Carvalho foi preso por matar a tiros e facadas a esposa Amanda Fernandes e balear a filha de 10 anos (Reprodução e Reprodução/Instagram) O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acatou o pedido da defesa para que o sargento Samir Carvalho, acusado de matar a esposa, a empresária Amanda Fernandes, com tiros e 51 punhaladas, seja submetido a um exame toxicológico. O pedido foi feito para comprovar a ingestão de calmantes por parte de Samir, sem seu consentimento. Em mensagens obtidas por A Tribuna, a vítima revelou a uma amiga ter dado calmante ao marido na véspera do crime. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime aconteceu no dia 7 de maio, em uma clínica localizada na Avenida Pinheiro Machado, no bairro Vila Belmiro. Samir foi preso em flagrante e a esposa teve a morte constatada no local. A filha do casal, de 10 anos, sofreu ferimentos e ficou internada por três dias. No último dia 22, foi realizada a reconstituição do crime. O advogado Paulo de Jesus, que representa Samir, solicitou à Justiça que o acusado fosse submetido ao exame toxicológico, o que foi aceito pelo juiz. Não foi definido, no entanto, um prazo para a realização do teste por enquanto. A defesa do sargento espera o resultado do exame para definir se irá utilizá-lo no processo. Denunciado O sargento Samir Rodrigues de Carvalho foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Caso a Justiça aceite a denúncia oferecida pelo órgão, o policial se tornará réu no processo. O MP pediu 70 anos de prisão e indenizações aos filhos de Amanda. Para o promotor Fábio Perez, do MP, o denunciado premeditou o crime, motivado por desentendimentos na relação amorosa. Ele destacou que Samir apresentava comportamento frio, grosseiro e violento, chegando a ameaçar e agredir fisicamente a mulher em outras ocasiões. O MP destacou que foi solicitada a condenação de Samir com as qualificadoras de meio cruel, perigo comum, dissimulação, recurso que impossibilitou a defesa e emprego de arma de fogo de uso restrito, além dos agravantes de crimes praticados contra mãe, na presença de descendente da vítima e contra sua própria descendente, menor de 14 anos. O promotor pediu pena mínima de 70 anos. Foi apresentado ainda pedido para fixação de indenização mínima de R\$ 100 mil para os herdeiros da mulher e de R\$ 50 mil para a vítima sobrevivente (a filha de 10 anos). Premeditado A princípio, conforme registrado em boletim de ocorrência, Samir revelou estar desarmado aos agentes da Polícia Militar (PM). A Polícia Civil também acreditava que ele teria pegado uma arma que estava em uma outra sala na clínica, assim como o punhal utilizado no crime. Na reconstituição, porém, foi revelado que Samir escondeu os armamentos nas calças para acessar o consultório, mostrando a intenção de cometer o assassinato. No local, ele teria discutido com Amanda na recepção momentos antes, e ela se abrigou na sala do médico. Ao entrar na sala, ela acionou a PM e ficou escondida com ajuda do médico, que bloqueou a porta com cadeiras. Assim que os policiais militares chegaram à clínica, abordaram Samir. No entanto, o promotor do MP disse que a perícia ainda não apontou se ele foi revistado. Após o médico abrir a sala em que as vítimas estavam, Samir sacou a arma e disparou três vezes contra Amanda. Ele ainda golpeou a mulher com 51 punhaladas. De acordo com o advogado da família, Claudino Vicente dos Santos, que também acompanhou a reconstituição, os PMs estavam a cerca de dois passos de Samir. Calmante A empresária Amanda Fernandes de Carvalho, de 42 anos, deu calmante ao marido um dia antes de ela ser assassinada por ele. É o que mostram as últimas conversas que a empresária teve com uma amiga e testemunha, às quais A Tribuna teve acesso. Em 7 de maio, Amanda foi assassinada pelo PM com 51 punhaladas em várias partes do corpo e três tiros na região do peito e do braço. Ela enviou a primeira mensagem pelo WhatsApp para a amiga às 7h49 do dia do crime. Na conversa, a vítima relatou que não aguentava mais o companheiro e questionou onde poderia denunciá-lo. A amiga respondeu quase duas horas depois, e Amanda confessou que havia dado calmante para Samir. Veja a conversa na íntegra: Quarta-feira, 7 de maio, 7h49. Amanda encaminha a primeira mensagem para a amiga: - Não aguento mais o Samir. Vou denunciar ele. Onde faço isso, amiga? 10 minutos depois Amanda insiste: - Onde denuncio ele? Às 8h45 Amanda afirma: - Tenho certeza que ele vai querer me bater hoje se não tentar me matar. Às 9h38 a amiga responde: - Bom dia amiga. Acordei com muita dor de estômago. Estava dormindo. Porque? O que ele falou? Amanda conta que deu calmante para o marido: - Coloquei metade do calmante ontem para ele tomar. Tá zonzo zonzo. - Hoje vou colocar o resto do vidro. Eu cansei. Falei que ninguém gosta dele porque ele é um cara amargo. Bruto. Os filhos não gostam dele, ele não tem amigos. Falou que não quer você em casa. Não quer que eu vá no centro. Que não vou sair pra lado nenhum. Ele quer me isolar do mundo. Às 11h57min a amiga comenta: - Você pode ir na corregedoria e na delegacia da mulher e pedir medida protetiva, mas já sabe que ele vai ficar louco. Amanda responde: - Onde é a corregedoria? Precisava denunciar anonimamente. Vou levar minha filha ao médico agora às 14h e às 18h vamos no cinema porque a escola fez o dia das mães no cinema. Fechou uma sala só para os alunos e vamos hoje. A amiga se oferece para falar com o Samir: - Você quer que eu chame ele para conversar? Amanda responde: - Não sei. Ele vai falar que fui chorar pra vc. A amiga diz: - Vou chamar ele Amanda fala: - Tá. Ele está em curso no batalhão, mas está respondendo mensagem. Na sequência Amanda comenta: - Ele fica buscando motivos pra brigar. Ele tá zonzo, falando mole, parece que tá bêbado. Me ligou aqui, me xingando. Ele tá ruim, quer saber porque traí ele. A amiga orienta: - Tenta fazer ele te ameaçar por mensagem e vai na delegacia. Amanda responde: - Ele tá falando no telefone A amiga diz: - Grava Amanda pergunta: - De que jeito? Ele fica falando que traí ele, que saí com outro homem, que fui no motel com meu carro. A amiga aconselha: - Fala que quer se separar. Vai na delegacia, faz uma denúncia, fala que ele está te ligando, que vai te matar. Amanda responde: - O que vai adiantar? Ele vai ser protegido Às 13h48 Amanda diz para a amiga: - Tenho que levar minha filha nesse médico e ele disse que vai junto. Você pode me encontrar lá e fingimos que você estava fazendo algum exame, qualquer coisa. Te mando o dinheiro do Uber e a gente se encontra na calçada. As 14h24 a amiga diz: - Já estou no Uber. Ele já chegou? Amanda responde: - Já. Ele está armado. Não responde mais porque vou sair do banheiro. Chama a polícia. Ele está me ameaçando aqui na frente da minha filha. Liga na corregedoria. Rápido amiga, por favor A amiga diz: - A polícia está a caminho. As 14h58 Amanda escreve: - A polícia não chegou e nem você. Minha filha está chorando. Cadê você amiga. Pelo amor de deus. Ele tá aqui atrás da gente. Às 15h01 a amiga fala: - Está aí Amanda afirma: - Não está. Cadê você amiga? Esse foi o fim da conversa entre Amanda e a amiga, antes de ela ser morta por Samir.