Os valores obtidos pelo PCC com os contratos seriam posteriormente divididos entre os envolvidos em Itanhaém (Prefeitura de Itanhaém/ Divulgação) A investigação que deu origem à Operação Vectura Corrupta identificou um suposto esquema para infiltrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de Itanhaém, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o grupo investigado pretendia direcionar licitações para favorecer empresas ligadas ao esquema, inclusive com interferências no andamento dos processos. Os valores obtidos com os contratos seriam posteriormente divididos. Parte seria destinada ao pagamento de vantagens indevidas e outra parcela à organização criminosa. Entre os elementos reunidos pela investigação estão mensagens trocadas por José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, apontados como laranjas e ligados à Translider, empresa do setor de transporte que atuou em Cubatão, na Baixada Santista. Em uma das conversas, José Daniel teria afirmado que se reuniria com José Ronaldo Alves de Sales e Eduardo Medeiros, investigados por suspeita de participação em procedimentos licitatórios e pela possível ligação entre o PCC e agentes políticos. Empresas de transporte A investigação também cita o empresário Paulo Siqueira Korek Farias, apontado pela Polícia Civil como responsável pela gestão da Translider mesmo após deixar oficialmente o quadro societário. Em um dos diálogos analisados, Korek teria tratado da venda de 63 ônibus da empresa por R\$ 1,26 milhão, com previsão de pagamento de comissões a José Daniel e outros envolvidos. Segundo a apuração, uma conta da A2 Transportes teria sido indicada para receber os valores. Para os investigadores, as conversas indicam divisão de tarefas, pagamento de comissões e uso de empresas do setor de transporte em negócios que teriam ligação com o PCC. A Justiça autorizou prisões temporárias, buscas e apreensões e o acesso a dados de aparelhos eletrônicos dos investigados. As medidas têm caráter cautelar e não representam conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos. Posicionamentos A reportagem de A Tribuna procurou a Prefeitura de Itanhaém para comentar os pontos citados na investigação, mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno. Não foi conseguido contato com as defesas dos demais investigados mencionados no texto. O espaço permanece aberto para manifestações.