Severino foi denunciado pelo Ministério Público (Reprodução) O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Severino Alves Pereira, de 56 anos, por feminicídio qualificado pela morte de Paula Santos da Silva, de 37 anos, ocorrida na noite de segunda-feira (13), no Centro de São Vicente, no litoral de São Paulo. Na denúncia, o promotor de Justiça Renato dos Santos Gama afirma que o pedreiro arquitetou o crime. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além do oferecimento da denúncia, o MP-SP pediu a manutenção da prisão preventiva do acusado e solicitou novas diligências para reforçar a investigação, entre elas a perícia no celular apreendido, a busca por novas imagens de câmeras de segurança e a juntada de laudos periciais e prontuários médicos da vítima. Segundo a denúncia, Severino matou Paula "por razões da condição do sexo feminino, no contexto de violência doméstica e familiar, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e por motivo torpe". Emboscada De acordo com o MP-SP, o crime foi premeditado. Conforme a denúncia, Severino foi até o Shopping Brisamar, onde Paula trabalhava, e perguntou ao porteiro se ela ainda estava no local. Após confirmar a informação, permaneceu do lado de fora aguardando a saída da vítima. Ainda segundo a Promotoria, quando Paula deixou o shopping, o acusado passou a segui-la discretamente até alcançá-la na Rua Jorge Tibiriçá, em um trecho escuro. "Assim que Paula saiu, Severino passou a persegui-la de forma insidiosa até encurralá-la em um trecho escuro da calçada", descreve a denúncia. O Ministério Público afirma que, de forma inesperada, o pedreiro sacou uma faca que mantinha escondida e desferiu diversos golpes contra o abdômen e o pescoço da vítima, regiões consideradas letais. Mesmo gravemente ferida, Paula ainda tentou caminhar em direção ao prédio onde morava, mas morreu antes de conseguir chegar ao local. Para a Promotoria, a perseguição e o ataque surpresa impossibilitaram qualquer reação da vítima. "O modo de agir do denunciado mitigou qualquer chance de reação por parte de Paula, haja vista que ela foi perseguida secretamente, abordada pela retaguarda e colhida de surpresa por golpes de uma arma branca que estava escondida", sustenta o documento. Ciúmes e sentimento de posse Na denúncia, o MP-SP afirma que o crime foi motivado pelo inconformismo do acusado com o fim do relacionamento. Segundo o promotor, a motivação foi um "sentimento de posse e ciúme desmedido", caracterizando motivo torpe. O órgão também destacou que Paula era mãe e responsável por uma criança, circunstância que agrava a pena prevista para o crime. Severino foi denunciado por feminicídio qualificado, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP-SP também pediu que a Justiça fixe um valor mínimo para reparação dos danos causados aos familiares. Posicionamento A defesa de Severino afirmou que ainda não foi intimada pela denúncia oferecida pelo Ministério Público. “Estamos sensibilizados com os fatos, acrescentando que todo acusado em Processo Criminal tem o direito à ampla defesa e contraditório. A defesa será apresentada no processo criminal e não irá fugir dos acontecimentos, posto que, o acusado confessou na Delegacia de Polícia”, disse o advogado Adriano Neves Lopes. O advogado afirma ainda que Severino não tinha passagem pela polícia por violência doméstica, mas que o homem já chegou a ser preso por não pagamento de pensão alimentícia. "Antes de ser preso (por não pagar pensão alimentícia), fizeram um boletim de ocorrência por abandono material e que sequer houve denúncia ou indiciamento. Ele nunca respondeu processo criminal ou sequer foi investigado por violência doméstica", sustenta Lopes. Relembre o caso Paula Santos da Silva, de 37 anos, foi morta na noite de segunda-feira (13), após ser atacada pelo ex-companheiro na Rua Jorge Tibiriçá, no Centro de São Vicente. Imagens de uma câmera de monitoramento obtidas por A Tribuna mostram a vítima pedindo ajuda após ser esfaqueada. A mulher ainda conseguiu caminhar por alguns metros até a entrada do prédio onde morava, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O homem foi preso em flagrante. O crime ocorreu por volta das 22h30 da última segunda-feira (13). Paula havia acabado de deixar o trabalho em um shopping no Centro da cidade da Baixada Santista, quando foi atacada pelo ex-companheiro com golpes de faca na região do abdômen. Vídeo mostra pedido de socorro As imagens mostram Paula caminhando com dificuldade após ser atingida. Ensanguentada, ela acena em direção ao outro lado da rua para pedir ajuda a pessoas que passavam pelo local. Mesmo ferida, a mulher ainda consegue seguir até a entrada do prédio onde morava, na Rua Frei Gaspar. -Veja o vídeo (1.521744) Conforme apurado por A Tribuna, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas a morte foi constatada no local por um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Crime foi registrado por câmeras Outras imagens de monitoramento obtidas por A Tribuna mostram o momento em que Severino persegue Paula logo após ela sair do trabalho. O homem corre atrás da vítima, a alcança na Rua Jorge Tibiriçá e, após uma breve conversa, desfere os golpes de faca antes de fugir. -Vídeo homem mata facadas ex São Vicente (1.521669) Prisão De acordo com o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, Severino confessou o crime na delegacia. Paula foi atingida por duas facadas, uma no abdômen e outra no pescoço, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no local. Severino foi preso em flagrante na Delegacia Sede de São Vicente por feminicídio mediante emboscada e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Ele permaneceu à disposição da Justiça. Pedreiro se apresentou como noivo A Tribuna também noticiou que o pedreiro tentou demonstrar comoção diante da família da vítima e chegou a se apresentar como noivo dela antes de ser identificado como autor do crime.