Nove integrantes do PCC foram presos em um mês em Itanhaém (Reprodução/ Polícia Civil) O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem sido alvo de uma série de ações da Polícia Civil no litoral sul de São Paulo. Apenas em março, nove integrantes da facção — entre eles uma “disciplina”, uma “sintonia final dos Estados” e quatro gerentes do tráfico — foram presos em Itanhaém, na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O delegado Bruno Lázaro, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), responsável pelas ações contra o PCC nessa região do litoral de São Paulo, afirma que a geografia da cidade e da Baixada Santista favorece a atuação da organização criminosa. “O crime organizado se instala nas nossas áreas por conta da geografia, com muita área de mata e extensão territorial, o que acaba favorecendo sua principal fonte de renda, que é o tráfico de drogas”. Lázaro destaca que o aumento das prisões está diretamente ligado à intensificação das investigações. “O combate às organizações criminosas é uma orientação da Secretaria da Segurança Pública. As delegacias especializadas e o Deinter-6 passaram a intensificar essas ações, com foco também na lavagem de capitais”. Segundo o delegado, o objetivo é atingir a estrutura responsável por aplicar punições internas e garantir o cumprimento do chamado “estatuto do crime”, além de enfraquecer o tráfico de drogas, principal fonte de financiamento do PCC. “A Baixada Santista concentra tanto o tráfico quanto a ramificação dessas estruturas criminosas. Nosso objetivo é intensificar o combate”. O delegado reforça que novas prisões devem ocorrer, porque mais alvos foram identificados. "Em breve, novas ações serão realizadas para desarticular esses tentáculos mais violentos do PCC, responsáveis por aplicar penas e gerenciar pontos de drogas”, acrescenta. Bruno Lázaro também rebate críticas de que as operações seriam ineficazes. “Não é ‘enxugar gelo’. Quando desarticulamos lideranças, a reorganização leva tempo, o que nos permite avançar e atingir outros níveis da estrutura criminosa”. Prisões Em março, nove integrantes do PCC foram presos em Itanhaém. Entre eles, uma mulher conhecida como “Pandora”, captura no dia 10, que exercia a função de disciplina, responsável por impor regras e punições no litoral sul de São Paulo e no Vale do Ribeira. No dia 11, um homem apontado como gerente do tráfico do PCC, conhecido como “RD”, foi preso em flagrante em uma “casa-bomba” com drogas, no bairro Sabaúna. A prisão ocorreu após investigações decorrentes da captura de “Pandora”, cujo celular levou os policiais até o local. Oito dias depois, um integrante do PCC conhecido como “Santista” e “Vampirinho”, de 31 anos, foi preso no bairro Santa Cruz com diversas porções de drogas. Segundo a Polícia Civil, ele ocupava a função de “sintonia final dos estados”, representando a facção fora de São Paulo e mantendo contato com integrantes em diferentes regiões do país. No dia 30, seis membros da organização — cinco homens e uma mulher — foram presos durante uma operação policial. Três deles ocupavam cargos de gerência no tráfico local do PCC. Durante a ação, foram apreendidas diversas porções de entorpecentes, algumas escondidas em tambores nas proximidades do Rio Itanhaém. Batizada de Operação Elos, a ofensiva foi realizada pela Dise com o objetivo de combater o tráfico no bairro Oásis. Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e seis prisões temporárias, com apoio de equipes de Itanhaém e Peruíbe.