Danilo Morgado foi preso em Praia Grande por ser investigado de participar de esquema criminoso associado ao PCC (Vanessa Rodrigues/ AT) Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam participado do financiamento da campanha de Danilo Morgado (PL) à Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, em 2024. É o que aponta a investigação da Polícia Civil, que prendeu o ex-candidato a prefeito e atual candidato a deputado estadual na manhã desta quinta-feira (17), em Praia Grande, durante a Operação Vectura Corrupta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna, outros três investigados foram presos na Baixada Santista durante a ação. Além de Morgado, outro suspeito foi detido em Praia Grande e um em Cubatão. A localização do quarto preso não foi divulgada. Segundo informações da TV Tribuna, a Polícia Civil suspeita que uma das campanhas de Morgado à Prefeitura de Praia Grande tenha recebido dinheiro do PCC. A investigação também aponta indícios de vínculo do candidato com integrantes da organização criminosa. De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), também são alvos de mandados de prisão o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), candidato a deputado federal nas eleições deste ano, um ex-servidor da Prefeitura que atuava na São Paulo Transporte (SPTrans) e três advogados. Milton Leite está com a prisão decretada, mas não foi localizado até o momento e é considerado foragido. Outro preso na operação é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. As buscas são realizadas em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Infiltração na política A investigação, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, identificou diferentes núcleos estratégicos de organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro e infiltração na política. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Até o momento, nove suspeitos foram presos. Segundo a Polícia Civil, a maioria dos alvos exerce função de liderança dentro do PCC. A ação conta com apoio do MPSP. A operação é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Na ocasião, os trabalhos revelaram uma rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes presos e em liberdade, com núcleos denominados “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar integrantes como candidatos nas eleições municipais. As investigações também identificaram a utilização de pelo menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros na Capital e no interior, com participação ativa de parte dos investigados. Há indícios de que os negócios eram usados para lavar dinheiro do crime. Também foi identificado envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições de 2024 e nas deste ano. Empresas de transporte Em 2024, o MPSP já havia identificado a presença do crime organizado em empresas de transporte da Capital paulista, o que levou à deflagração da Operação Fim da Linha, em abril daquele ano. As investigações são conduzidas pelo MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do ABC Paulista, e pela Dise de Mogi das Cruzes. A operação segue em andamento e mais detalhes devem ser divulgados ao término das buscas. Defesa Marcelo Viela Fernandez, advogado de Danilo Morgado, afirmou que, até o momento, não teve acesso aos autos do processo que fundamentou a prisão do candidato. Para a defesa, a circunstância é “extremamente grave” e compromete o pleno exercício do direito de defesa e a compreensão das imputações formuladas. Ainda de acordo com o defensor, Morgado passará por audiência de custódia nesta sexta-feira (18), quando serão analisadas as circunstâncias da prisão, conforme a legislação processual penal. A defesa afirma que Danilo Morgado nega “veementemente” qualquer vínculo com o PCC, bem como participação ou envolvimento com eventual financiamento ilegal de campanhas eleitorais. O advogado ressalta que a defesa não pretende antecipar juízos sobre fatos que ainda precisam ser esclarecidos. Segundo ele, elementos, circunstâncias e responsabilidades serão analisados no curso do processo, com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência. A defesa afirma ainda confiar que, "com o acesso integral aos autos e o regular desenvolvimento da persecução penal, será possível esclarecer os fatos e apresentar os elementos necessários à demonstração da versão de seu constituinte". Quem é Danilo Morgado Atual candidato a deputado estadual, Danilo Morgado concorreu à Prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024. Na última eleição, terminou em segundo lugar, com 30,9 mil votos, o equivalente a 18,57% dos votos totais. Em 2023, foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por abuso de poder econômico e divergências na prestação de documentos fiscais relacionados à campanha de 2020. Pela decisão, chegou a ficar inelegível até 2028. Em dezembro de 2023, porém, conseguiu suspender os efeitos da condenação. O TRE-SP informou para A Tribuna, nesta quinta-feira (17), que o registro de candidatura de Danilo Morgado foi julgado deferido e que a decisão transitou em julgado em 14 de setembro. Segundo o tribunal, questões concretas poderão ser apreciadas pela juíza ou juiz responsável em eventual ação própria. Não há possibilidade de emissão de juízo prévio pela Justiça Eleitoral. Mulher também foi alvo de ação Há duas semanas, outra operação foi realizada em Praia Grande, desta vez envolvendo a mulher de Danilo Morgado. De acordo com a TV Tribuna, Luciene Athaydes Morgado foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação Helmintos, que investiga a atuação de um grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado quase R\$ 1 bilhão na compra de imóveis de alto padrão, além da exploração de atividades econômicas em Praia Grande.