Gabriel Miceli (esq.), assessor da Secretaria de Meio Ambiente de Santos, se pronunciou após ter nome citado na Operação Contaminatio, da Polícia Civil (Reprodução/ Instagram e Divulgação/ SSP) O advogado Gabriel Miceli, assessor da Secretaria de Meio Ambiente de Santos, foi citado na Operação Contaminatio, realizada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (27) para combater a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em prefeituras do Estado de São Paulo. Em vídeos divulgados nas redes sociais, Miceli afirma que teve o nome "indevidamente veiculado" na investigação. A Prefeitura disse, por meio de nota, que não é alvo da operação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Administração Municipal afirmou que não possui qualquer relação, contrato ou parceria com a empresa investigada pela Polícia Civil - trata-se de uma fintech que estaria envolvida em lavagem de dinheiro dentro de prefeituras. Ainda conforme a nota, a Prefeitura disse que foi informada por Miceli sobre ele ter o nome citado na operação, "fato que ocorreu devido ao contato com um dos investigados após a participação em um curso de formação política". Por fim, a Prefeitura de Santos reiterou seu "compromisso inegociável" com a ética e a transparência na gestão pública, além de se colocar à disposição da Justiça para colaborar com o que for necessário durante as investigações. Esclarecimentos Através de vídeos publicados nos Stories do Instagram, Gabriel Miceli admitiu ter conhecido o ex-vereador de Santo André, Thiago Rocha de Paula (PSD), um dos presos na operação, durante encontro na Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps). Segundo divulgado pelo g1, o ex-parlamentar é apontado como articulador político do PCC. "Nossa relação se limitou a fazer parte dessa instituição. Nunca fomos amigos, mas recebi o Thiago uma vez no Parque Tecnológico de Santos, enquanto eu era diretor técnico, como era da minha atuação receber pessoas com ideias, empresas, iniciativas, que queriam ou não fazer alguma parceria", explicou Miceli, que dirigiu o Parque Tecnológico de 2021 a 2024. O advogado citou ainda que, na época, chegou a conhecer um livro do ex-vereador que abordava ações de inovação, e que não se lembra se Thiago Rocha apresentou a ele a fintech hoje investigada na Operação Contaminatio. "Daquela conversa, nada aconteceu, nada prosperou. O Parque Tecnológico não firmou nenhum contrato ou parceria com ele, a Administração Pública de Santos não firmou nenhuma parceria, e eu, pessoalmente e profissionalmente, não estabeleci nenhuma relação com o Thiago, tampouco com essa fintech", ressaltou Miceli. O assessor da Secretaria de Meio Ambiente de Santos acrescentou que já constituiu advogado no caso e que está à disposição da Justiça para esclarecer o ocorrido. Relembre o caso A Operação Contaminatio foi realizada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes nesta segunda (27). Seis mandados de prisão e outros 22 de busca e apreensão foram cumpridos nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná e Distrito Federal. Parte das ações ocorreu em Santos. A investigação indica que o grupo criminoso tentou inserir uma fintech criada pelo PCC para operar serviços financeiros de prefeituras, como a emissão de boletos e a gestão de receitas municipais. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), os presos não tinham mandato eletivo; eles eram indicações políticas. A Tribuna tentou contato com Gabriel Miceli, mas não obteve retorno. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Thiago Rocha. O espaço segue aberto para manifestações.