Vários casos associados ao PCC aconteceram recentemente em Praia Grande (Alexsander Ferraz/ AT, Daniel Rodrigues/ AT e Reprodução Polícia Civil) Praia Grande, no litoral de São Paulo, voltou ao centro de investigações sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista. Operações realizadas nos últimos meses resultaram em prisões e revelaram suspeitas de envolvimento de integrantes da facção em lavagem de dinheiro, atividades econômicas e financiamento político. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna reuniu alguns dos principais casos recentes que colocaram o município no foco das apurações contra o crime organizado. Candidato preso em operação Na última quinta-feira (17), Danilo Morgado (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e candidato a deputado estadual nas eleições deste ano, foi preso durante a Operação Vectura Corrupta. A investigação apura a infiltração do PCC no setor de transporte coletivo de São Paulo e possíveis conexões com empresários, políticos e advogados. Segundo as investigações, há indícios de que a facção tenha financiado a campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande em 2024. A operação também apura o uso de empresas de ônibus para lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas políticas. Na Baixada Santista, outros investigados também foram presos. As apurações avançam sobre possíveis vínculos entre integrantes da organização criminosa e diferentes setores econômicos. Suspeita de lavagem bilionária Outra frente de investigação chegou a Praia Grande no início de setembro. A Operação Helmintos mirou um grupo apontado pela Polícia Civil como responsável por um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e com movimentações estimadas em cerca de R\$ 1 bilhão. Dois procurados pela Justiça foram localizados em prédios de alto padrão no município. Um terceiro homem foi preso em flagrante durante o cumprimento dos mandados. Entre os investigados estão Anderson Roberto Braghine, o Fio, e Leonildo Marinho de Andrade, o Nenê, que foram presos. Alexander Miguel da Silva, conhecido como Gordão, e Ronaldo Yuzo Sekiya, o Japonês, permanecem foragidos. As investigações tiveram origem em apurações conduzidas pela Polícia Civil de Itanhaém após prisões de integrantes e lideranças do PCC no Litoral Sul de São Paulo. Segundo o delegado seccional de Itanhaém, Archimedes Cassão Veras, o avanço das investigações permitiu identificar um braço da facção voltado à movimentação e ocultação de recursos. “Através das investigações e informações, conseguimos chegar nesse braço da organização criminosa. Um braço até mais importante, que é um braço que movimenta um vulto maior de dinheiro, que consegue camuflar, que consegue enganar, não deixar transparente que aquela atividade deles, na verdade, faz parte do crime de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico”, afirmou. A Operação Helmintos havia alcançado pessoas ligadas ao núcleo familiar de Danilo Morgado. Assassinato de Ruy Ferraz Outro caso de grande repercussão ocorrido em Praia Grande foi o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, morto em 15 de setembro de 2025. Ruy Ferraz atuou por mais de 40 anos na Polícia Civil e teve papel de destaque em investigações contra o PCC. Quando foi assassinado, ocupava o cargo de secretário de Administração de Praia Grande. Segundo a investigação, ele sofreu uma emboscada após deixar a Prefeitura. O carro em que estava foi perseguido e atingido por diversos disparos de fuzil. Outras duas pessoas ficaram feridas. As forças de segurança mobilizaram equipes do DHPP, Deic e da Polícia Civil da região para identificar os envolvidos. A Polícia Civil concluiu o primeiro inquérito em novembro de 2025 e indiciou 12 pessoas por participação direta ou apoio logístico ao crime. Uma nova investigação foi aberta para tentar identificar os mandantes. Um ano depois do assassinato, os 12 suspeitos já haviam sido denunciados pelo Ministério Público. Três permanecem foragidos, enquanto as investigações ainda buscam esclarecer completamente quem ordenou a execução e a motivação do crime. A hipótese de vingança relacionada à atuação de Ruy Ferraz contra o PCC está entre as linhas consideradas ao longo das investigações, mas a autoria intelectual e a motivação do assassinato ainda são pontos centrais da apuração. Diferentes frentes Os casos mostram que as investigações relacionadas ao PCC em Praia Grande vão além do tráfico de drogas. As apurações recentes alcançam suspeitas de lavagem de dinheiro, participação em atividades econômicas, financiamento político e movimentação de grandes quantias. As operações também indicam uma estratégia das forças de segurança de seguir o fluxo financeiro da organização criminosa, na tentativa de atingir estruturas que dão sustentação às atividades do PCC.