O restaurante Rainha da Praça era conhecido no Centro de Santos (Arquivo AT) Há mais de 34 anos, um caso nas páginas de polícia do jornal A Tribuna chocou a população santista. O restaurante de chineses Rainha da Praça, que ficava na Praça dos Andradas, foi autuado, segundo a Secretaria de Higiene e Saúde (Sehig, na época), por estar preparando carne de cachorro para comercialização. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu no dia 6 de julho de 1990. Dois funcionários foram algemados e presos em flagrante e, por muitos anos, a história foi ecoada pelas ruas de Santos. Entretanto, o desfecho dela é pouco conhecido e balança o imaginário da população até hoje. Afinal, qual era o intuito da carne encontrada no local? Era para rechear os pastéis de carne? Conforme a primeira matéria publicada, uma denúncia anônima levou policiais militares até o local e eles flagraram parentes do dono do estabelecimento retirando os pelos de um cachorro morto para o preparo do prato. Em seguida, o restaurante foi fechado pela Prefeitura. Dois chineses, pai e primo do dono, foram indiciados por crueldade contra animais. Porém, na época, as leis brasileiras não eram tão rígidas sobre a violência contra animais domésticos. Ambos foram dispensados algumas horas depois, isentos do pagamento de fiança. O dono do Rainha da Praça negou a acusação e disse, na época, que a carne seria consumida pela própria família. À polícia, ele justificou que essa prática era comum na China e que desconhecia a proibição para abate e consumo de animais domésticos no Brasil. A família estava há oito anos no País. Taxistas que ficavam pela praça na época flagraram o crime e denunciaram o caso. Os policiais apuraram que o cão foi abatido a pauladas em praça pública, na frente do restaurante, e levado para dentro. Com um aparelho de barbear, os chineses tiraram os pelos e mergulharam o animal em uma bacia com água quente, para amaciar a carne. Nos fundos do restaurante, presos em um quarto, outros cinco cachorros foram encontrados e presumia-se que teriam o mesmo destino. O dono também negou essa teoria, afirmando que os mantinha no local com pena de deixá-los na rua. Além disso, o chinês garantiu que seria a primeira vez que a família comeria essa carne desde que chegaram ao Brasil. Durante as prisões, muitas pessoas se acumularam e geraram tumulto na cena. Parte delas estava almoçando no estabelecimento ou degustando os pastéis que vendiam no restaurante. A indignação foi tanta que, na época, uma mulher disse que sentiu diferença no sabor da carne deles, que estava muito salgada e com sabor estranho. A carne encontrada nos freezers do Rainha da Praça foram apreendidas e enviadas ao Instituto Adolpho Lutz, renomado laboratório de análises, para confirmar se havia carne de cachorro entre as amostras. Poucos dias depois, a Justiça permitiu a reabertura do local por meio de uma liminar e o dono preparou o espaço aguardando pelo retorno da freguesia. Porém, os motoristas das peruas de lotação que viviam em frente ao Rainha da Praça disseram à reportagem da época que o restaurante ficou ‘às moscas’. Pessoas que passavam na frente ainda imitavam cachorros. Posteriormente, a Prefeitura de Santos retornou à Justiça e conseguiu novamente o fechamento do restaurante. Amplamente divulgado, o caso tomou o imaginário da população e revoltou os fregueses do estabelecimento. Entretanto, a carne apreendida nos freezers e periciada não tinha indício de cachorros, de acordo com o delegado da Delegacia Seccional de Santos Rubens Barazal, que conduziu o caso na época. “Fomos para o local, fizemos uma ocorrência e pedimos a perícia da carne que estava armazenada na geladeira, mas não teria acusado que era carne de cachorro. Não ficou realmente comprovado que era de cachorro o que estava na geladeira (para ser comercializado)”, relembrou o delegado. Barazal ressaltou que, na época, não houve comprovação de que a carne de cachorro era comercializada. “É aquela situação. Você não sabe se também eles (os donos) iam pegar a carne para, em um momento seguinte, colocar para venda também. Não existe uma comprovação, mas também não era difícil o camarada abater o cachorro, pegar a carne e colocar ali.”