[[legacy_image_316839]] Uma partida de futsal válida por um torneio organizado pela prefeitura terminou em uma confusão motivada por ofensas de cunho racista. O caso aconteceu no ginásio Arthurzão, localizado na Vila Atlântica, em Mongaguá, Litoral de São Paulo, na noite do último sábado (2). (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O atleta Gustavo Vintecinco, de 28 anos, conta que os xingamentos foram ditos após a derrota do time que atua em um jogo da Copa Inter Empresas, realizada pela Diretoria de Esportes, Lazer e Juventude de Mongaguá. Na ocasião, Vintecinco, que estava suspenso por cartão amarelo, participava de uma transmissão da partida pela internet como comentarista. Ao final do jogo, um torcedor da equipe adversária foi em sua direção, nas arquibancadas do ginásio, e iniciou as ofensas. “Ele foi na minha frente, me chamou de gorila e imitou macaco umas três vezes”, conta. Segundo uma testemunha do ocorrido ouvida pela reportagem de A Tribuna, houve um princípio de confusão, e o suspeito precisou correr para o vestiário a fim de fugir de torcedores revoltados. A Polícia Militar (PM) foi acionada, e os envolvidos foram levados à Delegacia de Polícia de Mongaguá, onde prestaram depoimento. O caso foi registrado como Preconceito de Raça ou Cor. Aos policiais, a vítima disse que, na semana anterior, havia atuado pelo torneio e, após fazer gols, comemorou abrindo os braços e estufando o peito. Conforme o boletim de ocorrência, o suspeito não só teria feito um gesto similar, mas também teria dito “Comemora agora, seu ‘gorilão’”. À Reportagem, Vintecinco disse que, após as ofensas, manteve a calma até terminar a live da qual fazia parte. “Quando o jogo acabou, fui tirar satisfação, porque o sentimento é de revolta. Em pleno 2023 uma pessoa usar a cor da pele para ofender é revoltante”, desabafa o atleta. Outro ladoProcurado, o suspeito, um vendedor de 27 anos de idade que joga o torneio por outra equipe, afirmou estar abalado com o ocorrido. “Tudo isso que está acontecendo é uma injustiça. Todos que me conhecem em Mongaguá sabem que eu jamais seria capaz de falar tal coisa”. Aos policiais, de acordo com o boletim de ocorrência, ele contou apenas ter imitado a comemoração de Vintecinco como forma de provocação. Ainda segundo o suspeito, não houve intenção de imitar um macaco, mas sim o craque português Cristiano Ronaldo. Ele também negou ter xingado o atleta. “No jogo retrasado, que a equipe dele jogou contra a nossa, ele fez quatro gols e eles ganharam. Toda vez que marcava, ele fazia a comemoração nesse formato, como o Cristiano Ronaldo, e tratando nossa equipe e torcida com desprezo”, disse o vendedor à Reportagem. “Nesse dia, a equipe dele foi eliminada também, e fui com um colega para a 'resenha' que sempre teve”, emenda. Em um registro feito por uma testemunha do ocorrido, é possível ver o momento em que o acusado faz o gesto que gerou a polêmica. Questionado sobre o conteúdo do vídeo, ele se defendeu. “O vídeo me mostra fazendo o gesto que o Cristiano Ronaldo faz com os dedos para baixo, e depois fiz o gesto de ‘fala muito’”, afirma. “Nesse mesmo vídeo, também é possível ver que não tem nenhuma das três mulheres que testemunharam em favor dele, dizendo que proferi as palavras”, completa. O que diz a PrefeituraEm nota, a Prefeitura de Mongaguá afirmou que “repudia quaisquer atos de natureza discriminatória em qualquer âmbito da sociedade”, e que vai tomar providências para que casos como este não se repitam no futuro. Segundo o comunicado, o relatório do árbitro foi recebido pela prefeitura nesta segunda-feira (4). Conforme a Administração Municipal, o processo foi despachado para a Comissão Disciplinar da Diretoria de Esportes de Mongaguá, que realizará os procedimentos cabíveis com base no Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Em relação ao torneio, a Prefeitura de Mongaguá informou que, como o caso aconteceu na arquibancada e não envolveu as equipes presentes na disputa, não haverá alterações na competição ou punições aos times participantes.