Mulher sofreu um corte no ombro esquerdo; parte da casa foi destruída em Praia Grande (Reprodução) Uma mulher, de 44 anos, ficou ferida e sofreu um corte no ombro após parte de uma obra desabar sobre sua casa durante uma forte ventania, na manhã desta quarta-feira (22), no bairro Aviação, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Conforme apurado por A Tribuna, pelo menos três imóveis foram atingidos pelos destroços. A Polícia Civil investigará o caso. Parte da obra foi interditada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O acidente aconteceu por volta das 9 horas, na Rua Carlos José Borstens. Segundo a Prefeitura, equipes da Defesa Civil e fiscais da Secretaria de Urbanismo (Seurb) foram ao local para realizar vistorias técnicas. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil. Conforme o documento, policiais militares foram acionados pelo Centro de Operações da PM (Copom) para atender ocorrência de pessoa ferida. No local, foi constatado que parte de estrutura de uma obra havia desabado sobre um imóvel residencial. A vítima já havia sido socorrida e levada para o Pronto-Socorro (PS) Central. No hospital, foi constatado que a mulher tinha escoriações e um corte no ombro esquerdo. Após receber atendimento médico, ela foi liberada com receita e orientações. Vítima Em depoimento, a mulher contou que estava na cozinha de casa quando ouviu um forte estrondo e foi surpreendida pelo desmoronamento de parte da estrutura de uma obra localizada nos fundos do imóvel. Ela foi atingida pelos destroços e pediu socorro. Segundo o relato, seus filhos, que moram em casas na parte frontal do terreno, a retiraram dos escombros e providenciaram o encaminhamento para atendimento médico. No local, os policiais constataram que parte da residência havia sido destruída. A cozinha, o telhado, móveis e outros elementos estruturais foram atingidos, deixando a casa coberta por destroços. A área foi isolada para a realização de perícia. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, funcionários da obra entraram na residência atingida antes da chegada da equipe policial e removeram parte dos escombros sem autorização da proprietária. A movimentação foi interrompida após orientação da Polícia Militar para preservar o local. Posteriormente, um encarregado de obras da construtora se apresentou na delegacia e afirmou que não estava no momento do acidente. Segundo ele, um funcionário informou que o muro do mezanino, localizado na parte posterior da obra, havia desabado após uma forte rajada de vento. O homem declarou que o muro de alvenaria tinha aproximadamente 1,20 metro de altura por 12 metros de comprimento. A estrutura havia sido erguida no dia anterior e ainda estava em fase de execução, com previsão de conclusão parcial das colunas estruturais nesta quarta-feira (22). Segundo o encarregado, houve uma alteração climática súbita, acompanhada de ventos intensos, e o muro recém-construído teria cedido repentinamente. A estrutura atingiu uma bandeja de proteção da obra e residências vizinhas localizadas nos fundos do empreendimento. O homem afirmou que, ao chegar ao local, soube que uma moradora havia se ferido e que o resgate já havia sido acionado. Também declarou que a empresa fornece regularmente equipamentos de proteção individual (EPIs) aos trabalhadores e que, conforme sua avaliação, não havia exigência de instalação de tela de proteção naquela etapa da construção. O encarregado relatou ainda que permaneceu no local e, a pedido dos filhos da vítima, ajudou a retirar pássaros de criação que estariam sob os escombros. Ele afirmou que iniciou a remoção de parte do entulho com outras pessoas, mas interrompeu a atividade assim que a Polícia Militar chegou e determinou a preservação do local para a perícia. Investigação A ocorrência foi registrada e o local foi preservado para a realização dos exames periciais necessários à apuração das causas do desmoronamento e de eventual responsabilidade dos envolvidos. A perícia foi acionada e compareceu no endereço. A investigação apontou, inicialmente, a ocorrência de um desmoronamento de estrutura de uma obra em execução, com danos materiais em imóveis vizinhos e lesões corporais na moradora. Segundo o boletim de ocorrência, os elementos reunidos ainda não são suficientes para "individualizar eventual responsabilidade penal". Ainda existem divergências sobre a dinâmica e as causas do acidente, incluindo a alegação de que o muro teria desabado em razão de uma súbita e intensa rajada de vento. A definição sobre eventual negligência, imprudência, imperícia ou descumprimento de normas técnicas depende da conclusão da perícia. O laudo deverá esclarecer as causas do desmoronamento, a regularidade da execução da obra, o estágio construtivo da estrutura, a adequação dos métodos empregados e eventual relação entre a conduta dos responsáveis pela construção e os danos provocados. As investigações prosseguirão após a elaboração do laudo pericial. Com base nos resultados, a autoridade policial poderá reavaliar os elementos de autoria e materialidade e deliberar sobre eventual responsabilização criminal dos envolvidos. Também foi determinada a expedição de ofício ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para ciência dos fatos e adoção das providências cabíveis. Prefeitura De acordo com a Prefeitura, a Defesa Civil de Praia Grande e fiscais da Secretaria de Urbanismo foram comunicados sobre a ocorrência e realizaram vistorias técnicas na obra e na residência da mulher atingida. Inicialmente, a Defesa Civil constatou que o material caiu em razão dos fortes ventos registrados durante a manhã, danificando três imóveis. O órgão interditou parcialmente a obra, que, segundo a Seurb, possui alvará de execução. A moradora recebeu atendimento no PS Central e foi avaliada por um traumatologista. Ela passou por sutura no ombro esquerdo e recebeu alta posteriormente. Construtora O advogado Gonçalo Menezes, que representa a construtora, afirmou que o acidente ocorreu durante uma situação de ventos fortes e foi provocado por uma “intempérie excepcional”. Em nota, a defesa afirmou que a empresa recebe “com a máxima seriedade e preocupação” os relatos registrados no boletim de ocorrência e qualquer evento que envolva a integridade física de terceiros. A construtora também declarou que mantém compromisso com a segurança das obras, a observância das normas técnicas e o respeito à comunidade do entorno de seus empreendimentos. Segundo o advogado, a previsibilidade e a prevenção do incidente “extrapolam os parâmetros ordinários de controle técnico e de segurança exigíveis”. A empresa declarou ainda que a obra é executada em observância às normas de segurança do trabalho e às exigências municipais, com acompanhamento técnico especializado. A construtora também manifestou solidariedade às vítimas e afirmou estar à disposição para prestar todo o apoio necessário, incluindo suporte médico, psicológico, material e jurídico, independentemente da conclusão das apurações.