João Pedro Santos Alves já havia sido preso dois dias antes de a filha morrer na UTI da Santa Casa de Santos (Reprodução) A Justiça decretou a prisão preventiva de João Pedro Santos Alves, investigado pela morte da filha, de 4 meses, em Santos, no litoral de São Paulo. Agora, o homem é considerado foragido pela polícia. Ele é acusado de agredir e causar graves lesões no crânio da bebê, segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme noticiado por A Tribuna, a criança morreu em 25 de agosto deste ano, após passar dois dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos, por conta de um ferimento grave na cabeça. Na época, o pai foi preso em flagrante pelo crime dois dias antes de a filha falecer, mas acabou liberado após passar por audiência de custódia. A decisão que manteve a prisão de João aconteceu no último dia 15. A Tribuna teve acesso à sentença, na qual consta que a juíza da Vara do Júri e de Execuções de Santos, Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia, recebeu a denúncia apresentada pelo MP-SP contra João Pedro Santos Alves, no âmbito de um inquérito policial decorrente de violência doméstica. Na decisão, a magistrada afirma que havia “prova da existência do(s) crime(s) e indícios da autoria”, elementos que, segundo ela, justificaram o recebimento da denúncia e o prosseguimento da ação penal. Outro ponto determinado pela juíza foi a manutenção da prisão preventiva que já havia sido decretada para o acusado. A magistrada afirmou que os elementos reunidos no processo eram suficientes, naquele momento, para reconhecer a existência de indícios de crime e de autoria. A juíza também determinou a requisição da folha de antecedentes do acusado, de eventuais certidões relativas a processos nela registrados e de possíveis laudos que ainda estejam faltando. Defesa Alex Ochsendof, que representa a defesa de João, disse que provará a inocência do cliente, analisando todo o conjunto probatório, especialmente as provas periciais. Neste momento, o advogado está aguardando a intimação da Justiça para apresentar a primeira defesa que a lei determina. “João Pedro alega inocência sobre todos os fatos atribuídos, se colocou à disposição da investigação para auxiliar na busca da verdade, mas teve um mandado de prisão expedido de forma indevida, pela ótica da sua defesa técnica”, finalizou o defensor. Relembre o caso A bebê, de 4 meses, morreu após passar dois dias internada na UTI da Santa Casa de Santos. O pai foi preso em flagrante pelo crime, mas acabou liberado após passar por audiência de custódia. A Polícia Civil investiga o caso. Na época, a Polícia Militar (PM) foi acionada por um médico do hospital. Ao chegarem ao local, os policiais foram atendidos por um enfermeiro, que relatou que a criança estava em estado grave e que as informações fornecidas pelos pais durante a triagem não eram condizentes com as lesões e a gravidade do quadro. O médico disse aos policiais que a bebê estava internada na UTI, em estado grave, entubada e em coma induzido. Os agentes conversaram com os pais, que estavam no hospital. A mãe relatou que estava dormindo e foi acordada pelo avô paterno, que havia chegado na residência. Enquanto atendia o avô, o companheiro a chamou porque a filha estava chorando muito. Segundo o relato, ele teria escutado o barulho de uma queda e, em seguida, silêncio. A mulher contou ainda que o avô paterno reside na parte de cima da casa, enquanto o casal mora nos fundos. Para chamá-la, o companheiro teria deixado a criança sozinha, mas retornado logo depois. Ao ouvir o barulho, ele teria encontrado a bebê caída no chão e desacordada, enquanto o carrinho onde a filha estava havia tombado. Os pais chamaram o avô materno e levaram a menina, bastante sonolenta, ao pronto-socorro. O pai confirmou essa versão dos fatos inicialmente. Versão diferente do pai Na delegacia, porém, o homem contou que a filha havia, na verdade, caído de seu colo e que, ao tentar segurá-la, acabou empurrando-a. A bebê bateu a cabeça violentamente no chão. Ele afirmou que omitiu a verdade por receio de que a companheira brigasse por ter deixado a criança cair. Sobre os hematomas anteriores encontrados na menina, disse que seriam resultado de “brincadeiras de mau gosto”, mas não deu outras explicações. A mãe da vítima também foi ouvida e, a princípio, não desconfiou da versão apresentada pelo pai. No entanto, após tentar conferir a dinâmica relatada por ele e diante da gravidade da lesão sofrida pela bebê, entendeu que se tratava de uma situação mais grave do que a narrada. A mulher apresentou à polícia prints de conversas anteriores nas quais questionava sobre hematomas encontrados na criança em outras datas. Segundo o relato, ela não teria presenciado como essas lesões ocorreram. Diante dos fatos, a autoridade policial compareceu à UTI Pediátrica da Santa Casa de Santos e, em contato com o médico responsável e o enfermeiro, verificou que a versão apresentada pelo pai não era compatível com a gravidade do quadro clínico da criança, que estava em estado gravíssimo. Em conversas separadas com os pais, a mãe demonstrou não ter conhecimento real sobre como o episódio teria ocorrido, pois não estava no local no momento. Já o pai insistia em uma versão considerada insustentável diante das lesões apresentadas pela bebê. Os dois foram conduzidos à delegacia. A mãe acompanhou a autoridade policial e um investigador até a residência da família, onde também foi solicitada a realização de perícia técnica. Após análise do caso, o pai foi preso em flagrante. Ele foi autuado por lesão corporal contra menores e por maus-tratos, por expor a perigo a vida da filha, de 4 meses de idade. O homem foi encaminhado à prisão após as formalidades de praxe, mas, posteriormente, foi liberado após passar por audiência de custódia. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos investiga o caso.