[[legacy_image_358270]] O pai do soldado Luca Angerami, de 21 anos, cujo corpo foi encontrado na segunda-feira (20) próximo à Vila Baiana, em Guarujá, Litoral de São Paulo, Renzo Angerami, conta as horas para se despedir de quem “é luz”, como define. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, ele admite que, até o último instante, nutria uma esperança pelo retorno com vida do filho, embora entendesse, até pela experiência profissional, como algo muito difícil. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Você fica com aquela coisa de não ter o corpo, mas serviu para algo. Nesses 30 e tantos dias: para ver o que algumas pessoas sentem. Tem gente há anos à espera. Eu nunca pensei nessas pessoas e, hoje, elas têm as minhas orações, a minha atenção. São uma fatia de pessoas que sofre demais. Serviu para eu ver um pequeno pedaço do sentimento dessas pessoas. Haverá sempre 1% de esperança. Eu sou policial, mas aquele 1% havia, de que o Luca viesse vivo, no meu sonho mais bonito”, descreve. "Sou pai, e essa esperança sempre houve". O encontro do corpo “para o fechamento de um ciclo”, como descreve o pai do soldado Luca, foi uma obra de Deus, amparada no trabalho de muitos agentes. “Poder chorar o corpo, que pedi tanto, foi Deus que me deu isso. As pessoas que se dedicaram a isso, os policiais que trabalharam tanto para dar essa dignidade. Que eu possa fazer uma digna homenagem ao meu filho, como todo mundo faz com seus entes queridos. O Luca é luz”. Renzo explica que a espera pelo desfecho do caso, com o encontro de outras ossadas naquele espaço, também vai oferecer paz a mais famílias. “Independentemente de quem seja, sempre por trás dessas ossadas, existem famílias. E o cara pode até ser um criminoso, à margem da lei, mas as famílias são necessariamente criminosas? Não. Tem um monte de gente boa, sabemos disso. Quantas mãezinhas vão poder ter paz, como eu vou ter”, descreve. MobilizaçãoRenzo Angerami acredita que a mobilização em torno da morte de seu filho pode gerar um debate sobre o quadro atual de violência nas grandes cidades. Ele acredita que uma discussão ampla com os diversos segmentos da sociedade, e a atuação efetiva dos legisladores, podem ajudar a mudar o panorama. “Alguma coisa está errada. As pessoas devem repensar a sociedade como um todo. Ou sentar todo mundo à mesma mesa, porque tem mesa que o cidadão mais humilde, por exemplo, não se senta. Esse workshop tem que ter todas as fatias. Está na hora de não só noticiar, mas “Vamos pra cima”. Porque tá cansando. Não é por causa só do meu filho. Acontece todo dia, e de diversas maneiras. Precisamos tocar o coração de alguém. É preciso legislar. Tem bancada de tanta coisa, vamos criar a bancada dos “no limite””, sustenta. O casoLuca estava desaparecido desde o dia 14 de abril, quando foi visto pela última vez, em uma adega na comunidade Santo Antônio, também em Guarujá. O carro dele foi encontrado abandonado na Rodovia Cônego Domênico Rangoni e, desde então, a polícia estava em busca de seu paradeiro. Desde o desaparecimento, outros oito corpos foram encontrados, também enterrados em áreas livres. O corpo foi enrolado em uma lona, já em estado de decomposição, reconhecido devido às tatuagens. O delegado da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), Fabiano Barbeiro, disse que houve outros crimes associados. “Além do homicídio, houve sequestro, cárcere privado e tortura. Esse policial militar foi submetido ao chamado tribunal do crime”, afirmou o delegado.