O padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, foi preso em Praia Grande na noite desta sexta-feira (4) (Reprodução) O padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, preso na noite de sexta-feira (4) em Praia Grande, no litoral de São Paulo, por ser investigado por estupro de vulnerável, já havia sido condenado pelo mesmo crime há cerca de 20 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna, o religioso foi condenado a 12 anos de reclusão, em regime fechado, acusado de abusar sexualmente de uma menina de 10 anos, em Franca, no interior de São Paulo. O crime ocorreu no início de 2006. Na época, o padre integrava a Diocese de Santo Amaro, na Capital, e visitava a mãe na cidade. Nesta sexta-feira (4), Jucelino foi preso em cumprimento a um mandado expedido pela 2ª Vara Criminal de Praia Grande, na Baixada Santista. A prisão temporária foi decretada por 30 dias, após manifestação favorável do Ministério Público. A decisão também determinou medidas protetivas de urgência relacionadas ao caso. O padre está proibido de se aproximar a menos de 300 metros das pessoas protegidas pela decisão, de seus familiares e de testemunhas. Também não pode manter contato, direta ou indiretamente, por telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais, e-mail ou por meio de terceiros com essas pessoas. A decisão ainda impede o investigado de frequentar locais habitualmente frequentados pelas pessoas protegidas, incluindo residência, local de estudo e eventual endereço de trabalho. As medidas continuam válidas mesmo após o fim da prisão temporária, até nova decisão judicial. Denúncias Jucelino celebrava missas em igrejas de Praia Grande, entre elas a de São João Batista, no bairro Solemar. Nas redes sociais, há registros das celebrações e da participação de coroinhas nas atividades. Dois deles, uma jovem de 19 anos e um rapaz de 18 denunciaram o religioso. Jucelino de Oliveira foi ordenado padre em 2004. Desde 2020, é responsável pela administração de um espaço utilizado para retiros e encontros religiosos. Diocese A Diocese de Santos informou, em nota, que tomou conhecimento, na sexta-feira, do cumprimento do mandado de prisão temporária do padre. "Confiamos no trabalho da Justiça para o esclarecimento dos fatos e reafirmamos que as providências canônicas cabíveis serão tomadas", afirmou. Defesa Em nota, o advogado João Paulo Silva Rocha, que representa o padre Jucelino, afirmou que a prisão possui "natureza temporária e exclusivamente cautelar", acrescentando que a medida "não representa condenação, nem autoriza qualquer conclusão antecipada". A defesa afirmou que, até o momento, não teve acesso integral à representação policial, ao parecer do Ministério Público e aos fundamentos completos da decisão. Na audiência de custódia, foi requerida a revogação da prisão e sua substituição pelas medidas cautelares já determinadas, prosseguindo a defesa na adoção das providências judiciais cabíveis. O advogado manifestou ainda absoluto respeito a todas as pessoas envolvidas, e "confia que os fatos serão apurados com rigor, serenidade e observância das garantias legais. Solicita-se, portanto, responsabilidade na divulgação das informações, preservando-se a dignidade dos envolvidos, a presunção de inocência e evitando-se qualquer forma de prejulgamento público".