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Sexta-feira

17 de Janeiro de 2020

Padre acusado de estupro em Guarujá permanecerá preso até julgamento

Decisão é do juiz Rafael da Cruz Gouveia Linardi, do plantão do Fórum de Santos, que converteu em preventiva a prisão em flagrante de Anderson de Moraes Domingues, de 43 anos

O juiz Rafael da Cruz Gouveia Linardi, do plantão do Fórum de Santos, converteu em preventiva a prisão em flagrante do padre Anderson de Moraes Domingues, de 43 anos.

“O modus operandi revela padrão de comportamento compulsivo, que traz como consequência o risco à ordem pública, dada a possibilidade de reiteração criminosa, especialmente por envolver vítimas de clara e evidente vulnerabilidade”, justificou o juiz.

Isso significa que o religioso permanecerá preso até o julgamento, a menos que obtenha liberdade provisória por meio de eventual habeas corpus.

Pároco da Igreja Sagrado Coração de Jesus, no Parque Ipê, no extremo da Zona Sul de São Paulo, Anderson foi preso por estupro e favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual contra dois meninos, de 13 e 14 anos.

Os garotos vendiam balas em Guarujá na segunda-feira à noite e o padre lhes prometeu pagar milk-shake no Shopping La Plage, na Praia de Pitangueiras. Seguranças do centro comercial flagraram Anderson abusando do menino de 14 anos dentro do banheiro.

Algemas

A decretação da preventiva ocorreu na manhã de terça-feira, durante audiência de custódia. Linardi determinou que o padre permanecesse algemado por considerar a medida necessária para preservar a integridade física de todos os presentes ao ato.

O magistrado também fundamentou o uso das algemas em razão da “deficiência de escolta” e do grande fluxo de pessoas, presas e usuárias do serviço do Fórum. A Súmula Vinculante nº 11, do Supremo Tribunal Federal (STF), determina que seja justificada a utilização do equipamento.

Compulsão

Em sua decisão, o juiz reconheceu que o acusado é primário, possui bons antecedentes e exerce a atividade de sacerdote. Porém, assinalou que o padre demonstrou “comportamento compulsivo e ausência de freios morais hábeis”.

Com base no boletim de ocorrência, Linardi destacou que Anderson quis satisfazer os seus desejos sexuais aproveitando-se de crianças e adolescentes desamparados, que vendem balas nas ruas.

O magistrado também apontou que, devido à repercussão do caso, a soltura do acusado passaria aos cidadãos um descrédito em relação à Justiça e poderia gerar “situações extremas, como a busca por vingança, colocando a própria vida do investigado em risco”.

Procurada por A Tribuna, a defesa do padre não quis se manifestar. Durante o flagrante, o sacerdote preferiu ficar em silêncio.

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