Luan Henrique (à esquerda) foi preso em flagrante por agredir a ex-companheira e deixar hematomas no corpo dela em São Vicente (Reprodução) Luan Henrique Silva de Almeida, de 31 anos, que matou o enteado de 8 em São Vicente, no litoral de São Paulo, na sexta-feira (1º) e foi executado em ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Praia Grande no sábado (2), já foi preso em flagrante por agredir com socos e chutes e estrangular a ex-companheira grávida de três meses em São Vicente, quando ela tinha 19 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O homem foi executado no sábado (2) por criminosos armados que interceptaram uma ambulância do Samu e atiraram na cabeça dele, que já havia sido baleado em uma residência de Praia Grande. Conforme apurado por A Tribuna, Luan foi preso sob a acusação de socar, chutar, tentar estrangular, ameaçar de morte e xingar a então companheira no bairro Cidade Náutica, em 23 de março de 2018. A mulher relatou à polícia que perdeu a consciência com os golpes e que já tinha sofrido outras agressões, mas que nunca tinha denunciado. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência do caso de violência contra a ex-companheira e ao processo do caso. Consta no registro policial que agentes da Polícia Militar (PM) foram acionados para atender uma ocorrência de agressão, no Hospital Municipal de São Vicente. Ao chegarem à unidade de saúde, os policiais se depararam com a mulher passando por atendimento assistencial. Ela afirmou que seu companheiro, Luan Henrique, a agrediu com socos e chutes, bem como a ameaçou e xingou. A mulher relatou que as agressões foram durante a madrugada, e ao amanhecer, conseguiu sair da residência e ir ao hospital, onde foi medicada e liberada. Diante da denúncia, a vítima foi encaminhada à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente. Já Luan Henrique foi preso em flagrante pelo ocorrido e recolhido ao sistema prisional. A mulher foi orientada quanto à Lei Maria da Penha e suas medidas protetivas, e manifestou interesse de representar pelos crimes de ameaça e injúria. Luan Henrique Silva de Almeida era padrasto de Arthur Kenay Andrade de Oliveira (Reprodução) Condenação anterior por roubos Durante as pesquisas no sistema da polícia, foi constatado que Luan Henrique já havia sido condenado com trânsito em julgado por crimes de roubo. Por conta disso, não foi arbitrada fiança criminal. A Polícia Civil também representou pela conversão da prisão do homem em flagrante para preventiva, visando preservar a integridade física da mulher. Depoimento da vítima Segundo o depoimento da mulher, as agressões foram graves, incluindo tentativa de estrangulamento, a ponto de ela perder a consciência. A ex-companheira também informou que já havia sofrido violência de Luan Henrique anteriormente, mas nunca havia denunciado, e que estava grávida de cerca de três meses no momento dos fatos. No primeiro interrogatório feito com Luan Henrique, ele optou por permanecer em silêncio e disse que só falaria em juízo, com a presença de advogado. A autoridade policial entendeu que havia elementos suficientes de autoria e materialidade do crime e, por isso, formalizou a prisão em flagrante e o indiciamento. No decorrer do caso, o homem relatou que ele que havia sido agredido pela parceira. No processo, consta ainda que foram constatadas lesões leves no corpo de Luan Henrique, como escoriações. Conforme consta no processo, foi determinando o encerramento do inquérito policial. Ou seja, a Polícia Civil concluiu a investigação, reuniu as provas e encaminhou o caso para o Poder Judiciário. Associado a morte de policial Luan Henrique também era suspeito de envolvimento na morte de um policial civil em Praia Grande, ocorrida há mais de dez anos. Conforme apurado com a Polícia Civil, Luan Henrique era suspeito de participar da execução do investigador Evandir Pedro de Alcântara, que trabalhava na Delegacia Sede de Praia Grande. O crime ocorreu em 6 de junho de 2014. Segundo informações do g1 Santos e Região publicadas na época, o investigador estava no seu carro, na Rua Otacília da Luz Brasil, próximo ao Bar do Sargento, no bairro Vila Mirim, quando foi baleado por tiros de fuzil. Testemunhas relataram que um veículo passou pela rua e os ocupantes efetuaram disparos em Evandir. O agente morreu no local. Segundo uma testemunha, os criminosos chegaram a se esconder na casa de moradores logo após o crime. Inicialmente, foi informado que o investigador estava dentro do carro quando foi executado com cinco tiros de fuzil. No entanto, após apuração, constatou-se que ele havia chegado a um bar e se sentado em uma das cadeiras do local. Evandir pediu um maço de cigarros e, pouco depois, um carro prata estacionou na via. Dois homens desceram do veículo e atiraram na direção do policial. O investigador foi atingido por cinco tiros e morreu na hora. O agente trabalhava na Delegacia Sede de Praia Grande e estava de folga no momento do crime. Ele tinha ido sozinho ao bar e, ao lado do corpo, foi encontrada uma garrafa de cerveja. Morte de enteado Luan Henrique matou Arthur Kenay Andrade de Oliveira, seu enteado de 8 anos, na sexta-feira (1º). A Justiça havia decretado a prisão preventiva do padrasto após o menino dar entrada desacordado em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cubatão e não resistir. O caso foi registrado como homicídio qualificado, com agravante por ter sido cometido contra menor de 14 anos. Imagens de câmeras de monitoramento mostram Luan Henrique deixando o apartamento da família, em São Vicente, carregando o menino desacordado nos ombros.