Alunos relatam assaltos e abordagens suspeitas nos entornos de universidade em Guarujá (Divulgação) Assaltos, tentativas de roubo e abordagens suspeitas nos arredores da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Guarujá, no litoral de São Paulo, têm preocupado estudantes da instituição de ensino. Alguns alunos, que terão as identidades preservadas, por questão de segurança, procuraram a reportagem de A Tribuna para denunciar a situação. Os universitários afirmam que os casos se intensificaram nas últimas semanas e relatam sensação constante de insegurança ao chegar e deixar o campus, localizado na região da Enseada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado pela reportagem, os alunos organizaram levantamento colaborativo para registrar ocorrências relatadas pela comunidade acadêmica. A lista reúne 17 assaltos e tentativas de roubo entre fevereiro e maio deste ano em ruas e avenidas próximas ao campus, como Avenida do Parque, Rua Bolívia, Rua Albertino Pedro, Rua Colômbia e Avenida Salim Farah Maluf. A Tribuna conversou com algumas dessas vítimas. Uma aluna relatou ter sido assaltada no início de maio, quando voltava a pé da faculdade com uma amiga. Conforme o depoimento, um homem de bicicleta afirmou estar armado e exigiu os celulares das duas. Enquanto uma delas conseguiu correr para dentro do condomínio onde mora, a outra entregou o aparelho ao assaltante. A universitária, que mora próximo à universidade, afirmou que decidiu deixar de sair a pé desde o episódio. Porém, no último dia 31, após resolver ir a um mercado perto de casa para comprar pão, sofreu outra tentativa de assalto. “Quando estava voltando, um menino de bicicleta tentou me assaltar e só não conseguiu porque um homem que estava na rua me ajudou”, diz. Outra estudante contou que foi vítima de uma tentativa de furto enquanto aguardava o ônibus em frente à universidade. Segundo ela, um homem de casaco azul e capuz se aproximou do ponto onde estava com duas amigas. “Ele claramente ia nos abordar, porém, como já estávamos dando sinal para o ônibus, ele ficou na dúvida se executava (o roubo) ou não. Minha amiga se desesperou, mas deu certo e conseguimos subir”, relata. De acordo com outro aluno, episódios semelhantes ocorrem com frequência, principalmente nos períodos de início e fim de semestre. Segundo ele, diversos estudantes passaram a evitar carregar objetos de valor por medo de serem roubados. O jovem também relatou uma situação em que precisou correr de volta para um restaurante ao perceber que estava sendo seguido por dois homens em bicicletas. “Os dois caras deram a volta de bicicleta e vieram em nossa direção. Eles apenas foram embora quando conseguimos chegar de volta ao restaurante”, recorda. Reunião Diante das reclamações, o Diretório Acadêmico Agripino de Oliveira Lima Filho se reuniu com representantes da coordenação e da segurança da universidade. Em nota divulgada nas redes sociais, a entidade informou que a Unoeste não possui autorização legal para manter seguranças armados atuando nas vias públicas ao redor do campus. Como alternativa, a universidade conta com quatro policiais à paisana realizando rondas no entorno da unidade de ensino durante os períodos de aula, especialmente nos horários de entrada, saída e almoço. Além disso, o diretório informou que a coordenação relatou estar ciente do aumento nos assaltos na região e “se comprometeu a entrar em contato com os órgãos responsáveis pela segurança pública de Guarujá, incluindo Guarda Civil Municipal (GCM) e Polícia Militar (PM), solicitando reforço no policiamento e intensificação das rondas”. Outro ponto discutido foi a atuação da base da GCM instalada ao lado da universidade, que, segundo informações repassadas aos estudantes, é voltada principalmente para atividades relacionadas ao trânsito. De acordo com a nota, a universidade afirmou que "buscará intervir junto aos órgãos responsáveis para solicitar uma atuação mais voltada ao policiamento preventivo e ostensivo na região do campus, considerando o aumento recente das ocorrências”. Posicionamentos Procurada por A Tribuna, a Prefeitura de Guarujá informou que a Secretaria de Defesa e Convivência Social (Sedecon) e a Polícia Militar (PM) tomaram conhecimento das reclamações no final de maio, já que não havia registros oficiais relacionados aos casos citados pelos estudantes. Segundo a Administração Municipal, representantes da Sedecon e da PM se reuniram com um grupo de alunos no último dia 29 para tratar da situação. Ainda de acordo com a Prefeitura, o patrulhamento no entorno da Unoeste foi reforçado imediatamente em apoio à Polícia Militar. A Administração Municipal também informou que alguns dos suspeitos apontados como autores dos roubos foram identificados e que um deles, que já possuía mandado de prisão expedido pela Justiça, foi capturado pela Ronda Ostensiva Municipal (Romu) no último dia 31. Por meio de nota, a Unoeste afirmou que “mantém ações contínuas voltadas à segurança em seus campi, incluindo monitoramento por câmeras, equipe de vigilância, rondas preventivas e orientações frequentes à comunidade acadêmica sobre medidas de prevenção e autocuidado“. Já a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada por meio de patrulhamento preventivo, policiamento ostensivo e operações baseadas em inteligência policial. Segundo a pasta, os roubos apresentaram queda de 20,46% na região nos quatro primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, 528 infratores foram presos ou apreendidos e 49 armas de fogo foram retiradas de circulação. “Todos os casos registrados são devidamente investigados, visando à identificação dos criminosos e responsabilidades”, destacou a secretaria.