[[legacy_image_200731]] Suspeito de ter violentado a professora Cleonice Antonio Santos, de 48 anos, o namorado dela, um ajudante de pedreiro, de 47 anos, teria colocado fogo na casa de amigos da vítima por ciúmes. Cleonice morreu na última segunda-feira (15), após ser internada em São Vicente. A família da professora, que teve um cabo de vassoura introduzido no ânus, conta que o homem tinha histórico de agressividade e ameaças. Na manhã desta quinta-feira (18), a Polícia Civil pediu a prisão preventiva dele. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, a irmã de Cleonice, Gisele Antonio, de 35 anos, falou sobre a relação conturbada que era mantida em segredo pela vítima. “A minha irmã sofria ameaças. Ele dizia que se ela largasse dele, não iria ficar com mais ninguém. Isso se agravou cada vez mais e ela não contava. Não se abria para a gente, não dava detalhes. Tanto que ele incendiou a casa de uma colega dela”, afirma. O caso citado por Gisele, do fogo na casa de amigos, ainda está sendo apurado pela Polícia Civil. A informação é do delegado do 1º Distrito Policial (DP) da Cidade, Marcos Alexandre Alfino, responsável pela investigação. A autoridade policial afirma que já tem o endereço do casal, que será chamado para depor. Na ocasião, Gisele afirma que o ajudante de pedreiro estava com ciúme da relação de Cleonice com o casal de amigos, pedindo sempre para ela se afastar deles. Quando a professora resolveu sair com os dois para um churrasco, o acusado descobriu e colocou fogo na casa. “Ele aproveitou que a casa não tinha um cadeado, entrou e colocou fogo. Depois ele falou que iria pagar os consertos, mas não pagou. Ele simplesmente colocou fogo e falou para irem ver o que ele tinha feito. Ainda avisou”, conta. Quando se mudou para a casa no Jardim Rio Negro, na Área Continental de São Vicente, Cleonice estava sem celular. A família dela não tinha nenhum número para contato e nem sabia o endereço de onde a irmã estava. A vítima tinha uma filha, de 23 anos, de um relacionamento anterior. Nem ela sabia o paradeiro da mãe. “Ele foi conseguindo entrar no psicológico dela. Ele falava também que se ela não ficasse com ele, viria aqui perturbar, que colocaria fogo aqui na minha casa. Inclusive dificultamos o acesso nos muros, colocamos ferros para proteção, tela, reforçamos tudo e trocamos a fechadura”, explica. As agressões psicológicas não eram contadas para a família, apesar de notadas. A irmã explica que, apenas quando Cleonice chegou ao seu limite, começou a dar detalhes sobre o relacionamento abusivo em que vivia com o homem e assumiu ter medo de como ele reagiria caso ela fosse embora. “Quando ela chegou ao seu extremo, soltou que ele disse que não ia deixar por menos e poderia até ser preso. Que ele iria cumprir pena, mas quando ele saísse viria pegar ela. Ela tentou, de certa forma, proteger a gente, não trazer problema para nós, então acabou aceitando ir para lá”, diz Tentativas de ajudaDurante os sete meses que moraram juntos, a família tentou trazer Cleonice de volta para casa, mas ela retornava para o namorado em seguida. Gisele afirma que sua irmã parecia ter medo e dizia que o suspeito ficava mais calmo quando a via em casa, realizando as tarefas domésticas. “Ele queria ser dono dela. Tanto que não tinha horário, ele ligava de madrugada perguntando dela. Até então, a gente não estava sabendo dessa gravidade toda que estava acontecendo com ela. A gente foi falando que ela não estava sozinha, que íamos ajudar e tentar pôr ela em um lugar distante”, relembra. Na última tentativa da família de tentar trazê-la de volta, Gisele conta que a irmã chorava, mas não explicava o motivo. “Trouxemos ela pra casa, não resolveu, ela voltou. Ela esteve aqui porque o meu irmão apareceu lá do nada e a trouxe novamente. Ela chegou, abraçou minha mãe, conversou, beijou, parecia que estava se despedindo. Me abraçou também, ficou um ‘tempão’ comigo, conversando”, cita. Família avisadaA família só foi avisada sobre a internação da mulher na noite de domingo (14). O namorado ligou para a mãe de Cleonice e disse que estavam indo ao hospital, pois ela estava muito mal. Sem mais detalhes. Apesar de o suspeito ter avisado a família no domingo, as investigações apuraram que os sintomas da vítima começaram dias antes. Segundo informado pelo delegado, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado pela primeira vez na sexta-feira (12). Gisele conta que começou a ligar para todos os hospitais da Cidade e nenhum tinha notificado a entrada da irmã, até que encontrou no Humaitá, às 14h57. “Mas eles não me passaram informação nenhuma. Não falaram se ela teve alta e se ela se encontrava lá. Fiquei sem saber o que fazer”, comenta. Na manhã do dia seguinte, Gisele decidiu ir até a casa em que sua irmã morava com o suspeito. Afirma ter se encontrado com ele assim que chegou e foi informada que Cleonice estava no hospital por conta de um infecção, que surgiu por problemas intestinais. Gisele conta não ter conseguido chegar ao Hospital Municipal de São Vicente a tempo. Pouco após entrar no local, foi informada da morte de sua irmã. A mulher explicou que o médico responsável pelo caso lhe chamou para conversar e dar a notícia. “Ele procurou alguém da família mais calma e veio diretamente comigo para explicar detalhadamente. Ele falou: ‘Eu recebi sua irmã em um estado muito grave, ela veio do Humaitá transferida para cá, com balão de oxigênio, bolsa de colostomia e fizemos a cirurgia dela, que começou às quatro da manhã. Ela teve três paradas cardíacas, na terceira não resistiu’”, relembra. O mesmo médico afirmou ter realizado um exame na vítima e constatado um pedaço de madeira em seu ânus, possivelmente de um cabo de vassoura. “Na hora, eu não entendi, pedi para ele repetir e acho que falou três vezes comigo, fiquei nervosa. A gente fica transtornado, não caiu a ficha. Eu achei que ainda ia poder falar com a minha irmã, mas ela morreu”, diz. VíciosSobre a rotina do casal, a irmã confirma que eles tinham o costume de beber. Explica que a única hora em que saiam de casa, era para ir ao bar. “Eles bebiam. Todo dia ele vai tomar uma pinga. Todo dia tomava uma latinha. Para o cigarro, para beber, ele tinha dinheiro, mas para comida, manter a casa, não tinha, porque queria viver às custas da minha irmã”, comenta. IndignaçãoA família ainda está tentando entender como o homem fez isso com Cleonice. “Por mais que possa ter acontecido até mesmo uma briga, um desentendimento, não seria motivo de pegar um cabo de vassoura, porque sabia que isso ia levar uma morte”, afirma. “Não caiu a minha ficha. Estou à base de oração mesmo. Deus me confortando, não é fácil. Ninguém acredita nessa situação. É triste e doloroso. Eu quero lembrar da minha irmã alegre, porque ela era uma pessoa muito querida. Onde passava deixava uma marca. Tinha uma risada gostosa, um sorriso bonito”, conclui.