[[legacy_image_295476]] Vítima de três tiros à queima roupa do ex-marido, a empresária Fernanda Marcelino, de 41 anos, diz ser um ‘milagre vivo’. Ela sobreviveu mesmo após ter sido baleada no peito, na mão e uma bala ter atravessado sua cabeça. O crime ocorreu em uma papelaria de propriedade da vítima, na Avenida Domingos da Costa Grimaldi, no bairro Jardim Peruíbe, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Em entrevista para A Tribuna, a empresária relatou que vivia um relacionamento há cinco anos, e recebia ameaças de morte do ex-marido, de 45 anos, desde que começou o processo de separação em março deste ano. Quando decidiu que não iria ceder às ameaças, e conseguiu uma medida protetiva, Fernanda disse que o homem não aceitou a situação e foi atrás dela armado mesmo assim. O acusado segue desaparecido e esse ‘mistério’ faz com que a vítima continue com medo. “Ele falou que eu tinha que ir embora de Peruíbe, senão ele iria me matar”. “Ele se sentiu humilhado (com a medida protetiva) e ficou indignado. Ele foi no meu local de trabalho, e disse que ia acabar com a minha vida, e depois ia acabar com a dele. Mas eu nunca pensei que ele fosse realmente capaz de fazer isso. Tanto é que, quando ele apareceu na minha frente, eu achei que ele só queria conversar, mesmo ele me mostrando uma arma”, relembra. Quando o primeiro disparo foi dado, Fernanda diz que fingiu estar morta para que as agressões parassem, porém ele continuou atirando à queima-roupa. Momento em que ela decidiu reagir, fingindo que o perdoaria, mas, segundo ela, não adiantou mais. “Ele apontou a arma na minha cara e atirou, mas a bala falhou”, disse. Os tiros começaram a falhar, segundo Fernanda. A empresária reforça que, a princípio, não viu sangue e nem sentiu dor, por isso acreditava que eram tiros falsos. Na sequência, ela conseguiu ter um momento de força e saiu correndo do estabelecimento comercial, quando escutou mais dois tiros. “Quando eu consegui entrar em um comércio e me olhei no espelho, foi quando vi que eu estava toda ensanguentada. Aí me dei conta que não eram falsas, e que realmente eu tinha levado tiros, e que a situação era muito grave. Um senhor, dono do comércio, me socorreu”, ressalta. Durante a realização dos exames, Fernanda afirma que a equipe médica ficou otimista com o resultado de uma ressonância magnética, pois descobriram que a bala havia perfurado a cabeça, porém sem atingir a massa encefálica, e que também não havia ficado alojada. Foi quando ela recebeu a notícia que não corria mais risco de vida. Momentos de terror“Ele encostava o revólver em mim e atirava. Estou viva porque eu sou um milagre. Cientificamente, não teria como eu estar viva. Eu não sentia dor, na minha cabeça ele só estava me assustando com o barulho para que eu pudesse voltar com ele. Eu só orava, e só quando me vi cheia de sangue percebi que ele queria mesmo me matar”, relata. As outras balas seguem alojadas no corpo de Fernanda, e não serão retiradas. Ela conta que agora está fora de risco e se recuperando, ainda internada. “Demorei quatro anos para começar a falar sobre as ameaças e, depois que eu comecei, chegaram muitas mulheres perto de mim e se solidarizaram com as coisas que eu vivia”. “Quando eu fui ter a minha loja e a minha independência financeira, isso o incomodou demais. Eu estava me destacando em um evento, e foi um dos motivos que o fez ficar revoltado. Ele chegou na loja e me disse: ‘sua vida tá muito feliz, e vou acabar com isso’”, comenta. Trauma e futuroPara a empresária, agora restam os traumas. Fernanda descreve que toda vez que fecha os olhos a cena volta à sua mente no momento dos disparos, somada à dúvida e questionamentos sobre como um relacionamento com amor poderia ter se transformado nessa situação. Após ter sobrevivido à tentativa de feminicídio, a vítima diz que pretende se dedicar a auxiliar vítimas de relacionamentos abusivos e ameaças. Afinal, ela diz que o ex-marido nunca a agrediu fisicamente antes dos disparos, mas haviam constantes agressões verbais contra a autoestima dela. “Foi me colocando sempre em um lugar ruim de dependência emocional”. Relembre o casoO acusado estava foragido até a última atualização da Polícia Civil. Após atirar na ex-esposa, o homem ligou para o ex-sogro, de 68 anos, para informar o que tinha feito, segundo boletim de ocorrência (BO). A mulher já tinha medida protetiva contra ele. A Polícia Militar (PM) foi acionada por volta das 9 horas da manhã, mas ao chegar no local, a vítima já teria sido levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Testemunhas confirmaram o ocorrido e a arma usada no crime foi apreendida, mas o autor conseguiu fugir. Os policiais foram até a UPA e lá encontraram a mulher, que foi atingida por três tiros: na mão, no peito e na cabeça. Apesar dos ferimentos, ela confirmou aos PMs que o autor dos disparos foi o seu ex-companheiro. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia de Peruíbe e, de acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado como violência doméstica e tentativa de feminicídio.