Letícia (à esq.) foi resgatada com vida do veículo, socorrida e encaminhada a Santa Casa de Santos, onde não resistiu aos ferimentos (Reprodução/Instagram/Instituto Querô e Reprodução) A Justiça de Santos, no litoral de São Paulo, entendeu que não há, até o momento, indícios de que a passageira presa após puxar o volante de um carro e provocar um acidente que matou Letícia Souza Santos, de 32 anos, tenha agido com dolo. Com isso, o caso deixará de tramitar na Vara do Júri e será redistribuído à Vara Regional de Garantias, onde seguirá a investigação por possível homicídio culposo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A decisão foi proferida pela juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia, da Vara do Júri e Execuções, após manifestação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Tanto a magistrada quanto o promotor Fabio Perez Fernandez concluíram que os elementos reunidos até o momento não indicam crime doloso contra a vida, requisito para a competência do Tribunal do Júri. Segundo o promotor, a investigação não aponta "qualquer indicativo de dolo, ainda que eventual”, nas circunstâncias que resultaram na morte de Letícia. Ele destacou ainda que a própria autoridade policial indiciou a investigada por homicídio culposo. Na decisão, a juíza ressaltou que a competência do Tribunal do Júri se restringe aos crimes dolosos contra a vida. "Ausente qualquer indicativo mínimo de dolo, não subsiste razão para a permanência dos autos nesta Vara do Júri”, escreveu, determinando a remessa do inquérito ao juízo competente. Relembre o caso Letícia morreu após o carro em que estava com outras quatro pessoas cair em um canteiro de obras na Avenida Martins Fontes, no bairro Alemoa, em Santos, por volta das 2h20 do último dia 27. Conforme o boletim de ocorrência e o auto de prisão em flagrante, obtidos por A Tribuna, o acidente ocorreu após uma discussão dentro do veículo motivada por ciúmes, quando o grupo voltava de uma festa. Consta no documento da Polícia Civil que policiais militares foram acionados pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender a ocorrência e encontraram o veículo parcialmente submerso na escavação, com quatro ocupantes sobre o automóvel. Os ocupantes informaram que ainda havia uma passageira presa no interior do carro. Um cabo da PM tentou resgatar Letícia, mas não conseguiu devido às condições do local. Com a chegada do Corpo de Bombeiros (CB), equipado para operações de mergulho, Letícia foi localizada e retirada ainda com vida. Ela foi levada à Santa Casa de Santos, onde morreu. Depoimentos Segundo os depoimentos prestados à Polícia Civil, uma das passageiras, de 22 anos, teria puxado o volante durante o trajeto, fazendo com que o automóvel invadisse o canteiro de obras da companhia e caísse na escavação, ficando parcialmente submerso. Ela foi presa em flagrante por homicídio culposo. A motorista do carro, de 20 anos, recusou-se a realizar o teste do bafômetro, mas admitiu aos policiais que havia ingerido bebida alcoólica. Já a passageira apontada como responsável por puxar o volante foi submetida a exame no Instituto Médico Legal (IML), que não constatou embriaguez. Ainda conforme o boletim de ocorrência, os policiais apuraram que o grupo seguia para deixar uma das passageiras em casa quando ela discordou de ser levada até sua residência. Durante a discussão, essa passageira teria puxado o volante, fazendo o veículo sair da pista e cair na escavação. O segurança da obra informou apenas que viu o automóvel invadir o canteiro e cair no buraco enquanto chamava o socorro. Fiança No mesmo dia em que foi presa, a passageira passou por audiência de custódia. Ela teve a liberdade provisória concedida após pagar fiança de R\$ 10 mil e passou a cumprir medidas cautelares, como comparecimento mensal à Justiça e proibição de deixar a comarca por mais de sete dias sem autorização judicial.