[[legacy_image_269543]] A suplente de vereador Jaqueline Monteiro de Carvalho Barreto, mais conhecida como Professora Jaqueline (União Brasil), que descobriu que o marido planejava matar o vereador Emerson Camargo dos Santos (União Brasil) de Praia Grande, que conseguiu gravar uma conversa entre eles para provar o crime, quebrou o silêncio e falou com a TV Tribuna. Em entrevista, ela afirma que o marido, Rafael Barreto, de 39 anos, a ameaçava caso contasse alguma coisa. “Se você me largar, eu te mato. Ele (Rafael) também envolvia meus filhos, chegou a ameaçar forjar contra meu filho, pra ele ir preso. Nesses últimos dias, quando eu descobri uma arma em casa, ele deixava a arma em cima da mesa, pra me intimidar, pra fechar minha boca, porque ele falava que se eu falasse alguma coisa, ele falaria que estava junto nisso”, desabafa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Depois da gravação a suplente procurou o vereador, e os dois registraram boletins de ocorrência, um do vereador pelo crime de ameaça e outro de Jaqueline como violência doméstica e ameaça. Além disto, o juiz concedeu uma medida protetiva válida tanto para ela quanto à sua família. “Minha vida estava uma tortura psicológica, não só por ele estar fazendo a tortura psicológica, mas porque a minha consciência não estava em paz, por saber uma coisa dessas e guardar pra mim, então eu precisava falar, precisava me livrar disso”, conta. Com medo de não acreditarem em sua palavra, foi que então ela decidiu gravar. “Eu descobri há uns 20 dias... Eu queria ter falado antes, mas precisava de provas, porque como ele mesmo fala, eu não sou nada e ele tem nome na cidade, então comecei a gravar". Jaqueline hoje não está mais em Praia Grande, para garantir sua segurança ela está escondida, aguardando que a justiça seja feita. “Eu não fiz nada de errado, mas hoje estou aqui, em um lugar escondida, enquanto ele está livre na cidade, andando, passeando... enquanto eu estou com saudade dos meus filhos, meu neto... A única coisa que eu quero é que a justiça resolva", conclui. DenúnciasA Tribuna teve acesso aos boletins de ocorrência registrados na segunda-feira (15). Um dos documentos, registrado pelo vereador, detalha que Rafael Barreto, estaria tramando o crime com um amigo que é policial militar. Os dois teriam contratado um assassino de São Vicente e entregue a ele uma arma de fogo. A intenção seria de que, com a morte do vereador, a professora Jaqueline assumisse seu lugar no gabinete. O marido teria mencionado que ao assumir o cargo, ela teria um gabinete gerando R\$ 45 mil por mês em verbas. Ainda conforme a denúncia, a esposa do amigo policial seria contratada como chefe do gabinete, como forma de premiação ao PM por ajudar no assassinato. Em entrevista para A Tribuna, o vereador Emerson Camargo dos Santos disse que Barreto estaria planejando o crime desde 2021. “Meu chefe de gabinete - que é policial militar aposentado - recebeu uma ligação de uma pessoa de São Vicente que falou que não era para ele sair de perto de mim, porque estavam tramando para me matar. Isso em 2021, com seis meses de mandato” Como na época não tinha provas, o vereador contou que não registrou boletim de ocorrência, mas que, desde então, passou a andar com dois seguranças. No último dia 13, ele conta que Jaqueline entrou em contato com ele denunciando o marido. “Ela me chamou e disse que precisava falar comigo urgente. Foi quando contou o que ele estava arquitetando e me mostrou os áudios” ÁudiosNa gravação feita por Jaqueline, é possível ouvir ela e o marido discutindo. Ela chega a falar que prefere viver com o salário de professora, do que tirar a vida de alguém. Na sequência, Jaqueline ainda ironiza, dizendo que depois não adianta ir à igreja. Ele rebate: “A gente faz o bagulho, depois tem que pedir perdão”. Quanto ao motivo no crime, na gravação Barreto afirmaria: “Alguém que não presta, fala mal de mim, fala mal de tu... F***-se também, não quero saber dele não, quem vai, vai. Já era, pronto, acabou” Jaqueline ainda rebate dizendo que ela seria a primeira suspeita, já que assumiria o lugar dele como suplente. Ele então teria dito, segundo os áudios: “Tem alguma coisa no seu telefone? Não tem nada no meu. Onde não tem prova, não tem crime.” AcusadoNa sexta-feira (19), a Tribuna procurou Rafael Barreto, que negou as acusações. Segundo ele, a mulher teria tramado isso ao desconfiar de uma traição. “Acredito que foi por uma briga extraconjugal, (o desentendimento) foi agora em março, até chegar a esse ponto, dessa calunia. Uma mulher magoada e ferida faz qualquer coisa, isso eu entendo”, afirma. Quanto ao vereador, Barreto afirma que nunca teve nenhum contato com ele. “Se eu ameacei ele hoje, ontem, há um ano, dois anos atrás, ele tem que ter um boletim de ocorrência, ele tem que ter alguma coisa contra minha pessoa. Nunca falei com ele, nunca dirigi a palavra à pessoa dele”, conclui. Diante das novas acusações de Jaqueline, novamente a Tribuna entrou em contato com o acusado. De acordo com seu advogado Vitor Vitório, até o momento seu cliente não foi notificado pelas autoridades oficiais e que ele tomou ciência das acusações pelos veículos de comunicação e redes sociais. Disse ainda que Rafael se apresentou voluntariamente e que aguarda o deferimento da petição feita pelo escritório de advocacia para ter acesso aos documentos das denúncias para que possa, oficialmente, se manifestar nos autos. Mas afirma que Rafael “nega os crimes a ele amputados”. Questionado sobre a arma que Jaqueline alega ter sido ameaçada e quanto ao áudio gravado por ela que provaria o planejamento do crime, ele ainda não respondeu.