"Ela não tinha liberdade, tinha até o WhatsApp monitorado por ele", afirma a amiga (Reprodução/ Instagram e Daniel Rodrigues/ AT) Amanda Fernandes, de 42 anos, morta a tiros e punhaladas em Santos pelo marido, o sargento da Polícia Militar (PM) Samir Carvalho, vivia com ele há cerca de 13 anos, e o policial sempre demonstrou comportamento violento e possessivo, segundo pessoas próximas do casal. "Ela não tinha liberdade, tinha até o WhatsApp monitorado por ele. Tudo que ela conversava ele sabia", afirma a amiga Janaína Beieríe Rollo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ela, que tinha amizade próxima com a vítima há cerca de nove anos, Samir sempre foi violento. "Sempre foi grosso e violento, isso é dele. Há cerca de três ou quatro anos é que começaram as ameaças", afirma. Janaína explica que muitas pessoas até estranharam a revelação dessa agressividade em Samir. "Mas era porque na frente das pessoas ele não fazia nada, então muitos não viam esse comportamento dele. Mas, sozinhos, ele partia até mesmo para agressão física". Por vezes, a amiga chegou a ir até a casa do casal após essas agressões a pedido de Amanda. "Ele dizia que estava passando mal, simulava que não estava bem, como se a gente tivesse que socorrê-lo para o hospital. Falava que estava com pressão alta, essas coisas. Mas, quando eu não estava, as ameaças eram frequentes", revela. Corregedoria Segundo Janaína, a última vez que Samir bateu em Amanda foi exatamente por ela ter conversado com uma amiga. "Ela disse que não aguentava mais e que iria fazer uma denúncia na Corregedoria (da Polícia Militar), mas ele monitorava o celular dela, e viu a conversa", conta. Samir, segundo ela, proibiu então a entrada dessa pessoa na casa e foi quando ocorreu essa agressão. Falava escondido Por vezes, a vítima conseguia conversar ou pedir ajuda, mesmo com o celular monitorado. "Quando ele estava dormindo, ela conseguia, falava comigo e depois apagava a conversa. Agora, se ele estivesse acordado ou no trabalho, ele via tudo na mesma hora", conta a amiga. Não era ciúme Janaína, que conviveu com a família por cerca de nove anos, acredita que a questão da violência não era motivada por ciúmes. "Na verdade, eu acho que era um montante de várias coisas. Ele dizia que não teve pai e nem amor de mãe. Depois, entrou para a Polícia Militar, e pra ele tudo passou a ser 'a ferro e fogo'. Ele tinha muita dificuldade em lidar com o fato de a Amanda ser bem-sucedida financeiramente, coisa que ela nunca cobrou dele, pelo contrário". Para a amiga, mesmo com Amanda nunca questionando ou comparando o quanto cada um ganhava, essas questões acabavam pesando para Samir e, segundo ela, podem ter se tornado algo obsessivo, a ponto de ele chegar a partir para a agressão. "Ela não podia sair, ter amigos, ser simpática... Aí, começaram as acusações. No momento em que ele queria arrumar confusão, dizia que ela o diminuía, que ele não servia pra nada", explica Janaína. Defesa Procurado, o advogado Paulo de Jesus, que representa o militar, informou apenas que a audiência de custódia aconteceu nesta quinta-feira (8), e a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva. "A Defesa vai aguardar o término das investigações para poder posteriormente se posicionar", disse. Relembre o caso O sargento tem mais de 20 anos de corporação e estava de folga no momento do crime. Na quarta-feira (7), assim que soube que a esposa e a filha de 10 anos estavam em uma consulta médica em clínica da Vila Belmiro, em Santos, ele se dirigiu para lá. No consultório, a mulher discutiu com o PM. Um médico teria separado os dois e encaminhado o oficial para fora do estabelecimento. O médico, então, se trancou em uma sala com a mãe e a criança, enquanto a polícia era chamada. Posteriormente, o PM retornou e atirou na companheira, que morreu no local, e na filha. Ele também deu cerca de dez punhaladas na esposa. De acordo com a PM, a corporação foi chamada por volta das 14h48 para atuar em possível situação de violência doméstica. Além de caracterizar possível violência psicológica, a denúncia indicava a presença do agressor no local. Com a chegada dos policiais militares, o sargento levantou a camisa, mostrou que não se encontrava armado e se entregou. Às 16h07, a PM confirmou que a mãe e a filha haviam sido feridas. A mulher morreu na clínica e a criança foi socorrida e levada para a Santa Casa de Santos, com ferimentos na perna e no braço, passando posteriormente por atendimento. O sargento foi preso e a arma apreendida. Após a chegada das equipes ao local, a Corregedoria Geral da Polícia (CGP) foi chamada para apoio e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi acionado.