Os familiares reforçam que Ana Paula não foi ao motel em Santos por vontade própria e que ela e Flávio não eram mais um casal (Arquivo pessoal) A família de Ana Paula Ferreira Campos, de 44 anos, divulgou uma versão que contesta informações inicialmente divulgadas sobre o feminicídio ocorrido em um motel de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo os parentes, Ana Paula não mantinha mais relacionamento com Flávio Alves da Silva, também de 44, e foi levada contra a própria vontade ao local onde acabou morta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ana Paula estava desaparecida desde a tarde de sexta-feira (6), por volta das 16h, após sair do trabalho. Diarista, ela deixou filhos e familiares, que afirmam viver uma “dor irreparável” com a perda. De acordo com a família, o relacionamento entre Ana Paula e Flávio havia terminado há cerca de um ano antes do crime. No entanto, o ex-companheiro não teria aceitado a separação. Nos dias que antecederam o feminicídio, segundo a família, Ana Paula vinha recebendo ameaças, motivadas tanto pelo fim da relação quanto pelo fato de estar seguindo a vida em um novo relacionamento. Ainda segundo o relato dos parentes, na sexta-feira, ao deixar o trabalho, Ana Paula foi abordada por Flávio, que teria feito ameaças diretas a ela e também a um dos filhos da diarista. Sob intimidação, ela foi forçada a subir na moto e levada contra a vontade para um quarto de motel em Santos. A família afirma que o laudo pericial, já entregue aos parentes, aponta que Ana Paula sofreu horas de tortura e agressões, incluindo traumatismo craniano. A causa da morte teria sido esganadura, com o óbito confirmado às 18h45 de sábado (7). Após o crime, Flávio teria tirado a própria vida. Os familiares reforçam que Ana Paula não foi ao motel por vontade própria e que os dois não eram mais um casal, rebatendo versões divulgadas. “Ainda que tivesse ido, nada justificaria ou daria a alguém o direito de tirar a vida dela”, destaca a família. Por fim, os parentes pedem respeito, responsabilidade e que o caso seja tratado de forma correta, deixando explícito que Ana Paula foi vítima de feminicídio após dizer não. “Infelizmente, é mais uma mulher assassinada pela violência”, afirmam. Conforme apurado, o velório de Ana Paula Ferreira Campos ocorreu na manhã desta segunda-feira (9), na Osan, e o sepultamento às 10h, no Cemitério Municipal de São Vicente. A polícia precisou arrombar a porta do quarto do motel em Santos (Reprodução) Relembre o caso Ana Paula foi encontrada morta com ferimentos provocados por facadas na cama de um quarto de motel em Santos, no litoral de São Paulo, na tarde deste sábado (7). No banheiro do mesmo quarto, também foi localizado Flávio Alves da Silva, sem vida no boxe. O caso ocorreu em estabelecimento que fica na Rua da Constituição, no bairro Vila Mathias, e é investigado pela Polícia Civil. De acordo com informações da Polícia Militar obtidas por A Tribuna, a corporação foi acionada após o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) encaminhar uma ocorrência de encontro de cadáver em motel. Ao chegarem ao local, os policiais constataram que havia uma mulher e um homem já sem vida no interior do quarto. A mulher foi encontrada deitada sobre a cama de casal, com ferimentos compatíveis com golpe de arma branca. Já o homem foi localizado morto no boxe do banheiro. Segundo o boletim de ocorrência, o administrador do motel informou que estava fora do estabelecimento quando foi contatado por uma funcionária, relatando que familiares do homem haviam comparecido ao estabelecimento em busca de informações, afirmando que não conseguiam contato com ele por ligações ou mensagens e que haviam rastreado sua localização por meio do GPS do celular. Diante da situação, o administrador se deslocou até o motel e, ao tentar contato com o quarto, onde o casal estava hospedado desde a tarde de sexta-feira (6), não obteve resposta. Com o auxílio de uma escada, ele conseguiu visualizar pela janela uma mulher deitada na cama, além de uma mancha semelhante a sangue sobre o lençol. A Polícia Militar foi, então, informada. Como a porta estava trancada, foi necessário arrombá-la. No interior do quarto, os policiais visualizaram os dois corpos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e a médica atestou os óbitos. A perícia técnica foi solicitada ainda no fim da tarde e chegou ao local por volta das 22h. O lugar permaneceu preservado até a conclusão dos trabalhos periciais. A ocorrência foi apresentada inicialmente na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e deve ser encaminhada à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. As circunstâncias e a dinâmica dos fatos ainda serão apuradas pela Polícia Civil.