O caso foi registrado no Distrito Policial Sede de Cubatão; investigações ficarão a cargo do 2º DP (Arquivo/ AT) Uma mulher de 48 anos matou o companheiro, Aliomar da Conceição Pereira, de 54, com uma facada no peito, na noite de domingo (5), durante o jogo do Brasil, em uma casa na Vila Natal, em Cubatão, na Baixada Santista. O caso foi registrado inicialmente na Delegacia de Polícia Sede e, posteriormente, encaminhado ao 2º Distrito Policial (DP) da cidade, responsável pela investigação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, policiais militares foram acionados pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para comparecer ao Pronto-Socorro Central, onde um homem havia dado entrada com um ferimento provocado por faca. Ao chegarem ao hospital, os agentes foram informados pela equipe médica de que a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu. Em seguida, os policiais obtiveram os dados da solicitante do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e seguiram até o imóvel onde os fatos ocorreram. No local, uma testemunha, de 44 anos, relatou que mora no mesmo quintal da autora do chamado do Samu e da vítima e que foi procurada pela mulher, que pediu socorro e afirmou ter atingido o companheiro com uma facada. Segundo a testemunha, ao sair de casa, encontrou Aliomar sentado, encostado no muro da calçada, com a mão sobre o peito. Logo depois, ele caiu. A equipe do Samu realizou o socorro, mas o homem morreu no hospital. A testemunha informou ainda que não sabia o paradeiro da mulher, nem da faca utilizada, e que não viu nenhuma outra pessoa no local quando ela pediu ajuda. A área foi preservada para a realização da perícia. Depoimento Ainda durante o registro da ocorrência, por volta das 22h30, a mulher compareceu espontaneamente ao plantão policial e apresentou sua versão dos fatos. Em depoimento, ela afirmou que teve um breve relacionamento com a vítima há cerca de dez anos, do qual nasceu uma filha, hoje com 10 anos de idade. Segundo a mulher relatou, ela e Aliomar retomaram a relação há aproximadamente dois anos e passaram a morar juntos. A mulher declarou que o companheiro tinha “ciúmes doentios” e que, em novembro de 2025, registrou um boletim de ocorrência contra ele, ocasião em que solicitou medidas protetivas de urgência. Apesar disso, os dois reataram o relacionamento cerca de um mês depois. Conforme o relato, o homem consumia bebidas alcoólicas com frequência e, semanalmente, iniciava discussões motivadas por ciúmes, com ofensas verbais. No sábado (4), ele teria saído do trabalho ao meio-dia para beber e retornado à residência por volta das 20h, iniciando mais uma discussão e impedindo que a parceira dormisse. Já no domingo (5), ainda segundo a mulher, Aliomar voltou a beber e, após ela dizer que pretendia encerrar o relacionamento, ele afirmou que não aceitaria o término. Durante o jogo da Seleção Brasileira, ao perceber alguém passando em frente ao imóvel, Aliomar voltou a acusar a companheira de olhar para um vizinho e, segundo ela, passou a agredi-la. A mulher afirmou que foi enforcada, levou tapas no rosto e teve os cabelos puxados. Disse ainda que tentou deixar a casa, mas o companheiro teria pego uma barra de ferro para atacá-la. Nesse momento, segundo o depoimento, a mulher pegou uma faca na cozinha para se defender e, quando Aliomar avançou em sua direção, desferiu um único golpe no peito. A mulher contou que, após Aliomar soltar a barra de ferro, retirou a faca do peito dele, saiu correndo para pedir ajuda aos vizinhos e solicitou que chamassem uma ambulância. Com medo de que o companheiro a perseguisse, deixou o local levando a faca e caminhou pela ciclovia até o Jardim Casqueiro, onde foi para a casa da filha. Em determinado momento do trajeto, conforme a mulher, ela descartou a faca em um local que não consegue identificar. Posteriormente, segundo o boletim, a mulher recebeu uma ligação do hospital pedindo seu comparecimento e, na unidade de saúde, policiais informaram sobre a morte de Aliomar e solicitaram que a parceira comparecesse à delegacia. Sem prisão em flagrante A Polícia Civil requisitou perícia no imóvel e exame necroscópico da vítima. No despacho registrado no boletim de ocorrência, o delegado informou que verificou a existência de uma medida protetiva concedida à mulher contra o companheiro em novembro de 2025. O documento destaca que, em análise preliminar, ela apresentou uma versão considerada articulada e coesa, compareceu espontaneamente à delegacia e que, naquele momento, o entendimento foi de que teria agido em legítima defesa, sem excesso, ao desferir apenas um golpe. Diante disso, a autoridade policial decidiu não lavrar auto de prisão em flagrante, entendendo que os fatos deverão ser esclarecidos durante a investigação por meio de inquérito policial, agora conduzido pelo 2º Distrito Policial de Cubatão.