[[legacy_image_280519]] O casal de comerciantes, de 48 e 50 anos, sequestrado no último dia 6 de junho, em Bertioga, litoral de São Paulo, passou mais de 12 horas de terror em um cativeiro em Guarujá, sob a mira de criminosos. As vítimas foram sequestradas quando saíram do comércio que possuem na Rua General Osório, no Centro de Bertioga. Em entrevista para A Tribuna, a mulher relembra que estava entrando no carro com o cachorro dela e o marido, por volta das 18 horas. Naquele momento, três homens armados chegaram, renderam os dois e entraram dentro do veículo que estava no estacionamento do comércio. “Colocaram a gente no banco de trás e mandaram abaixar a cabeça, não olhar para eles ou iriam matar a gente. A partir desse momento, ficamos sempre com a cabeça baixa, até que cobriram com uma jaqueta preta. Primeiro nos levaram para um ponto de Bertioga, mas não conseguimos identificar onde era. Depois, fomos para um barraco em uma comunidade em Guarujá”, conta. Por desconhecer o Município, ela não sabe dizer o local em que foram mantidos em cativeiro por cerca de dez criminosos armados com facas e armas de fogo. Sob ameaças constantes - até de cortar dedos - as vítimas entregaram os celulares e cartões de banco. Diversas transações bancárias começaram a serem feitas, inclusive um empréstimo foi solicitado. Segundo a vítima, os criminosos pediam constantemente as senhas dos aparelhos e contas para conseguir realizar as movimentações. “Falaram que em qualquer momento podiam matar a gente. Me senti impotente, um nada. Senti como se minha vida não valesse nada. Tentei acalmar meu marido e ficamos o mais calmos possível, para não fazerem nada com a gente. Não tinha como reagir e não podíamos nem levantar a cabeça. Não podia nem me mexer”, relembra. Por conta dessa posição em que as vítimas ficaram, a mulher conta que nenhum dos dois viu os rostos dos criminosos envolvidos no sequestro. “Ficamos quietos, não podíamos conversar. Estávamos sentados em um sofá, um do lado do outro. Não separaram a gente e meu cachorro também estava junto”. Quando anoiteceu e o horário para transferência por Pix ficou restrito, a comerciante diz que os criminosos esperaram amanhecer para continuarem a realizar as transferências bancárias. “Não encostaram a mão na gente, foi mais psicológico. Pedi para ir ao banheiro e colocaram um balde, meu marido me cobriu e depois eles tiraram. Água eles deram para a gente. Disseram que não iam judiar ou fazer a gente passar fome, que apenas queriam o dinheiro e que a gente deveria liberar”, relata. As horas de terror chegaram ao fim na manhã de quinta-feira (6), quando o casal foi deixado dentro do carro, em uma pista de Guarujá. “Falaram para a gente não olhar, se não iam meter bala no veículo. Lembro que, quando liberaram a gente, estávamos em uma pista perto de um mercado em Guarujá". Como não eram familiarizados com a Cidade, as vítimas foram para a Delegacia de Bertioga para registrar o caso. O caso foi registrado como extorsão mediante sequestro. Agora resta o trauma. As vítimas seguem trabalhando, mas está com medo. “O terror que a gente passou foi grande. (Os criminosos) Mexeram muito com o psicológico da gente. Estamos muito mal”. Após o crime, o casal foi ao banco para relatar o ocorrido e realizar mudanças nas contas, mas ainda não tiveram os valores - que a comerciante não quis revelar - ressarcidos.