Ágatha de Oliveira Ricardo havia sido detida após o 3° DP de Praia Grande pedir a sua prisão pelo crime (Reprodução) A Justiça de Praia Grande, no litoral de São Paulo, revogou a prisão preventiva de Ágatha de Oliveira Ricardo, de 35 anos, investigada por aplicar o golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela” em um idoso, de 77, durante um suposto encontro na cidade da Baixada Santista. A vítima teria sofrido um prejuízo superior a R\$ 14,5 mil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme noticiado por A Tribuna, Ágatha foi presa em Barueri, no interior de São Paulo, na manhã de terça-feira (21). A prisão foi solicitada pela Polícia Civil de Praia Grande, por meio do 3º Distrito Policial (DP) da cidade, após a mulher supostamente dopar o idoso, que havia conhecido por meio de um aplicativo de relacionamentos. Segundo a investigação, ela teria colocado um medicamento na água oferecida ao homem, furtado o celular dele e realizado transferências bancárias. A Tribuna teve acesso à decisão que revogou a prisão da investigada. Consta no documento que, na quarta-feira (22), a defesa pediu a revogação da prisão preventiva. Os advogados alegaram que Ágatha não havia sido ouvida pela polícia e afirmaram que ela é mãe e a única responsável por uma pessoa com deficiência. A decisão foi assinada pelo juiz Fernando Cesar do Nascimento, da 1ª Vara Criminal de Praia Grande. Segundo o magistrado, a prisão preventiva havia sido decretada diante da gravidade concreta dos crimes atribuídos à investigada, incluindo a possível participação em um grupo criminoso e a reiteração criminosa. No entanto, o juiz considerou que não houve emprego de violência real para a subtração dos bens e levou em conta a nova versão apresentada pela ré, a comprovação de residência fixa, uma proposta de emprego e a responsabilidade por uma pessoa com deficiência. Também não foram demonstrados, neste momento, risco imediato de fuga e prejuízo à instrução criminal, de acordo com o magistrado. Com isso, a prisão preventiva foi revogada e substituída pela obrigação de Ágatha manter o endereço atualizado. Continuação da investigação A decisão também determinou que os bancos da vítima apresentem informações técnicas sobre as transações realizadas na data do crime. Entre os dados solicitados estão registros de acesso, endereços de IP, informações de geolocalização, dispositivos utilizados e métodos de validação de segurança. A Polícia Civil deverá ainda esclarecer se um celular da marca Motorola apreendido com a investigada é o mesmo aparelho levado da vítima e apresentar a extração de dados dos aparelhos apreendidos. Também deverá analisar possíveis conversas mantidas com beneficiários das transferências bancárias. A Tribuna não conseguiu localizar a defesa de Ágata, mas o espaço segue aberto para manifestações. O caso Conforme apurado por A Tribuna, o idoso conheceu Ágatha por meio de um aplicativo de relacionamentos. Após cerca de três meses de conversas virtuais, os dois marcaram um encontro em Praia Grande. Durante a visita da mulher à residência da vítima, o homem teria ingerido um copo de água oferecido por ela e perdido a consciência. O idoso relatou ter acordado apenas no dia seguinte e constatado o desaparecimento do celular e de outros objetos. Posteriormente, verificou que, durante o período em que esteve desacordado, foram realizadas operações financeiras por meio de seu aplicativo bancário. Entre elas estavam a contratação de um empréstimo de R\$ 11 mil e diversas transferências via Pix, que resultaram em um prejuízo superior a R\$ 14,5 mil. A mulher foi identificada e reconhecida pela vítima. Com base nos elementos reunidos, a autoridade policial representou pela prisão preventiva, medida posteriormente deferida pelo Poder Judiciário. Agentes do 3º DP de Praia Grande cumpriram, em Barueri, os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Versão da investigada Em depoimento à Polícia Civil, Ágatha informou que complementa sua renda como acompanhante e que teria ido à Baixada Santista para se encontrar com o idoso. Ela admitiu ter dado um sedativo ao homem, alegando que ele supostamente havia se exaltado. A investigada também apresentou outra versão para justificar as transferências bancárias. Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos comprimidos de clonazepam e três aparelhos celulares, que serão submetidos a análise no decorrer das investigações.