[[legacy_image_331372]] A mulher de 33 anos que diz ter sido estuprada por 12 homens, sendo 11 policiais militares (PMs), em uma casa em Guarujá, Litoral de São Paulo, em julho de 2023, engravidou no dia da festa. Depois de confirmar a gestação, ela optou por fazer o aborto no quarto mês de gravidez. Mas, para isso, precisou registrar boletim de ocorrência (BO) na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da Capital sobre o ocorrido na festa. O BO foi registrado no mês de dezembro. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Desconfiada, cinco meses depois do crime, a mulher fez exames médicos e descobriu a gravidez. Ao procurar o sistema de saúde de Guarujá, foi informada que não poderia interromper a gestação. Foi aí que a vítima subiu até São Paulo, onde conseguiu realizar o aborto, após registrar o boletim de ocorrência. De acordo com o Código Penal, a gestante vítima de violência sexual pode procurar um hospital para fazer o procedimento de aborto. Para isso, ela deve passar por atendimento especializado com uma equipe multidisciplinar, que avaliará o relato em conjunto com exames e sondagens técnicas, para a realização do procedimento de extração do feto. A vítima, que já tem dois filhos, afirma ter engravidado no dia da festa, porque não manteve relações sexuais com ninguém depois do crime. Ainda segundo ela e de acordo com os exames, o tempo de gestação era condizente à ocorrência (quatro meses, na 21ª semana). O 12º agressorA mulher, que teve a identidade protegida por questões de segurança, alega ter sido estuprada por 11 policiais militares e mais um homem. De acordo com ela, o 12º agressor seria um amigo que estava na festa e que afirma ter sido ele quem interrompeu o estupro coletivo. Cobrança por investigaçãoA deputada estadual Beth Sahão (PT) tomou conhecimento do crime e se manifestou nesta quinta-feira (1º). A parlamentar protocolou um ofício em que cobra da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, assim como da Secretaria da Segurança Pública estadual e do Ministério Público, que seja feita uma investigação e, se comprovado o crime de estupro, que haja a responsabilização de todososenvolvidos. Entenda o casoA mulher tinha, há muitos anos, amizade com policiais e costumava frequentar festas organizadas por PMs. Parte delas teria ocorrido durante a Operação Verão, quando um grande efetivo de agentes se desloca para o Litoral de SP para garantir a segurança da região entre os meses de dezembro e fevereiro. A vítima diz ter sido dopada e estuprada em um churrasco organizado por PMs que alugaram uma casa em Guarujá. Após chegar à residência, acompanhada de uma amiga e de outros dois homens, ela percebeu que não havia outras mulheres no local e decidiu ir embora. Porém, foi convencida a ficar. A mulher chegou a dizer aos policiais que precisava voltar para casa, porque a babá, que fazia companhia aos filhos dela, iria embora. Nesse momento, um policial teria oferecido dinheiro para que ela pagasse a babá para continuar com as crianças e, assim, permanecesse na festa. Ao aceitar a proposta, a mulher ingeriu um copo com bebida alcoólica e, ao voltar do banheiro, percebeu que o copo estava em outro lugar. Mesmo assim, ela o pegou e, ao consumir, começou a passar mal e veio a desmaiar. Por esse motivo, ela acredita ter sido dopada. Depois disso, a mulher tem apenas lapsos de memória. Segundo ela, primeiro, um conhecido se aproximou e a beijou. Em outro momento, ela estava em um quarto mantendo relações sexuais com ele e, mais tarde, se viu cercada por homens e, sem condições de se proteger, foi estuprada. Um amigo, que também estava na festa, interveio, pediu para que os agressores parassem com o abuso e conseguiu retirar a mulher do quarto, mas deixou que ela dormisse na sala para se recuperar, porque a vítima não tinha condições de sair de lá. No dia seguinte, a mulher acordou sentindo dores pelo corpo e, acompanhada da amiga, foi embora após um policial pedir um carro por aplicativo. No veículo, a amiga disse ter presenciado os abusos. Foi quando a vítima começou a entender o que havia ocorrido. Já depois de ter registrado o BO, a mulher conversou com um amigo policial militar, mas se surpreendeu, porque ele pediu que ela não fizesse a denúncia ou revelasse os nomes dos envolvidos (no boletim de ocorrência, há a menção de vários oficiais). O PM também disse que os agressores estariam dispostos a pagar cerca de R\$ 30 mil para que o caso não viesse à tona. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil investiga o caso de estupro de vulnerável e que foram requisitados exames sexológico e médico para a vítima. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarujá prossegue com as diligências. Em nota, a SSP disse ainda que a Polícia Militar instaurou uma sindicância para apurar a participação de oficiais no crime.