Ieda (à esquerda na primeira foto) e Fabiana (à direita) estavam desaparecidas (Arquivo pessoal) O laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou que Fabiana de Fátima Nogueira, de 47 anos, morreu após ser atingida por um tiro na região do tórax, que provocou uma hemorragia interna aguda. O corpo dela foi encontrado enterrado em uma cova na tarde de sábado (18), em uma área de mata na Avenida Piassabuçu, no bairro Samaritá, em São Vicente, no litoral de São Paulo, nove dias após o desaparecimento dela e da companheira, Ieda Aparecida Simplicio, de 61 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No mesmo local, também estavam o corpo de Ieda e um crânio humano. A Polícia Civil investiga o caso para identificar o autor do crime. A reportagem de A Tribuna não obteve informações sobre o laudo que apontem a causa da morte de Ieda. Como foi Quando os corpos foram localizados, familiares acompanharam as buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros e fizeram o reconhecimento preliminar das vítimas. Segundo o boletim de ocorrência, ambas estavam em avançado estado de decomposição, o que impediu que a causa das mortes fosse determinada no local. Por isso, os corpos foram encaminhados ao exame necroscópico, que confirmou posteriormente a morte de Fabiana por disparo de arma de fogo. Além das duas vítimas, parte de um crânio humano foi encontrada na mesma cova. O material passará por perícia para identificação e para verificar se tem relação com este caso ou com outro crime. Conforme o boletim de ocorrência, familiares iniciaram as primeiras escavações antes da chegada das equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande, da Polícia Civil de São Vicente, do Instituto de Criminalística e do Corpo de Bombeiros, que concluíram a retirada dos cadáveres. O caso permanece sob investigação do Setor de Homicídios da DIG de Praia Grande. Desaparecimento Fabiana e Ieda desapareceram na noite de 9 de julho, após deixarem a casa de uma amiga, no bairro Samaritá, em São Vicente. Antes de saírem, disseram à família que iriam "resolver um negócio", mas nunca mais deram notícias. A irmã de Fabiana, Luana Thais Faria, de 19 anos, contou que o casal havia saído de casa por volta das 20h para o encontro. Mais tarde, a irmã mais velha de Fabiana, que também estava na residência da amiga e acompanhada do filho pequeno, retornou para casa de carro por aplicativo, enquanto Fabiana e Ieda seguiram para outro destino, por volta das 23h. "Elas avisaram que iam resolver um negócio. Até aí tudo bem, ninguém estranhou, porque a minha irmã sempre sabe o que está fazendo, então ninguém estranhou nada, porque ela não é de contar a vida dela", relatou Luana. A preocupação começou ainda naquela madrugada. Segundo a jovem, Fabiana trabalhava com entregas para uma empresa de e-commerce e tinha o hábito de voltar para casa para organizar as encomendas antes do expediente. "A Fabiana pediu para deixar o portão aberto, porque ela sempre pedia quando ia chegar, e ela estava louca pra trabalhar no outro dia. Elas sempre costumavam avisar, então a gente estranhou muito". A última conexão de Fabiana em um aplicativo de mensagens ocorreu às 23h37 daquela noite. Depois disso, os celulares deixaram de responder. Carro do casal foi encontrado abandonado em Praia Grande (Reprodução) Carro abandonado Dias depois, o carro utilizado pelo casal foi encontrado abandonado nas proximidades do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande. O veículo estava aberto, sem as chaves e sem ocupantes. No interior havia apenas os documentos das vítimas e o celular de Ieda. O telefone de Fabiana nunca foi localizado. Como não havia registro de boletim de ocorrência informando o desaparecimento do automóvel, a Polícia Militar orientou que o veículo fosse retirado do local. O carro foi guinchado até a residência da família, acompanhado por policiais, e passou a integrar a investigação. Segundo Luana, a família procurou a delegacia em 10 de julho, mas foi orientada a registrar o boletim de ocorrência apenas em 13 de julho. No dia seguinte, o automóvel passou por perícia. Casamento planejado Segundo a irmã, Fabiana e Ieda se conheciam desde a infância e se reencontraram anos depois. Ieda morava com Fabiana há cerca de um ano e meio. "Elas estavam até planejando se casar. Na semana (do desaparecimento), a gente estava aqui arrumando a casa. A gente ia fazer reforma também. E aí aconteceu isso", lamentou. O caso foi registrado como homicídio e morte suspeita. Até o momento, ninguém foi preso.