O crime aconteceu em Itanhaém (Raimundo Rosa/AT/Arquivo) Uma mulher de 42 anos foi sequestrada e mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro que a estuprou, agrediu com ‘tesouradas’ e cortou seu cabelo enquanto ela era ameaçada com uma arma em Itanhaém, no litoral de São Paulo. O homem, de 56 anos, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Durante o registro, a vítima também confessou que o ex teria lhe agredido em uma outra ocasião e fez com que perdesse o olho direito. Ela usa uma prótese, e na época, disse à equipe médica que teria sofrido um acidente. O crime O caso aconteceu na tarde do dia 12 de setembro, uma quinta-feira, em uma casa na Rua Trento, no bairro Belas Artes. Policiais militares (PMs) foram chamados na manhã do dia seguinte pela vítima, dizendo que estava trancada no banheiro da residência e teria sido agredida com golpes de tesoura pelo ex. No local, os policiais foram recebidos pela vítima. Ela disse que saiu de casa para comprar cigarro em uma loja de conveniência em um posto de gasolina na Avenida Harry Forssel, quando foi surpreendida na calçada pelo ex-companheiro, que a puxou pelo braço e a obrigou a entrar no carro dele. A mulher narrou ter se negado a entrar no carro, porém o ex colocou a mão dentro da roupa, simulando estar armado, e continuou obrigando a mulher a entrar no veículo, puxando-a para dentro. Quando conseguiu, o homem mostrou uma arma para a vítima e começou a dar voltas pela cidade. Já à noite, a mulher foi levada para a casa do ex. Ela descreveu que madrugou ouvindo ameaças de morte e sofrendo agressões com uma tesoura. À polícia, ela mostrou ferimentos no tórax, na coxa direita e no pescoço. Além disso, destacou que ele também cortou seu cabelo e manteve relação sexual sem sua permissão. Na sequência, a vítima também revelou que o ex removeu a sua prótese do olho direito durante o sequestro, e colocava vodka em um copo, obrigando-a a beber. Os atos só cessaram quando, por volta das 6h30, o homem saiu levando embora a prótese ocular dela, porém sem trancar o imóvel, possibilitando que a vítima se trancasse no banheiro e pedisse ajuda à PM. Prisão do ex Conforme informado no boletim de ocorrência, a vítima declarou aos policiais que estava conversando com o ex no WhatsApp para tentar recuperar a prótese ocular e estava saindo para encontrá-lo e pegar o objeto. Os policiais a acompanharam e encontraram o acusado na Rua José Vicente Moreira. Durante a revista pessoal, a equipe encontrou a prótese e a identidade da vítima no bolso da bermuda do homem. Sendo assim, a vítima e o acusado foram levados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois para a delegacia, para formalizar a prisão em flagrante do homem. Dentro do quarto onde a vítima disse ter passado a noite com o ex-companheiro, os policiais encontraram colchões, uma tesoura, um tufo de cabelo (que a mulher afirmou ser dela) e um simulacro de pistola. Todos os itens foram apreendidos e expedidos para a perícia no Instituto Criminalística e Instituto Médico Legal (IML). Olho direito Ainda segundo o boletim, quando os policiais fizeram o primeiro contato com a vítima, eles notaram uma ‘certa lesão cicatrizada de ausência de seu olho direito’ e, posteriormente, recuperaram sua prótese ocular. Na delegacia, ela revelou que o ex foi o culpado por sua perda. Em um segundo registro, a vítima contou que isso teria acontecido em decorrência de uma agressão sofrida há dois anos. Ela não se recordava da data exata do ocorrido, porém alegou que mentiu à equipe de saúde que a socorreu e fez a cirurgia em seu olho, retratando que teria caído e batido o olho em uma quina de pia ou mesa. Porém, diante do último ocorrido, resolveu contar que o ex, usando uma frigideira torcida, bateu na cara dela e atingiu o olho direito. O ferimento foi tão grave que ela perdeu a visão e teve que retirar o globo ocular. Desde então, ela usa uma prótese. O caso foi registrado como violência doméstica, ameaça, estupro, lesão corporal grave, sequestro e carcere privado. Os crimes serão investigados pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itanhaém.