Na clínica clandestina no Embaré, em Santos, foram apreendidos produtos destinados à esterilização e assepsia hospitalar (Divulgação / Polícia Civil) Uma mulher de 51 anos foi presa em flagrante durante operação da Polícia Civil contra clínicas estéticas clandestinas em Santos, no litoral de São Paulo. A ação foi realizada por policiais da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), do Deinter-6, e apontou que a investigada realizava procedimentos estéticos invasivos sem habilitação legal para exercer atos da medicina. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a investigação, a mulher, identificada como Simone Santana de Moura, possui formação na área de estética, mas realizava procedimentos como endolaser, com introdução de instrumentos no tecido subcutâneo e aplicação de anestésicos injetáveis, ultrapassando os limites permitidos para sua profissão. As diligências foram realizadas em dois endereços ligados a Simone: um apartamento na Rua São José, no bairro Embaré, e uma clínica localizada na Rua Álvaro Alvim, também no Embaré. Nos dois imóveis, os policiais apreenderam uma grande quantidade de materiais e medicamentos normalmente utilizados em procedimentos médicos invasivos. Entre os itens encontrados estavam caixas com seringas, inclusive algumas já utilizadas, luvas e aventais cirúrgicos, microcânulas, tubos para coleta de sangue, bandejas com instrumentos cirúrgicos, além de equipamentos como centrífuga laboratorial e incubadora de plasma. Também foram recolhidos diversos medicamentos, incluindo cloridrato de lidocaína, anestésico de uso restrito, e outras substâncias utilizadas em procedimentos subcutâneos. -Veja o vídeo (1.519661) A investigação aponta ainda que havia produtos destinados à esterilização hospitalar, documentos relacionados aos atendimentos, fichas de anamnese, apostilas técnicas, certificados de cursos, aparelhos eletrônicos e registros de pacientes. Para a Polícia Civil, o material evidencia que a clínica funcionava como um verdadeiro estabelecimento clandestino voltado à realização de procedimentos típicos da prática médica, sem autorização dos órgãos competentes. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a ausência de equipamentos considerados indispensáveis para situações de emergência, como cilindro de oxigênio e desfibrilador, o que, segundo a polícia, aumentava o risco para os pacientes submetidos aos procedimentos. Foi constatada ainda a ausência de equipamentos essenciais para situações de emergência, como oxigênio e desfibrilador (Divulgação / Polícia Civil) Divulgação nas redes sociais Conforme as investigações, Simone utilizava as redes sociais para divulgar os serviços, apresentando-se como especialista e oferecendo procedimentos estéticos de maior complexidade, além de cursos e treinamentos que, segundo a Polícia Civil, poderiam ampliar a prática irregular dessas intervenções. Os investigadores também destacam que Simone induzia consumidores a acreditar que os procedimentos eram simples e seguros, quando, na realidade, envolviam técnicas invasivas que exigem formação médica e estrutura adequada para atendimento de possíveis complicações. Crimes investigados Diante dos elementos reunidos, a mulher foi autuada em flagrante pelos crimes de exercício ilegal da medicina (artigo 282 do Código Penal) e armazenamento e utilização de produtos medicinais irregulares (artigo 273, § 1º-B, incisos I e V, do Código Penal), este último considerado crime de natureza hedionda. Após a prisão, Simone foi encaminhada à sede da 1ª DIG, onde permaneceu à disposição da Justiça. As investigações continuam para identificar possíveis vítimas e verificar a participação de outras pessoas no esquema.