Caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande (Vanessa Rodrigues/AT) Um auxiliar de enfermagem de 43 anos é acusado de importunar sexualmente uma paciente, de 56 anos, durante o banho. Internada em um hospital localizado em Praia Grande, a vítima contou que o funcionário se aproveitou que ela estava sozinha com ele e inseriu os dedos em suas partes íntimas. O crime teria ocorrido no último dia 7, segunda-feira. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um boletim de ocorrência foi registrado pelo marido da vítima na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande na terça (8). Nele, o homem explicou que a esposa teve que ser internada após sofrer um acidente de trabalho e cair de um telhado. Em decorrência da queda, a vítima quebrou duas costelas e sofreu uma perfuração no pulmão. Ela foi hospitalizada e aguardava por um procedimento cirúrgico. Na segunda (7), por volta das 10 horas, o marido da paciente chegou para visitá-la e encontrou a esposa chorando no quarto. Em seguida, a paciente contou que um auxiliar de enfermagem teria passado as mãos em sua parte íntima enquanto lhe dava banho. Um vídeo da vítima descrevendo o fato foi apresentado na DDM. Relato da vítima De acordo com a paciente, o auxiliar de enfermagem chegou ainda de manhã no quarto dela. “Entrou de ‘mansinho’, ficou bem quietinho. Senti que tinha alguém no quarto e ele estava na mesa dele. Ele falou: ‘Você vai querer tomar banho agora?’, eu falei que não. Chegou a fisioterapeuta, que ficou comigo no quarto e, como fiquei muito mal, pedi para ela chamar o auxiliar de enfermagem para eu tomar banho”. Passando mal, a paciente relatou que pediu para ir ao banheiro e, com a ajuda da fisioterapeuta, foi colocada na privada. “Comecei a ficar apavorada no banheiro, pois tenho fobia de lugar fechado e vi que não tinha campainha. Comecei a chamar ele. Como não consigo gritar pelo pulmão perfurado, não conseguia gritar”. Na sequência, segundo a mulher, o auxiliar de enfermagem abriu a porta e ela pediu para tomar banho, pois estava passando mal. “Pedi para esfregar bem minhas costas, pois fico muito tempo deitada e não circula o sangue. Estava começando a coçar. Ele disse: ‘Pode deixar que vou lavar você todinha’. Daí já comecei a achar estranho”. “Quando ele foi para minha intimidade, pegou e começou a esfregar. Passou a mão e colocou o dedo dentro. Ele colocou a mão mais em cima e eu falei: ‘Obrigado, não precisa mais não’. Ele pegou e foi lavar atrás. Quando ele lavou, colocou o dedo lá. Fiquei sem ter o que fazer, estava me sentindo muito mal, muito fraca. Queria sair do banho. Não sabia o que fazer naquela hora”, relembra. Mesmo após o banho, de acordo com a paciente, ainda houve importunação sexual na hora em que foi secada pelo homem. “Ele pegou, foi secar minhas pernas, abriu minhas nádegas e começou a mexer lá atrás. Falei: ‘Não, está bom. Não precisa mais não’. Ele me deitou na cama e fiquei preocupada, não sabia o que fazer. Estava meio desorientada”. “Não podia deixar assim. Estava pensando em mim. Mas minha maior preocupação era que alguém tinha que falar. Ele podia fazer com outras pessoas o que estava fazendo comigo. Isso passou na minha cabeça e também me senti abusada”, continua a vítima. Depois do ocorrido, a mulher contou à equipe de enfermagem e ao marido, que chegou logo em seguida. Foi informado à família que o funcionário foi desligado após o ocorrido. Família desolada O filho da paciente, de 27 anos, considerou que o auxiliar de enfermagem quebrou o protocolo ao não chamar outra técnica mulher, no caso, para acompanhar o banho da paciente. Questionado sobre o caso, o filho da vítima enfatizou que o hospital se negou a fornecer os dados do funcionário para registro do boletim de ocorrência. Ele foi informado de que seria necessária uma solicitação da Justiça. “O hospital não forneceu nenhum tipo de suporte psicológico para ela depois do ocorrido, nenhum acompanhamento. Minha mãe está em estado de choque. É como se a ficha dela não tivesse caído”, diz. Diante do ocorrido, surge uma nova preocupação para a família: o estresse e o trauma na paciente em período pré-cirúrgico. “Ficamos sem ter o que fazer. Totalmente desamparados. A gente fica assim de mãos atadas e fica naquela preocupação”. DDM investiga o caso A delegada da DDM de Praia Grande, Lyvia Cristina Bonella, recebeu o vídeo com o relato da vítima. Depois do registro, a Polícia Civil conseguiu identificar o auxiliar de enfermagem citado no caso e agora investiga o ocorrido. A autoridade policial destacou que “é um absurdo deixar um homem dar banho em uma mulher que está acamada”. Bonella explicou que a importunação sexual é quando o indiciado pratica um ato sexual contra alguém contra a vontade dessa pessoa para sua própria satisfação. “Do meu ponto de vista, eu acredito que seja uma importunação sexual. Que também é um crime grave”, informou a delegada sobre o registro do caso. “A gente pediu as câmeras do hospital para ver o andar em que ela estava, quem entrou no quarto, as pessoas que estavam ali. A gente também vai pedir a ficha clínica dela, para ver as condições em que ela estava e por que deixaram aquele enfermeiro dar banho nela sozinha”. Posicionamento do hospital O hospital de Praia Grande, em nota, informou que o caso está sendo apurado sob sigilo. A unidade de saúde, ao tomar conhecimento do ocorrido, “imediatamente instaurou o processo de sindicância administrativa para a averiguação do ato do profissional envolvido”. Ainda segundo o hospital, “o processo sob a ótica criminal será apurado pela esfera do órgão competente, conforme formalizado no boletim de ocorrência”, e desde o início “o hospital prestou toda a assistência e sempre esteve à disposição para colaborar para o esclarecimento dos fatos alegados”. “É importante destacar que o hospital não compactua com ações que caracterizam crime ou desrespeito perante seus colaboradores e principalmente seus cliente/pacientes, tomando precauções desde a contratação até eventual desligamento de seu quadro efetivo”, concluiu a unidade de saúde.