Caso aconteceu após a mulher sair de uma farmácia em Santos (Vanessa Rodrigues/AT) Uma mulher negra de 47 anos foi acusada injustamente de furto na noite da última segunda-feira (21) por dois funcionários da Drogasil, na unidade da Avenida Senador Pinheiro Machado, em Santos. Segundo relato da vítima, ela foi abordada no meio da rua sob a acusação de ter levado um desodorante sem pagar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para A Tribuna, a mulher contou que trabalha como assessora de imprensa e está com um projeto em andamento com uma marca de desodorante. Na segunda (21), por volta das 21 horas, a vítima disse que estava na academia, com roupas de exercício quando saiu, e decidiu procurar pelo produto em farmácias no entorno. Em seguida, a assessora relembrou ter entrado na Drogasil, procurado pela marca em questão e saído por não ter encontrado. Depois, ela entrou em outra farmácia e também não achou o produto. Quando saiu em direção à sua residência, foi abordada por dois homens. Eles se apresentaram como supervisores de segurança da farmácia, acusando-a de ter furtado um dos desodorantes da prateleira. “Me deu um susto, porque eu não entendia. Eles vieram correndo na minha direção. Principalmente um deles, que era mais truculento e veio me acuando contra as grades do prédio.” Segundo a assessora, a acusação do segurança era que teria a visto pegando o item, e que ela teria escondido o desodorante pelo corpo ou na bolsa. “Fiquei transtornada. Me acusando de um furto ali no meio da rua. Trazendo constrangimento em uma calçada que eu passo todos os dias para fazer o meu treino”, desabafou. Pouco depois de ser abordada, a vítima percebeu que o supervisor estava notando que poderia estar cometendo um equívoco e, por conta disso, tentou colocar ‘panos quentes’ na abordagem. Mesmo assim, ela ressaltou que fez questão de retornar ao estabelecimento e ver as imagens das câmeras, enquanto o segurança garantia que o suposto crime havia sido flagrado. Chamada a Polícia Militar (PM), a mulher explicou que queria ser revistada e que, depois da chegada das viaturas, os funcionários foram com os PMs para um espaço reservado e passaram um tempo lá dentro. Posteriormente, os agentes falaram que os dois assumiram o erro e gostariam de se retratar com a vítima. O segurança, durante o pedido de desculpas, relatou ter confundido a garrafa de água na mão dela com o desodorante. Porém, a vítima rebateu que as medidas não batem, pois o objeto era grande e comporta 1,5 litro. “Quando você é uma pessoa preta, você sente a diferença. Quando eu estava na farmácia olhando o produto, tinha um monte de pessoas também. O que me diferenciou dessas outras pessoas? A aparência é que pesa e vira critério de desconfiança”, comenta. Mesmo com a coragem do momento, a mulher descreveu ter ficado abalada com a falsa acusação quando ‘caiu a ficha’ do que havia acontecido. “Depois eu fiquei extremamente abalada, e até agora não dormi. Não é uma situação agradável. Você ser acusado de furto a poucos metros da sua casa.” “É dolorido sobre vários aspectos. Atinge a questão de você ser quem você é. É um conjunto de ferimentos que aconteceram quando eu estava em uma situação totalmente vulnerável. Minha aparência fez com que eles traçassem um perfil de possível criminosa”, reforça. Agora, a assessora de imprensa pretende entrar com uma ação por injúria racial e danos morais contra a empresa Posicionamento A RD Saúde informou, em nota, que apura o episódio ocorrido na farmácia Drogasil da Avenida Pinheiro Machado e colabora com as investigações do caso. A empresa reafirmou o compromisso em promover um ambiente de zero discriminação e também lamentou qualquer conduta que esteja em desacordo com as normas da companhia. A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que policiais militares (PMs) foram chamados para atender uma ocorrência de desinteligência no bairro Pompéia. No local, a equipe apurou que uma cliente de uma farmácia foi acusada de furto por um funcionário. Ainda segundo a SSP, a mulher relatou aos policiais racismo na ação e o funcionário reconheceu o erro e pediu desculpas. Sendo assim, os PMs orientaram os envolvidos para o registro da ocorrência na Polícia Civil. A vítima registrou um boletim de forma virtual sobre o caso.