[[legacy_image_337990]] Você recebeu ligações de banco solicitando dados? Chegou aquele e-mail ou uma mensagem de um número desconhecido dizendo que seu cartão foi clonado? Cuidado! Esses podem ser indícios de um golpe. A líder de hotelaria Kelly Rosa dos Santos, de 36 anos, de Praia Grande, foi vítima de um desses golpes na última semana e perdeu R\$ 1.328,00 depois que transferiu a quantia via Pix para os golpistas. Ela conversou com a reportagem de A Tribuna nesta segunda-feira (26) e contou detalhes do ocorrido. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo começou quando Kelly recebeu um e-mail, que supostamente seria da agência bancária dela, dizendo que uma compra no valor de R\$ 1.599,00 estaria em análise e, caso não a reconhecesse, deveria ligar no número de telefone indicado. Ela, que estava trabalhando no momento, ficou desesperada e rapidamente entrou em contato por e-mail. “Aí deu aquela musiquinha do banco, tudo com o mesmo processo (com o qual estamos acostumados). Um homem atendeu e falou que tinham tentado fazer comprar on-line usando a minha conta. Ele disse que eu precisava bloqueá-la e me passou dois links para fazer isso. Fui seguindo o passo a passo. Eu estava com a cabeça no trabalho e na ligação e, quando me dei conta, já tinha feito duas transações Pix”, relata. Primeiramente foi realizada uma transferência no valor de R\$ 828,41 e, depois, outra de R\$ 500,00, resultando no montante de R\$ 1328,00. Na sequência, segundo Kelly, os golpistas continuaram com a ação e solicitaram o bloqueio de outra conta, mediante o repasse de valores. “Ele me perguntou se eu usava outro aplicativo de banco e eu confirmei. Aí, me disse que também entraram e hackearam os dados daquele app. Por isso, eu teria que tirar o limite para que conseguissem bloquear também”, afirma. Entretanto, enquanto estava realizando o processo novamente, Kelly se deu conta de que não era o mesmo banco citado inicialmente e achou estranho ser possível realizar uma transação como esta, com orientações de um suposto atendente de outra instituição financeira. “Aí, eu desliguei o telefone e caí em mim. Me deu aquele desespero, uma ansiedade. Estou sentindo isso até agora. Eu não acreditei que aquilo estava acontecendo comigo”, comenta. Ela acrescenta que, depois, ainda recebeu mais uma ligação solicitando o prosseguimento no processo, mas, ao indagar sobre a veracidade da transação, a pessoa teria desligado e não atendido mais as ligações. Kelly afirma que registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Eletrônica, como fraude e estelionato. O caso deverá ser investigado pela Polícia Civil. CuidadosO advogado especialista em direito do consumidor Rafael Quaresma declara que esse tipo de golpe do Pix está cada vez mais recorrente e vitimando um número cada vez maior de consumidores. Por isso, ele orienta que alguns cuidados devem ser seguidos. “Não existe essa abordagem ativa por parte do banco. Ele nunca vai entrar em contato para falar que é necessário acessar a conta ou concretizar uma transação pendente. Isso já é um indício de golpe. Se algo assim acontecer, o consumidor deve imediatamente encerrar a ligação que recebeu, e cujo contato não partiu dele, para que possa fazer contato com a agência, via um número de telefone do gerente ou da própria unidade. Desse modo, confirmará as informações (alegadas pelo suposto atendente do banco)”, alerta. Rafael ainda explica que existe uma engenharia social por trás desses tipos de golpes, que fazem com que o consumidor acredite que são verdadeiros. Exemplo disso é a inserção de características do banco em questão, como música, paleta de cores e parte gráfica, trazendo um ar de veracidade ao processo. “Por isso, é muito importante ficar atento a todos os detalhes possíveis, pois eles podem ser primordiais para descobrir essas armadilhas”, finaliza.